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Mães compartilham desafios e conquistas em evento no MPMT

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O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), por meio Núcleo de Qualidade de Vida no Trabalho – Vida Plena, realizou nesta quarta-feira (21) o encontro “Depois da Maternidade, o Sonho Continua”, no auditório da Procuradoria-Geral de Justiça, em Cuiabá. O evento reuniu membros, servidores e convidados em uma tarde de diálogos, acolhimento e troca de experiências sobre maternidade, com ênfase na maternidade atípica.Na abertura, o procurador-geral de Justiça, Rodrigo Fonseca Costa, ressaltou a relevância do tema e emocionou o público ao refletir sobre o papel materno. “A maternidade é uma coisa muito interessante, porque a mãe jamais vai se desconectar do seu filho. E isso comove a todos. É uma satisfação estarmos aqui neste momento tão significativo, reconhecendo a força das mulheres que conciliam a maternidade com tantas responsabilidades”, afirmou.Representando a Associação Mato-grossense do Ministério Público, a vice-presidente Josane Fátima de Carvalho Guariente enfatizou o reconhecimento às mulheres da instituição. “Hoje queremos dizer que vocês não estão sozinhas. Antes do cargo, existe a mulher; antes da função, existe o coração. Vocês fazem diferença, inspiram e transformam vidas todos os dias”, declarou.A promotora de Justiça Gileade Maia, coordenadora do Vida Plena, destacou o propósito do encontro. “O que queremos construir é um espaço de acolhimento e reflexão. A maternidade não encerra os sonhos, ela os transforma, os reposiciona e muitas vezes os amplia”, afirmou.A primeira mesa trouxe o olhar técnico e humano sobre a maternidade atípica. A psicóloga Janaine Silvestre compartilhou resultados de pesquisas e experiências com mães de crianças com deficiência. “Quando a mãe recebe um diagnóstico, ela entra quase em um processo de luto, para ressignificar o sonho. Mas também é nesse processo que surgem a força, a resiliência e a capacidade de reconstrução”, explicou. Ela reforçou ainda a importância do apoio social: “As mães não querem pena, querem respeito e reconhecimento das potencialidades dos seus filhos”.O promotor de Justiça Raphael Henrique de Sena Oliveira trouxe um relato pessoal sobre sua trajetória e a influência da mãe em sua vida. “Minha mãe foi uma guerreira, mãe solo, de poucos recursos, mas de muito amor. Foi o suporte que me levou a chegar onde estou hoje. As mães atípicas não querem pena, elas querem apoio, respeito e uma rede que as sustente”, disse.Na segunda parte do evento, em formato de talk show mediado pela promotora Sasenazy Daufenbach, o público acompanhou relatos de vida e reflexão sobre carreira, identidade e propósito após a maternidade. “Antes da maternidade atípica eu tinha alguns propósitos, e eles foram transformados. Quando você assume o leme da sua vida, você precisa reconstruir o caminho”, afirmou.A promotora de Justiça Daniele Crema da Rocha de Souza destacou a importância do olhar institucional para a realidade dessas mães. “A mãe que bate na porta da promotoria já enfrentou muitas negativas. Precisamos tratar essas famílias com humanidade, dignidade e respeito, porque conhecemos o impacto dessas dificuldades na vida real”, pontuou.A servidora Fernanda Fraga de Melo ressaltou o papel do apoio recebido para conciliar maternidade e carreira. “Eu sou uma mãe atípica realizada tanto na maternidade quanto profissionalmente. O que fez diferença foi a rede de apoio, que me fortaleceu e me permitiu continuar”, afirmou.A servidora Marilda Aliendre trouxe uma perspectiva marcada pela leveza. “Eu sempre procurei enxergar esse trabalho como um investimento na vida do meu filho, não como um peso. Isso transforma a forma como a gente vive a maternidade”, disse.Já a promotora de Justiça Maria Fernanda Corrêa evidenciou a força da fé e da resiliência no cotidiano. “Minha força vem do Senhor. Todos os dias são desafiadores, mas também são motivos de gratidão. A realidade pode ser muito melhor do que os sonhos que a gente imaginou”, declarou.A procuradora de Justiça Elisamara Sigles Vodonós Portela chamou a atenção para a necessidade de sensibilidade e atenção dos membros do Ministério Público diante das demandas envolvendo maternidade atípica, especialmente nos processos judiciais. Ao relatar um caso analisado recentemente em sessão no Tribunal de Justiça, ela destacou a realidade de uma mãe idosa que busca apoio do poder público para cuidar da filha.