“Estamos pagando 10% de juros reais no Brasil”, disse, em referência ao IPCA acumulado nos últimos 12 meses até junho, que é de 3,16%.
“Isso precisa ser endereçado em algum momento. Não é possível, o país não suporta mais”, continuou.
O ministro afirmou ainda que o governo federal, o Congresso Nacional e a Justiça brasileira estão empenhados em destravar as pautas econômicas para retomar o crescimento de forma “sem precedente na história do Brasil.”
“O Congresso e o Judiciário trabalharam muito para arrumar uma casa que foi totalmente bagunçada em 2022. Desde que eu acompanho economia, não lembro de um semestre tão produtivo dos dois poderes. Então, se espera um retorno desse esforço que foi feito, que haja uma reação compatível da autoridade monetária”.
O ministro também disse que segue em busca de meios para aprovar a reforma do Imposto de Renda e do consumo sem onerar a população.
“As reformas tributárias sobre o consumo e sobre a renda não podem ter como objetivo o ajuste fiscal”, disse Haddad ao ser questionado sobre o impacto das mudanças sobre as contas públicas. “O ajuste fiscal está sendo feito com base na eliminação dos penduricalhos do sistema tributário que afetam o sistema como um todo.”
O governo federal, no arcabouço fiscal, define como meta orçamentária zerar o déficit público já em 2024, com isso, o Ministério d Fazenda busca alternativas de aumento na arrecadação.
O presidente Lula sancionou, sem vetos, o projeto de lei que permite a participantes e assistidos de plano de previdência complementar optar pelo regime de tributação na ocasião da obtenção do benefício ou do resgate dos valores acumulados. De autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), a matéria foi relatada pelo senador Jayme Campos (União-MT) na Comissão de Assuntos Sociais.
Agora, pela lei 14803/2024 os beneficiários dos planos passam a ter melhores condições de optar em relação à escolha pelo regime progressivo ou regressivo de tributação de sua renda previdenciária. A legislação de 2004 determinava que o prazo para opção era até o mês seguinte ao ingresso do usuário no plano.
“Trata-se de uma importante, aperfeiçoa e melhora a legislação no momento em que abrange milhões de brasileiros, sobretudo nessa questão fundamental, que é o momento de estruturar sua previdência social” – frisou Jayme Campos.
Jayme Campos lembrou que decidir o regime de tributação a ser aplicado em um plano de previdência específico, exigia que o cidadão analisasse uma série de “sofisticadas variáveis técnicas”, e contemplar diversos condicionantes de ordem pessoal, vinculados a seu perfil, sua situação familiar e orçamentária e seus objetivos de curto e longo prazo. Por isso, enalteceu a decisão do Senado e a sensibilidade do Governo.
Ele ressaltou ainda que era latente o prejuízo que a regra então vigente causava pela inflexibilidade quanto à escolha do regime de tributação. Jayme citou o exemplo dos que, em face de uma situação emergencial, se via compelido a resgatar o montante dos recursos acumulados em seu plano de previdência, com o ônus de ter que pagar muito mais imposto do que pagaria se lhe fosse permitido optar, na ocasião, pelo regime de tributação.
“Agora, felizmente, isso mudou” – disse, ao cumprimentar o senador Paulo Paim pela iniciativa.
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