Política MT
Comissão de Saúde otimiza trabalhos no 1º semestre
Publicado em
13 de julho de 2023por
Da RedaçãoNo primeiro semestre de 2023, uma das principais ações da Comissão de Saúde, Previdência e Assistência Social da Assembleia Legislativa de Mato Grosso foi acompanhar a intervenção do Governo do Estado na Secretaria de Saúde Pública de Cuiabá. Para isso foi criada uma comissão provisória externa.
A comissão foi criada em março e para presidi-la foi escolhido o deputado Paulo Araújo (PP). Entre as atribuições dela está o de emitir parecer sobre os relatórios e planos de intervenções, bem como se manifestar acerca da prestação de contas feita pelo gabinete de intervenção.
Ao completar 68 dias de trabalho, a comissão ouviu, na Assembleia Legislativa, a interventora Danielle Bertucini. Ela afirmou que a equipe de intenção detectou uma dívida trabalhista na ordem de R$ 92 milhões contraída na gestão da Empresa Cuiabana. Esses valores são relativos a rescisão de contrato, férias, décimo terceiro, prêmio saúde.
Nesse interim, em uma das visitas à Policlínica do Coxipó (Dr. José Eduardo Vaz Curvo), em Cuiabá, Araújo afirmou que a unidade de saúde tinha uma das piores infraestruturas de Mato Grosso. “A unidade de saúde não tem condições de continuar atendendo a população. O local passa por reformas há mais de dois anos. Isso é inconcebível. Defendo a intervenção estadual até o final do mandato de Emanuel Pinheiro”, afirmou Araújo.
No 1º ano, da 20ª Legislatura, a Comissão de Saúde está sendo presidida pelo deputado Lúdio Cabral (PT). Em seu ato de posse, Cabral afirmou que os deputados estariam empenhados a fiscalizar e a identificar os problemas que envolvem as diversas áreas de saúde. A ideia, segundo Cabral, além de avançar e melhorar a qualidade da legislação, a comissão tem que fiscalizar as condições de atendimento da saúde à população.
Para acompanhar de perto as ações e os principais gargalos enfrentados pelo Executivo estadual, a comissão realizou audiências públicas. Uma delas foi à apresentação de balancetes financeiros e orçamentários da Secretaria Estadual de Saúde do Estado (SES), do 1º trimestre de 2023.
Nesse encontro, o deputado Lúdio Cabral questionou o assessor Técnico do Núcleo de Gestão Estratégicos para Resultados da SES, Oberdan Ferreira Coutinho Lira, sobre o número de pessoal contratado pela Secretaria em todo o Estado.
“É inadmissível que os servidores contratados sejam maiores que os efetivos. Os temporários chegam a 4.443 mil, já os efetivos são em 2.906 servidores. Enquanto isso, o déficit de servidores para os quadros da SES chega a sete mil cargos vagos. Mas o governo propõe um concurso com apenas 406 vagas”, explicou Cabral.
Já, durante reunião extraordinária, os integrantes da Comissão de Saúde ouviram Oneide Martins Ribeiro Romera, que é ouvidora da SES. Ela falou sobre as demandas da Ouvidoria Geral do Sistema Único de Saúde/Conselho Estadual de Saúde de Mato Grosso. Romera afirmou que a maior dificuldade enfrentada pelos usuários do SUS é à falta de medicamentos.
“Hoje, são 19 medicamentos que estão em falta nas farmácias de alto custo. As pessoas recorrem à ouvidoria porque são medicamentos de uso continuo, que não podem ser interrompidos. Esses medicamentos, infelizmente, estão em falta há quatro meses. Hoje, a Ouvidoria vem sofrendo um processo de sucateamento, tínhamos 30 servidores, atualmente são 11 colaboradores”, explicou Romera.
A outra questão levantada pela comissão, nesse período, foi o convite feito à Organização Não Governamental (ONG-Cirinho Sorrindo), para integrar a Câmara Setorial da Oncologia. A instituição está localizada em Sorriso e atende pacientes de todo médio-norte do estado como foco no trabalho para diagnóstico precoce de câncer.
Os integrantes da comissão aproveitaram, durante reunião extraordinária, para ouvir especialistas ligados as clínicas de tratamentos renais em Mato Grosso. O deputado Lúdio Cabral afirmou que os valores pagos para as clínicas de nefrologia, em relação às demandas dos procedimentos, estão defasados.