“Era uma mãe de 70 anos que cuida sozinha de uma filha não verbal e que necessita de fraldas. Ela pediu apenas uma cuidadora, porque já não tem mais condições físicas de dar banho e oferecer os cuidados básicos”, explicou.A procuradora ressaltou que a reflexão vai além das mães e deve alcançar todos os integrantes da instituição: “Esse recado não é só para as mães, mas para todos os promotores e procuradores que atuam em qualquer processo. É fundamental que tenhamos sensibilidade ao analisar essas situações”.Encerrando a programação, a promotora de Justiça Sasenazy Daufenbach destacou, de forma sensível e reflexiva, os sentimentos que marcaram o encontro, recorrendo a metáforas inspiradas em músicas que dialogam com a vivência da maternidade. “Ficavam na minha cabeça duas músicas: Epitáfio e Trem Bala. Elas falam do tempo que passa rápido e daquilo que deixamos de fazer, e isso me fez refletir sobre essa trajetória”, afirmou.Para a promotora, a maternidade atípica exige reinvenção constante: “Ser mãe atípica é recalcular a rota da vida todos os dias, do plano A ao Z”. Ela ressaltou que o processo envolve despedidas e recomeços. “É uma despedida da maternidade idealizada para dar lugar à real, e chorar faz parte disso, mas também ensina a amar a realidade intensa e única”, concluiu.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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Travessia Pantaneira inicia escuta social na comunidade do Chumbo

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“A gente queria uma resposta para ontem, porque já tem seis meses que estamos nessa demanda.” A cobrança do chefe distrital Odilei Souza Ponce pela reforma da escola da comunidade marcou o primeiro dia da segunda etapa da Travessia Pantaneira, realizada nesta terça-feira (15), no Distrito de Nossa Senhora Aparecida do Chumbo, em Poconé (a 100 km de Cuiabá). Durante a escuta social promovida pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), o líder comunitário apontou como principais necessidades das 253 famílias da localidade a melhoria da educação e o acesso à água potável de qualidade.A visita integra a programação da segunda etapa da Travessia Pantaneira, iniciativa desenvolvida pelo MPMT em parceria com a Rede de Comunidades Tradicionais Pantaneira, A Casa do Centro e a Associação dos Guardiões e Guardiãs do Pantanal de MT e MS (Aguapan). A proposta é ouvir diretamente moradores e lideranças locais sobre os principais desafios sociais e ambientais enfrentados pelas comunidades pantaneiras, fortalecendo a atuação institucional a partir de uma escuta social ativa e qualificada.Entre os dias 15 e 18 de julho, serão realizadas audiências públicas e visitas às comunidades do Chumbo, ao Pesqueiro do Beijão e ao Porto Jofre, além de agendas técnicas e institucionais em diferentes pontos do Pantanal. No primeiro dia da travessia, os moradores do Chumbo relataram dificuldades relacionadas à educação, abastecimento de água, saneamento básico, comunicação e infraestrutura.Ao apresentar as reivindicações da comunidade, Odilei Ponce destacou a demora no início das obras de reforma da escola local. Segundo ele, a demanda já foi levada à Prefeitura de Poconé e ao Governo do Estado, mas ainda não houve uma solução efetiva. O chefe distrital também relatou a preocupação dos moradores com a qualidade da água consumida pela população e com a ausência de caixas d’água para dezenas de famílias da região.Outra demanda apresentada durante a escuta foi a falta de sinal de telefonia móvel. Moradora da comunidade, Marilene de Oliveira Campos ressaltou que a limitação compromete o acesso a serviços essenciais. “O único meio de comunicação que temos é o wi-fi, através da internet privada, para quem tem condições de pagar, e ainda assim é um sinal de péssima qualidade”, relatou.Ela