Lucio Bernardo Junior / Câmara dos Deputados – 10.8.2016
José Guimarães
O governo federal vai enviar ao Congresso Nacional o novo arcabouço fiscal nesta terça-feira (18), segundo o líder do governo a Câmara dos Deputados , José Guimarães. O texto, se aprovado, irá substituir o teto de gastos.
A previsão era entregar ainda nesta segunda, mas foi adiado pelo encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov.
“Evidentemente que como a LDO foi entregue na 6ª feira [14.abr], ainda o presidente Lula e o ministro [Fernando] Haddad em agenda no exterior e havia uma orientação para entregar hoje [o novo arcabouço]. A comitiva chegou pela madrugada e ainda tem hoje a agenda com o primeiro-ministro da Rússia e, portanto, não tem problema nenhum deixar o arcabouço, o texto principal, ser entregue amanhã. Essa é a ideia”, disse Guimarães à GloboNews.
Ainda de acordo com ele, como o presidente da Câmara, Arthur Lira, não está em Brasília, seria melhor esperá-lo.
Lira promete que o texto não deve enfrentar resistência na Câmara. Ele disse ainda que pretende dar rapidez à votação .
O “novo arcabouço fiscal” propõe, através meta de superávit e controle de gastos, zerar o déficit público primário da União no próximo ano e ter superávit primário de 1% do PIB em 2026. O superávit primário é o resultado positivo de todas as receitas e despesas do governo, excluindo gastos com pagamento de juros.
Como anunciou Haddad, os gastos da União se limitarão a 70% do crescimento da receita. Com isso, o Orçamento volta a ter aumento real, ou seja, acima da inflação. No entanto, caso a arrecadação não seja suficiente para atingir a meta de superávit, esse percentual cai para 50% no ano seguinte e 30% no posterior.
Por exemplo, se a projeção for de alta de 5% acima da inflação na arrecadação no ano seguinte, as despesas poderão crescer até 3,5%. Agora, se esses 5% não forem suficientes para atingir o superávit primário, as despesas subirão apenas 2,5% ou 1,5%.
O presidente Lula sancionou, sem vetos, o projeto de lei que permite a participantes e assistidos de plano de previdência complementar optar pelo regime de tributação na ocasião da obtenção do benefício ou do resgate dos valores acumulados. De autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), a matéria foi relatada pelo senador Jayme Campos (União-MT) na Comissão de Assuntos Sociais.
Agora, pela lei 14803/2024 os beneficiários dos planos passam a ter melhores condições de optar em relação à escolha pelo regime progressivo ou regressivo de tributação de sua renda previdenciária. A legislação de 2004 determinava que o prazo para opção era até o mês seguinte ao ingresso do usuário no plano.
“Trata-se de uma importante, aperfeiçoa e melhora a legislação no momento em que abrange milhões de brasileiros, sobretudo nessa questão fundamental, que é o momento de estruturar sua previdência social” – frisou Jayme Campos.
Jayme Campos lembrou que decidir o regime de tributação a ser aplicado em um plano de previdência específico, exigia que o cidadão analisasse uma série de “sofisticadas variáveis técnicas”, e contemplar diversos condicionantes de ordem pessoal, vinculados a seu perfil, sua situação familiar e orçamentária e seus objetivos de curto e longo prazo. Por isso, enalteceu a decisão do Senado e a sensibilidade do Governo.
Ele ressaltou ainda que era latente o prejuízo que a regra então vigente causava pela inflexibilidade quanto à escolha do regime de tributação. Jayme citou o exemplo dos que, em face de uma situação emergencial, se via compelido a resgatar o montante dos recursos acumulados em seu plano de previdência, com o ônus de ter que pagar muito mais imposto do que pagaria se lhe fosse permitido optar, na ocasião, pelo regime de tributação.
“Agora, felizmente, isso mudou” – disse, ao cumprimentar o senador Paulo Paim pela iniciativa.
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