AGRONEGÓCIO

Agro criou 41,8 mil empregos em 2025 e teve maior expansão proporcional entre os setores

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A agropecuária brasileira encerrou 2025 com 41.870 postos formais de trabalho criados, segundo dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Previdência. O saldo corresponde à diferença entre admissões e desligamentos ao longo do ano e foi o único, entre os grandes setores da economia, a apresentar crescimento na comparação com 2024.

No ano anterior, o setor havia gerado 11.348 vagas. O resultado mais recente representa expansão de 269% e, de acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), está diretamente ligado ao desempenho produtivo do campo. Em nota técnica, a entidade atribuiu o resultado sobretudo aos efeitos da safra recorde de 2025, especialmente no primeiro semestre.

O desempenho ocorre em um cenário de expansão do emprego formal no País. Em 2025, o Brasil registrou 26,5 milhões de admissões e 25,3 milhões de desligamentos, com saldo positivo de cerca de 1,2 milhão de vagas. Dentro desse quadro, o agronegócio respondeu por parcela menor do total, mas apresentou uma das maiores acelerações relativas.

Entre as atividades rurais, o maior número de contratações ocorreu no cultivo de laranja, com 11.832 vagas líquidas, seguido pelo cultivo de soja (5.590), serviços de preparação de terreno, cultivo e colheita (4.920), atividades de apoio à agricultura (3.045) e produção de ovos (2.715).

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Por outro lado, segmentos mais ligados à silvicultura e a culturas permanentes tiveram retração. O cultivo de dendê fechou 3.981 vagas no período, enquanto atividades de apoio à produção florestal (-1.101), extração de madeira em floresta plantada (-790), cultivo de pinus (-655) e cana-de-açúcar (-623) também registraram saldo negativo.

Regionalmente, o Sudeste concentrou a maior geração de empregos, com 23,6 mil vagas, seguido pelo Centro-Oeste (9,6 mil), Nordeste (5,8 mil) e Sul (4,5 mil). Apenas o Norte apresentou resultado negativo, com fechamento de 1,9 mil postos.

O rendimento médio das contratações na agropecuária foi de R$ 2.127,56 em 2025, alta de 1,85% em relação a 2024, mas ainda abaixo da média nacional geral, de R$ 2.294,62.

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), o resultado reflete a própria transformação do setor. “A geração de emprego no campo deixou de depender apenas da expansão de área. Hoje ela está muito ligada à intensidade tecnológica e à profissionalização das operações agrícolas”, afirmou.

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Segundo ele, o avanço das cadeias produtivas ampliou a demanda por mão de obra qualificada. “Cada safra maior exige mais logística, mais armazenagem, mais assistência técnica, manutenção de máquinas e gestão. O emprego não cresce só dentro da porteira, cresce principalmente ao redor da produção”, disse.

Rezende também avalia que o comportamento do emprego rural tende a acompanhar o ciclo produtivo. “Quando há safra cheia, a renda circula nas regiões produtoras e isso rapidamente aparece nas contratações formais. O contrário também acontece: queda de produtividade ou preços mais baixos desaceleram o mercado de trabalho no interior antes de aparecer nos indicadores urbanos”.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Crédito privado do agro supera R$ 1,34 trilhão e CPR lidera financiamento

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O estoque dos principais instrumentos privados de financiamento do agronegócio superou R$ 1,34 trilhão em julho, primeiro mês da safra 2026/27. O resultado mostra o aumento da participação do mercado de capitais no custeio da produção, na comercialização antecipada da safra e no financiamento de empresas ligadas às cadeias agroindustriais.

Os dados foram divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e abrangem as Cédulas de Produto Rural (CPR), as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA).

A CPR manteve a liderança entre os instrumentos analisados, com estoque de R$ 580,78 bilhões. O volume estava distribuído em 372 mil títulos, com valor médio de R$ 1,56 milhão por cédula.

Somente em julho foram emitidos R$ 37,53 bilhões em novas CPR. Esse é o dado que melhor indica o ingresso de operações no primeiro mês da nova temporada. O estoque total também inclui títulos emitidos anteriormente que ainda não foram liquidados.

A CPR permite ao produtor ou à cooperativa antecipar recursos para financiar a atividade. Na modalidade física, o compromisso pode ser liquidado com a entrega futura do produto agropecuário. Na CPR financeira, a quitação ocorre em dinheiro. O instrumento também é usado como garantia em operações para a compra de sementes, fertilizantes, defensivos e outros insumos.

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O avanço das CPR amplia as alternativas ao crédito rural bancário, especialmente em períodos de juros elevados ou de maior restrição nas linhas oficiais. Ao mesmo tempo, exige atenção às condições estabelecidas no contrato, como taxa de juros, forma de liquidação, garantias, vencimento e consequências em caso de frustração da safra.

As Letras de Crédito do Agronegócio apresentaram o segundo maior estoque, com R$ 560,37 bilhões. As LCA são emitidas por instituições financeiras para captar dinheiro de investidores e financiar operações relacionadas ao setor.

Pelas regras atuais do Manual de Crédito Rural, pelo menos 60% do estoque das LCA deve ser reaplicado no financiamento da atividade agropecuária. Isso representa aproximadamente R$ 336,22 bilhões.

Dentro desse volume, ao menos 45% devem ser destinados ao crédito rural oficial, o equivalente a R$ 151,30 bilhões. Os valores incluem tanto operações da safra 2026/27 quanto contratos de temporadas anteriores que continuam em aberto.

Isso significa que o estoque divulgado não corresponde integralmente a recursos novos disponíveis para contratação imediata. Parte representa financiamentos já concedidos e títulos que ainda não chegaram ao vencimento.

Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio somaram R$ 174,20 bilhões em julho. O CRA permite transformar créditos originados em negócios do setor em títulos negociados com investidores, aproximando empresas e cadeias produtivas do mercado de capitais.

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Já os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio alcançaram estoque de R$ 30,21 bilhões. O CDCA é emitido por cooperativas e empresas que atuam na comercialização, no beneficiamento ou na industrialização de produtos agropecuários e tem como lastro direitos de crédito ligados ao setor.

Fora da soma de R$ 1,34 trilhão, os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro) também avançaram como fonte privada de recursos. Os dados mais recentes, referentes a junho, mostram patrimônio líquido de R$ 64,13 bilhões distribuído entre 285 fundos.

Os Fiagro podem investir em imóveis rurais, participações em empresas, direitos creditórios e outros ativos ligados ao agronegócio. Para o setor produtivo, funcionam como uma ponte entre investidores e projetos de produção, armazenagem, logística, agroindústria e aquisição de ativos.

O crescimento desses instrumentos reforça a diversificação do financiamento rural, historicamente concentrado nos bancos e nos recursos do Plano Safra. Para o produtor, porém, maior oferta de alternativas não elimina a necessidade de comparar custos, garantias e riscos. O volume disponível no mercado é elevado, mas o acesso e as condições de pagamento variam conforme a atividade, o porte da operação e a capacidade financeira de cada tomador.

Fonte: Pensar Agro

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