explicou que, em situações de emergência, os moradores precisam recorrer a familiares na cidade para acionar serviços como o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar. Marilene Campos defendeu a instalação de uma torre de telefonia móvel na região, o que também beneficiaria comunidades vizinhas.A professora e integrante da Associação das Comunidades Negras Quilombolas do Chumbo, Juziane Luisa de Lima Silva, destacou a necessidade de fortalecer a educação e garantir a valorização da identidade quilombola. “Se hoje eu tenho lugar de fala, é graças à minha ancestralidade e àqueles que me antecederam. Eu nunca falo apenas por mim, mas a partir da história dos que vieram antes de nós e lutaram para que hoje tivéssemos condições melhores de vida”, afirmou.Durante sua participação, a professora defendeu que a educação seja tratada como prioridade nas políticas públicas e observou que os indicadores educacionais refletem a falta de investimentos históricos no setor. Ela também chamou atenção para a importância de preservar a identidade quilombola e ampliar o reconhecimento das especificidades dessas comunidades. A procuradora de Justiça Ana Luiza Ávila Peterlini de Souza reforçou que a proposta da Travessia Pantaneira é aproximar o Ministério Público da realidade vivenciada pelas comunidades tradicionais do Pantanal e dar encaminhamento efetivo às demandas apresentadas. “Nós pudemos ouvir as demandas da comunidade e as suas dificuldades. Vamos catalogar todas essas informações para, na sequência, encaminhá-las aos promotores de Justiça responsáveis, que poderão adotar as providências necessárias”, destacou.Segundo a procuradora, a escuta realizada no Chumbo evidenciou necessidades urgentes relacionadas à infraestrutura escolar, à qualidade da água e ao fortalecimento da agricultura familiar. Ela citou a importância da reforma da única escola que atende a comunidade, as preocupações envolvendo possível contaminação da água e a necessidade de ampliar o apoio às famílias que vivem da produção rural. “Também identificamos a necessidade de criar condições para que as pessoas permaneçam no campo, sem que seus filhos precisem deixar a comunidade em busca de oportunidades nas cidades”, apontou.Conforme o promotor de Justiça Mario Anthero Silveira de Souza Bueno Schober, titular da 1ª Promotoria de Justiça de Poconé, o município ocupa uma posição estratégica por ser uma das principais portas de entrada do Pantanal mato-grossense e, por isso, concentra desafios socioambientais que exigem atenção permanente dos órgãos públicos.Ao comentar as reivindicações apresentadas durante a escuta, o promotor informou que o Ministério Público já instaurou procedimento para apurar a situação da água proveniente dos poços tubulares que abastecem a comunidade e acompanhará o andamento da reforma da unidade escolar. Segundo ele, a instituição também fiscalizará o cumprimento dos prazos anunciados pelo poder público para a execução das melhorias.“A comunidade quilombola do Chumbo terá sua identidade resguardada, assim como os direitos das crianças, adolescentes e de todos os moradores, para que possam viver com dignidade, exercer atividades como o extrativismo e a agricultura e contar com água de qualidade e melhores condições de ensino e aprendizagem”, afirmou.Presente na visita, a vice-prefeita de Poconé, Camila Silva, ressaltou a importância da aproximação institucional promovida pela Travessia Pantaneira. “Nós queremos parabenizar o Ministério Público, que através da Travessia Pantaneira está indo in loco às comunidades para ouvir as demandas e ver de que forma pode nos ajudar”, afirmou. Sobre a reforma da escola, ela explicou que o município enfrenta entraves burocráticos para a execução da obra, mas informou que já existem recursos destinados tanto à reforma da unidade atual quanto à construção de uma nova escola no distrito.Também participam da comitiva os promotores de Justiça Henrique Schneider Neto, Joelson de Campos Maciel, Liane Amelia Chaves Mansano, Adalberto Ferreira de Souza Junior e Claudio Angelo Correa Gonzaga.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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