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Servidores de Tangará da Serra participam de palestras sobre assédio moral, sexual e discriminação

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Cerca de 90 servidores do Fórum de Tangará da Serra participaram da Semana Nacional de Combate ao Assédio e à Discriminação, promovida naquela comarca pelas Comissões de Prevenção e Enfrentamento dos Assédios Moral e Sexual e da Discriminação de Primeiro e Segundo Graus do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), nessa terça-feira (7 de maio).
 
A programação contou ainda com a presença do juiz auxiliar da Vice-Presidência do TJMT, Gerardo Humberto Alves da Silva Júnior, que fez uma apresentação da Resolução nº 351/2020 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que trata sobre a Política de Prevenção e Enfrentamento do Assédio Moral, do Assédio Sexual e da Discriminação no âmbito do Poder Judiciário. “Expliquei os detalhes dessa Resolução, as atribuições do Comitê de Enfrentamento ao Assédio, tanto de primeiro quanto de segundo grau de jurisdição e como funciona o seu trabalho, falei do fluxo de atendimento, da cartilha, falei sobre a dignidade do trabalho. Me parece que foi muito bom!”, relata o magistrado.
 
Ele enfatizou aos participantes que a vice-presidente do TJMT e presidente da Comissão do Segundo Grau de Enfrentamento do Assédio e da Discriminação, desembargadora Maria Erotides Kneip, está à disposição para acompanhar, ouvir e acolher aqueles que necessitarem.
 
Na abertura do evento, o juiz titular da 2ª Vara Cível e diretor do foro, Diego Hartmann, abordou sobre o sofrimento causado pelo assédio e colocou-se à disposição, enquanto diretor do Foro, para ouvir, prestar apoio e acompanhar eventuais vítimas.
 
O servidor e representante do primeiro grau na Comissão de Enfrentamento ao Assédio, Robson Carlos Pereira dos Santos, proferiu uma palestra em que abordou como situações do dia-a-dia podem levar ao assédio ou à discriminação. Buscando fixar o conhecimento nos presentes, ele também aplicou um quiz on-line, composto por desafios focados em situações corriqueiras do ambiente de trabalho, em que as pessoas são levadas a refletir e a identificar situações de assédio moral, sexual e discriminação.
 
“Abordamos também o quão difícil é para a vítima do assédio passar por esta situação, mas que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso, se preocupa com a saúde e o bem estar da pessoa que sofreu tal violência, e, através da Comissão de Enfrentamento ao Assédio e à Discriminação, dispõe de toda uma estrutura para dar acompanhamento à vítima”, afirma Robson.
 
A psicóloga do Fórum de Tangará da Serra, Glaucia Melo Amorim, tratou sobre os principais sintomas sofridos por quem sofre assédio. “Pode ocasionar prejuízos emocionais, físicos e sociais, que incluem alergia emocional (coceira na pele ou feridas), dores musculares, ansiedade (alterações de humor, palpitações seguida de dores no peito, irritabilidade e nervosismo), redução da produtividade, dificuldades de concentração e memória, sentimentos de fracasso, perda de autoestima, incompetência, distúrbios digestivos, insegurança, insônia (sono excessivo ou perda), alterações de humor (ela se dá em função do desequilíbrio que o indivíduo está experimentando), isolamento e apatia”, elenca.
 
A profissional informa que em caso de intensificação desses sintomas, a pessoa pode desenvolver alguns transtornos mentais como depressão, Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), Síndrome de Burnout, Sindrome do Pânico, dentre outros. “Se o indivíduo perceber que está apresentando alguns destes sintomas, é importante buscar ajuda de um profissional o quanto antes”, orienta.
 
Semana Nacional de Combate ao Assédio e à Discriminação – Ocorre entre os dias 6 e 10 de maio, nas comarcas de Cuiabá, Tangará da Serra, Sinop e Cáceres, com palestras para debater o tema. O evento é voltado para magistradas, magistrados, servidoras e servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso e está em consonância com a Resolução CNJ n. 450/2022, que instituiu a Semana Nacional em todos os tribunais do país, sempre no mês de maio.
 
#Paratodosverem. Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Foto 1: foto em plano aberto que mostra o auditório do Fórum de Tangará da Serra lotado de servidores, que assistem a uma palestra. Foto 2: juiz Diego Hartmann fala ao microfone, em pé. Ele é um homem branco, de cabelo curso, liso e castanho, usando camisa branca, terno marrom claro e gravata em tom sépia. Atrás dele, há um telão com a logomarca da Semana Nacional de Combate ao Assédio e à Discriminação, em tons rosa e azul e com a ilustração de duas mulheres e dois homens de diferentes aparências físicas. Foto 3: psicóloga Glaucia Melo fala ao microfone, em pé. Ela é uma mulher de pele clara, cabelo longo, liso e castanho claro, usando camisa de renda branca, calça social azul e óculos de grau. Atrás dela, no telão, aparece um slide com os principais sintomas sofridos pela vítima de assédio.
 
Celly Silva
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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