AGRONEGÓCIO

Sobretaxa de 50% dos EUA impõe revés histórico às exportações do agro brasileiro

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O anúncio oficial da Casa Branca, determinando a aplicação de uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros, caiu como uma bomba entre produtores e exportadores brasileiros. A sobretaxa, comunicada oficialmente ao governo brasileiro nesta quarta-feira (09.07), representa uma catástrofe econômica para o setor exportador por afetar diretamente um dos pilares da economia nacional: o agronegócio, que responde por quase metade das exportações totais do país.

Somente em 2024, as vendas externas do agro brasileiro somaram cerca de R$ 900 bilhões, dos quais mais de R$ 224 bilhões foram destinados aos Estados Unidos, segundo dados oficiais do governo. Com a nova tarifa, produtos como carne bovina, soja, café e suco de laranja perdem competitividade frente a concorrentes de países como Argentina, Uruguai e Vietnã — pesar de que alguns deles também enfrentam restrições, mas com alíquotas menores.

A carne bovina deve ser um dos segmentos mais prejudicados, especialmente porque os Estados Unidos vinham se consolidando como segundo principal destino da proteína brasileira, atrás apenas da China. Em junho, foram exportadas mais de 18 mil toneladas para o mercado norte-americano. O café arábica, por sua vez, também corre risco: o Brasil detém cerca de 30% do mercado dos EUA, que consome 24 milhões de sacas por ano.

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A sobretaxa é vista por analistas como uma retaliação explícita aos Brics (que se reuniu aqui na semana passada – leia aqui), além de articulações de políticos brasileiros contrários aos interesses nacionais. O resultado é uma barreira tarifária que, na prática, pode tirar o Brasil de um dos seus mercados mais estratégicos.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA), a medida representa um retrocesso para as relações comerciais entre os dois países e impõe perdas diretas ao produtor rural. “Essa sobretaxa não só onera artificialmente nossos produtos, como enfraquece anos de esforços feitos para abrir e consolidar mercados internacionais. O impacto será percebido em toda a cadeia, do campo ao porto”.

Segundo ele, a tarifa compromete a previsibilidade de negócios e trava decisões de investimento no setor. “O produtor precisa de estabilidade para planejar sua safra, contratar financiamento, adquirir insumos e contratar mão de obra. Uma decisão como essa abala a confiança, principalmente no momento em que o Brasil vinha recuperando espaço no mercado americano”.

Rezende defende uma resposta coordenada entre o setor privado e o governo brasileiro. “É hora de diplomacia ativa e estratégia comercial. Precisamos correr atrás do prejuízo: diversificar destinos, ampliar acordos bilaterais e, internamente, avançar em logística e tecnologia para compensar perdas de margens. O agro brasileiro é competitivo, mas precisa de ambiente estável para continuar crescendo”.

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“Estamos diante de uma nova realidade no comércio global, mais protecionista e menos previsível. Os Estados Unidos estão fechando mercado, na contramão do que sempre foram suas relações comerciais, de incentivo à globalização e ao livre comércio. Precisamos estar preparados para isso, com inteligência de mercado, cooperação institucional e foco na sustentabilidade como diferencial competitivo”, conclui Rezende.

Ainda não se sabe se haverá espaço para reversão da medida por vias diplomáticas ou comerciais – nem como seria a reciprocidade já anunciada pelo governo brasileiro. No entanto, para o setor agropecuário, o prejuízo já está contratado: perda de mercado, retração de contratos futuros, pressão sobre os preços internos e aumento da insegurança para novos investimentos. A curto prazo, a busca por novos destinos e acordos bilaterais torna-se uma prioridade estratégica — mas os efeitos da sobretaxa já começam a se espalhar pelos corredores de decisão do campo brasileiro.

Fonte: Pensar Agro

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Soja redesenha a produção no Centro-Oeste e Norte do País

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Um mapeamento inédito realizado por imagens de satélite e sensoriamento remoto pela Serasa Experian, revela que os estados de Mato Grosso e Rondônia incorporaram, juntos, 294 mil hectares ao cultivo da oleaginosa na safra 2025/26. O crescimento consolida a soberania mato-grossense no setor e joga luz sobre a rápida transformação de Rondônia, que desponta como uma das fronteiras agrícolas mais dinâmicas da Região Norte.

Desejo antigo de expansão do setor, o apetite por terra na região não ficou restrito ao grão principal. O levantamento territorial identificou que a área destinada ao milho primeira safra registrou um salto expressivo de 13% no consolidado dos dois estados, mostrando que a rotação de culturas segue ganhando tração.

O peso da escala em Mato Grosso

Com o novo aporte de terra na safra atual — responsável por 268 mil hectares do total expandido —, Mato Grosso rompeu a barreira dos 12,4 milhão de hectares cultivados com soja. O número confere ao estado o controle de aproximadamente 25% de toda a produção nacional do grão.

Diferente de outras regiões do País, o modelo mato-grossense é fortemente ancorado na economia de escala: as grandes propriedades rurais concentram 60% de toda a área de plantio, enquanto os pequenos produtores respondem por uma fatia de 18%.

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Geograficamente, o crescimento foi puxado por polos consolidados e novas franjas de produção. O município de Paranatinga liderou a abertura de frentes agrícolas, com um incremento de 21,9 mil hectares, seguido por Novo São Joaquim (+12,5 mil) e Nova Mutum (+12,4 mil). Na outra ponta, o monitoramento por satélite captou um movimento de acomodação de área em cerca de 20 municípios, com retrações superiores a mil hectares. O caso mais emblemático foi o de Alta Floresta, onde o cultivo encolheu 6% em comparação ao ciclo anterior.

Rondônia: a força da pequena propriedade

Se o modelo de Mato Grosso impressiona pelos volumes absolutos, Rondônia chama a atenção dos analistas pela velocidade da sua transição no campo. O estado adicionou 26 mil hectares na safra 2025/26, atingindo uma área total de 730 mil hectares de soja. O dado mais robusto, no entanto, está no acumulado: nos últimos seis ciclos agrícolas, a arrancada rondoniense na área plantada foi de impressionantes 84,4%.

A grande diferença em relação ao vizinho do Centro-Oeste está no perfil de quem planta. Em Rondônia, a soja avança pelas mãos da agricultura familiar e de médio porte. As pequenas propriedades rurais são as grandes protagonistas da cultura no estado, liderando com 44% da área cultivada, superando as grandes fazendas, que detêm 38%. Os municípios de Alto Paraíso (+4,9 mil hectares) e a capital Porto Velho (+4,2 mil) foram os motores desse salto na Região Norte.

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O passaporte ambiental da lavoura

O estudo também cruzou a malha de satélites com os dados regulatórios de regularização fundiária, revelando que a expansão da soja na Amazônia e no Cerrado ocorre sob forte monitoramento. O índice de conformidade ambiental é elevado: em Mato Grosso, 97% de toda a área plantada com o grão já possui registro no Cadastro Ambiental Rural (CAR). Em Rondônia, o índice atinge 93% da área total.

Especialistas em inteligência de mercado apontam que esse nível de rastreabilidade tornou-se o padrão de segurança do setor. Em um mercado global cada vez mais restritivo a produtos de áreas de desmatamento, comprovar por meio de coordenadas geográficas e imagens de alta resolução que o crescimento de quase 300 mil hectares ocorre sobre áreas consolidadas e legalizadas funciona como um salvo-conduto. É a garantia de que a soja do Centro-Oeste e do Norte mantém suas portas abertas tanto para o mercado interno quanto para as exigentes gôndolas internacionais.

Fonte: Pensar Agro

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