Lula, Haddad e Lira se reuniram na tarde desta terça-feira
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, entregaram o texto do arcabouço fiscal ao Congresso Nacional nesta terça-feira (18). O projeto de lei complementar foi entregue ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL).
A nova regra fiscal, que substituirá o teto de gastos caso seja aprovada, começará a tramitar na Câmara, e depois seguirá para o Senado. Confira as etapas:
O projeto de lei complementar começa a ser discutido na Câmara dos Deputados, onde o texto pode ser alterado. Depois, ele é enviado ao Senado, onde também pode passar por modificações. Se isso acontecer, ele precisa voltar novamente para a Câmara, que dá a palavra final;
Depois, o texto passa por análises de comissões antes de ser discutido no plenário das duas Casas;
Só depois de feitas todas as discussões e alterações no texto, o projeto de lei complementar é votado na Câmara e no Senado. Para ser aprovado, é necessário maioria absoluta dos votos;
Aprovado nas duas Casas, o texto é enviado ao presidente da República, que tem 15 dias para sancionar a lei. Nessa etapa, Lula tem o poder de vetar alterações no texto feitas pela Câmara ou pelo Senado. Se isso acontecer, deputados e senadores devem votar a respeito de cada veto, que pode ser rejeitado se houver maioria absoluta de votos.
Apresentada no final de março , a nova regra fiscal passou nas últimas semanas por ajustes no texto final, em conversas entre Haddad e outros ministros.
Chance de aprovação
O governo vê de forma bastante otimista a possibilidade do arcabouço fiscal ser aprovado no Congresso. Em entrevista sobre o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2024 nesta segunda -feira (17), a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, disse que o governo precisa da aprovação do texto “para ontem”.
“Eu acho que nós vamos até nos surpreender com o quórum de aprovação”, disse. “Eu tenho clareza que o Congresso Nacional sabe da responsabilidade que tem e da importância da celeridade do arcabouço fiscal”, completou.
O próprio presidente da Câmara afirmou no domingo (16) que o novo arcabouço fiscal não deve enfrentar resistência no Congresso. “Pelos moldes que foi desenhado, não achamos nestes assuntos que foram tratados nenhuma dificuldade”, disse Lira.
O governo depende da aprovação do arcabouço fiscal para viabilizar programas sociais prometidos em campanha eleitoral. Segundo Tebet, se o texto não passar, dificilmente o Orçamento será suficiente a partir da regra do teto de gastos.
Além disso, a aprovação do arcabouço é uma das formas que o governo tem de sinalizar seus objetivos econômicos para o Banco Central (BC), permitindo uma redução na taxa básica de juros da economia brasileira. Atualmente em 13,75% ao ano, a Selic é uma das grandes críticas de Lula, e vem gerando atritos entre ele e o presidente do BC , Roberto Campos Neto.
O presidente Lula sancionou, sem vetos, o projeto de lei que permite a participantes e assistidos de plano de previdência complementar optar pelo regime de tributação na ocasião da obtenção do benefício ou do resgate dos valores acumulados. De autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), a matéria foi relatada pelo senador Jayme Campos (União-MT) na Comissão de Assuntos Sociais.
Agora, pela lei 14803/2024 os beneficiários dos planos passam a ter melhores condições de optar em relação à escolha pelo regime progressivo ou regressivo de tributação de sua renda previdenciária. A legislação de 2004 determinava que o prazo para opção era até o mês seguinte ao ingresso do usuário no plano.
“Trata-se de uma importante, aperfeiçoa e melhora a legislação no momento em que abrange milhões de brasileiros, sobretudo nessa questão fundamental, que é o momento de estruturar sua previdência social” – frisou Jayme Campos.
Jayme Campos lembrou que decidir o regime de tributação a ser aplicado em um plano de previdência específico, exigia que o cidadão analisasse uma série de “sofisticadas variáveis técnicas”, e contemplar diversos condicionantes de ordem pessoal, vinculados a seu perfil, sua situação familiar e orçamentária e seus objetivos de curto e longo prazo. Por isso, enalteceu a decisão do Senado e a sensibilidade do Governo.
Ele ressaltou ainda que era latente o prejuízo que a regra então vigente causava pela inflexibilidade quanto à escolha do regime de tributação. Jayme citou o exemplo dos que, em face de uma situação emergencial, se via compelido a resgatar o montante dos recursos acumulados em seu plano de previdência, com o ônus de ter que pagar muito mais imposto do que pagaria se lhe fosse permitido optar, na ocasião, pelo regime de tributação.
“Agora, felizmente, isso mudou” – disse, ao cumprimentar o senador Paulo Paim pela iniciativa.
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