De acordo com Cabral, são mais de três mil pacientes atendidos em 11 clínicas, localizadas em oito municípios mato-grossenses. “O tratamento é custeado em 100% pelo Ministério da Saúde. Não há um centavo do governo estadual. Os valores repassados para cada sessão de hemodiálise é R$ 218, mas o valor deveria ser de R$ 305”, explicou Cabral.
Retorno dos trabalhos
Na última reunião de 4 de julho, os integrantes da comissão aprovaram a realização de oito audiências públicas nos meses de agosto e setembro. A primeira delas será no dia 8 de agosto, às 9 horas, na sala das Comissões Deputada Sarita Baracat. Nesse dia, os deputados vão discutir com a sociedade civil a situação da saúde indígena em Mato Grosso.
Outra audiência pública será realizada no dia 15 de agosto, às 10 horas, na sala 202 Deputada Sarita Baracat. A comissão e convidados vão debater o Plano Estadual de Saúde e Segurança dos Pacientes. Já no dia 17, às 14 horas, os deputados vão até o município de Sinop (região do Teles Pires) para discutir a assistência hospitalar.
Nos municípios de Colíder e Alta Floresta, no dia 18, às 8 horas e às 18 horas, respectivamente, a comissão vai debater também a assistência hospitalar empreendida nas duas cidades. Já no dia 29, às 8 horas, na sala 202, Deputada Sarita Baracat, da Assembleia Legislativa, os deputados vão debater os problemas de pacientes renais crônicos e a terapia renal substitutiva.
Em setembro
No dia 5, às 9 horas, a comissão realiza audiência pública, na sala 202 da ALMT, para debater as doenças socialmente determinadas: hanseníase, tuberculose, IST (infecção sexualmente transmissível), AIDS/HIV e malária. O debate será na sede da Assembleia Legislativa.
A última audiência pública, marcada para o dia 19 de setembro, às 9 horas, a Comissão de Saúde vai debater a assistência às pessoas com dor crônica, como fibromialgia, artrite reumática e outras enfermidades. A audiência pública está agendada para a sala 202, Deputada Sarita Baracat.
Fonte: ALMT – MT
Política MT
ALMT debate soluções para regularização fundiária e moradia de famílias do Silvanópolis e Paraisópolis
Published
2 horas agoon
14 de maio de 2026By
Da Redação
Com plenário e galerias lotados, moradores dos bairros Silvanópolis e Paraisópolis acompanharam, nesta quinta-feira (14), no Plenário das Deliberações Deputado Renê Barbour, na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT), audiência pública que discutiu os impactos de uma decisão judicial relacionada à desocupação de áreas na região das Águas Nascentes, em Cuiabá. Entre crianças, idosos, trabalhadores, pais e mães de famílias, o sentimento predominante era de insegurança diante da possibilidade de perder as próprias casas.
A audiência foi convocada pelo presidente da ALMT, Max Russi (Pode), e pela vereadora Katiuscia Manteli (Pode), após sentença relacionada a uma ação civil pública ambiental que tramita há mais de 13 anos e envolve áreas conhecidas como Águas Nascentes.
Durante o encontro, moradores relataram medo de uma desocupação sem planejamento habitacional. Muitos acompanharam o debate segurando cartazes com pedidos de socorro, além de documentos e comprovantes de residência, enquanto buscavam respostas sobre o alcance da decisão judicial e o futuro das famílias que vivem na região há mais de duas décadas.
Segundo Katiuscia, atualmente mais de 1,5 mil famílias vivem nas áreas atingidas pela sentença. A vereadora afirmou que a audiência foi convocada para reunir os órgãos envolvidos e esclarecer quais medidas deverão ser adotadas.
“A principal intenção dessa audiência é que as famílias tenham respostas. Precisamos entender quantas famílias realmente precisarão ser realocadas, quais áreas podem ser regularizadas e quais encaminhamentos serão adotados pelo poder público”, afirmou.
Ao final da audiência, Katiuscia informou que o próximo passo será uma reunião com o Governo do Estado para discutir soluções conjuntas para a área. Segundo ela, o principal objetivo foi reduzir a insegurança das famílias diante das informações que circulavam sobre despejos imediatos.
Foto: Helder Faria
“O maior medo das famílias era acordar com máquinas derrubando as casas. Hoje elas saem daqui mais tranquilas, sabendo que haverá estudos e discussão antes de qualquer decisão”, disse.
