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Estoques brasileiros de fertilizantes devem atingir 10,3 milhões de toneladas

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Os estoques brasileiros de fertilizantes devem atingir 10,3 milhões de toneladas até o final do ano, superando o volume de 8,4 milhões de toneladas do ano anterior. Apesar de serem números recordes, esse volume de estoque não é considerado alarmante para o setor de insumos.

O aumento no estoque segue uma tendência de alta nas entregas de fertilizantes, principalmente de potássio, que se manteve firme ao longo de 2023, impulsionado pelo cultivo de soja e milho. A demanda por nitrogênio, por outro lado, experimentou um aumento nos preços, com a ureia, seu principal derivativo, registrando aumentos semanais significativos que influenciaram as decisões de compra dos produtores.

Espera-se que a procura por fertilizantes à base de nitrogênio ganhe força no começo de 2024, à medida que os agricultores postergam acordos em antecipação à safra de inverno do milho, com a expectativa de uma redução na relação de troca.

Projeções indicam que as entregas de fertilizantes aos agricultores podem totalizar 44,3 milhões de toneladas em 2023. As estimativas de mercado para as entregas totais variaram entre 41 e 45 milhões de toneladas durante o ano.

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Observou-se um tom mais pessimista no primeiro semestre, atribuído a um recorde nos estoques do ano anterior e ao comportamento dos agricultores, que optaram por adiar as compras visando a safra de soja 2023/24.

O acúmulo de estoques, que será contabilizado até domingo, dia 31 de dezembro, reflete uma estratégia de gestão de recursos e planejamento de safras, representando um indicativo de que o setor está se adaptando a um mercado cada vez mais dinâmico.

Fonte: Pensar Agro

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Brasil confirma dumping no leite importado, mas tarifa não sai do papel

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O governo brasileiro confirmou que empresas da Argentina e do Uruguai venderam leite em pó ao País em condições desleais, mas manteve suspensas as tarifas criadas para proteger o produtor nacional. A decisão mantém o produto estrangeiro entrando sem a cobrança adicional enquanto são avaliados os efeitos da medida sobre a indústria e os consumidores.

A investigação do Departamento de Defesa Comercial (Decom), ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), encontrou dumping e prejuízo à produção brasileira. A prática ocorre quando uma empresa exporta um produto por valor artificialmente baixo, prejudicando os concorrentes no mercado comprador.

Em junho, o Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex) aprovou tarifas diferentes para cada exportador, com vigência prevista até 8 de junho de 2031. Dependendo da empresa, a cobrança poderia superar 100% do preço médio do leite em pó importado.

A própria resolução, porém, suspendeu imediatamente a aplicação das tarifas por razões de interesse público. Com isso, o dumping foi reconhecido, mas o leite argentino e uruguaio continua entrando no Brasil sem a medida de defesa comercial.

No fim de julho, o governo abriu uma avaliação para calcular os possíveis efeitos da cobrança sobre produção, distribuição, comércio e consumo. Não há prazo definido para que o Gecex tome uma decisão final.

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A suspensão provocou reação da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e de entidades da cadeia leiteira. O setor argumenta que o produto importado reduz o preço pago ao pecuarista e atinge principalmente pequenas e médias propriedades, com menor capacidade para suportar períodos prolongados de baixa remuneração.

“Não adianta reconhecer que há mais de 60% de dumping nesse leite em pó que entra no Brasil e não aplicar as tarifas”, afirmou o presidente da FPA, Pedro Lupion. Segundo ele, a concorrência está retirando produtores da atividade e afetando a economia de pequenos municípios.

A pressão das importações aumentou neste ano. Dados apresentados pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) mostram que o País importou o equivalente a 1,02 bilhão de litros de leite em produtos lácteos entre janeiro e maio, recorde para o período e crescimento de 10,5% em relação a 2025.

O leite em pó respondeu pelo equivalente a 754 milhões de litros. Argentina e Uruguai forneceram 653 milhões, ou 86% desse volume. Como o produto é reidratado e utilizado por indústrias de alimentos, sua entrada influencia a demanda pelo leite cru produzido no Brasil.

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A CNA sustenta que a tarifa não provocaria aumento relevante no custo da alimentação porque atingiria apenas o leite em pó não fracionado, vendido em embalagens superiores a 800 gramas e utilizado principalmente como insumo industrial. Leite em pó embalado para o consumidor, leite longa vida e queijos não estão incluídos na medida.

O processo foi aberto em dezembro de 2024, após pedido da CNA. A investigação concluiu que houve dumping, dano à cadeia produtiva brasileira e relação entre as importações e o prejuízo interno.

Agora, a disputa está concentrada na aplicação das tarifas. Para o produtor, o reconhecimento da prática tem pouco efeito enquanto a cobrança permanecer suspensa. A proteção somente chegará ao mercado se o Gecex concluir que o benefício para a pecuária leiteira supera eventuais impactos sobre a indústria e os preços ao consumidor.

Fonte: Pensar Agro

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