O presidente da Assembleia Legislativa destacou que a Casa acompanhará o caso por meio da Procuradoria da ALMT e reforçou a necessidade de acelerar os processos de regularização fundiária no estado.
“A regularização fundiária é uma das grandes demandas do estado, tanto na área urbana quanto rural. Precisamos avançar de forma mais rápida para garantir segurança jurídica e dignidade às famílias”, declarou Max Russi.
Após a audiência, o parlamentar afirmou que pretende discutir o tema diretamente com o governador do estado, além de reunir representantes do município, Ministério Público, Defensoria Pública, Intermat e lideranças comunitárias para avançar nos encaminhamentos.
“Existe uma preocupação ambiental que precisa ser respeitada, principalmente nas áreas de nascente e de risco. Mas também existem áreas livres onde é possível buscar soluções para essas famílias permanecerem próximas da região onde vivem hoje”, afirmou.
O deputado Wilson Santos (PSD) também participou da audiência e afirmou que os moradores podem contar com o apoio da Assembleia Legislativa, desde que sejam respeitadas as restrições das áreas consideradas de risco e de desmoronamento. Segundo ele, as famílias que precisarem deixar essas áreas não podem ficar desabrigadas e deverão ter alternativas habitacionais.
Representante da Associação Comunitária de Habitação do Estado de Mato Grosso, Emídio de Souza defendeu que grande parte da área pode ser regularizada e afirmou que as remoções deveriam atingir apenas famílias instaladas em locais de erosão e às margens dos córregos.
“Existe possibilidade de regularização para grande parte das famílias. O que defendemos é que apenas as áreas de risco e de preservação permanente sejam desocupadas, com planejamento e reassentamento adequado”, disse.
Ele também criticou a ausência de projetos habitacionais para remanejamento das famílias e lembrou que a ocupação da região começou no fim da década de 1990.
Presidente do bairro Silvanópolis, Jurandir Souza afirmou que os moradores foram surpreendidos pela sentença judicial e relatou que a comunidade aguardava estudos técnicos que poderiam apontar soluções para permanência de parte das famílias.
“Hoje são cerca de 1.500 famílias vivendo ali. Tem idosos, cadeirantes, muitas crianças. A expectativa sempre foi de regularização, por ser uma área do estado”, afirmou.
Já o presidente do Paraisópolis, Mário Domingos da Silva, relatou apreensão diante da possibilidade de retirada em massa dos moradores.
“As famílias querem saber para onde vão. Tem muita gente vivendo ali há mais de 20 anos e que construiu toda a vida naquela região”, declarou.
Durante a audiência, o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), defendeu a criação de um termo de ajustamento de conduta (TAC) envolvendo município e Governo do Estado para viabilizar moradias às famílias que precisarem ser removidas das áreas de risco.
Segundo o prefeito, moradores localizados às margens dos córregos e em áreas sujeitas a desmoronamentos precisarão ser realocados por questões de segurança e legislação ambiental.
“Nós precisamos realocar quem está em área de risco e garantir que essas famílias tenham destino adequado, sem simplesmente retirar as pessoas sem alternativa habitacional”, afirmou.
Abilio também defendeu estudos ambientais para redefinir áreas passíveis de regularização fundiária e sugeriu a transformação de parte da região em zona de interesse social para habitação.
Representando a Promotoria de Defesa Ambiental e da Ordem Urbanística de Cuiabá, Carlos Eduardo Silva afirmou que o Ministério Público buscará uma solução que concilie preservação ambiental e dignidade das famílias.
“Precisamos encontrar a solução menos dolorosa possível, conciliando os interesses ambientais existentes na área com a realidade das famílias que vivem ali”, afirmou.
Segundo o promotor, a ocupação da região voltou a crescer após um processo de reassentamento realizado há cerca de 20 anos e a situação atual exige atuação conjunta dos órgãos públicos para cumprimento da decisão judicial e construção de alternativas habitacionais.
A audiência reuniu representantes do Ministério Público, Defensoria Pública, Tribunal de Contas do Estado, Governo de Mato Grosso, Prefeitura de Cuiabá, vereadores e lideranças comunitárias. Entre os encaminhamentos definidos estão a realização de novas reuniões com o Governo do Estado, estudos técnicos sobre as áreas ocupadas e a construção de alternativas para regularização fundiária e reassentamento das famílias localizadas em áreas de risco ambiental.
Fonte: ALMT – MT
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