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Ministro ouvidor do STJ propõe a ouvidores judiciais reflexão sobre empatia e acolhimento

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Foto horizontal em plano aberto que mostra o salão onde ocorreu o Encontro do Colégio Nacional de Ouvidores Judiciais, com um grande telão com a logomarca do evento, integrantes do colégio sentados no dispositivo de honra e participantes sentados na plateia. O segundo dia do 14º Encontro do Colégio Nacional dos Ouvidores Judiciais – Cojud, sediado pelo Poder Judiciário de Mato Grosso, foi aberto com uma palestra do ministro ouvidor do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Reynaldo Soares da Fonseca, na manhã desta quarta-feira (18). Ele propôs aos participantes uma reflexão a respeito dos tempos de cansaço, efemeridade e imediatismo que a sociedade tem vivido, em contraponto a princípios como transparência, acolhimento, firmeza, empatia e controle, buscados por instâncias como as ouvidorias.
Citando pensamento do filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, o ministro disse: “Somos sujeitos de obediência e de produção e, nesse sentido, somos empresários de nós mesmos, valemos pelo que produzimos e não pelo que somos”. Ele também destacou que “vivemos em tempos líquidos, nada foi feito para durar”, citando o filósofo polonês Zigmund Bauman.
Foto horizontal em plano aberto que mostra o dispositivo de honra do Encontro do Colégio Nacional de Ouvidores Judiciais, composto pelo ministro do STJ, Reynaldo da Fonseca, que fala ao microfone, ladeado pelo presidente e pelo vice-presidente do Cojud.“Trago isso para que possamos refletir sobre a judicialização da vida e sobre o que queremos construir a partir dessas experiências que se proponham a realizar a democracia. Trago isso no Encontro Nacional dos Ouvidores para que a gente perceba a importância desse Colégio, desse pensar que se propõe a demonstrar transparência, acolhimento, empatia, firmeza e controle”, disse o ministro Reynaldo Soares, destacando que a magistratura precisa aproximar o Judiciário da população, com o objetivo de melhor atender às suas demandas.
“Hoje, há necessidade enorme do Estado como um todo se aproximar do cidadão e fazer com que o cidadão entenda o papel que nós, sociedade, escolhemos no sentido de organização a partir do Estado. A presença do Estado é muito importante, para que nós pensemos na construção de uma sociedade livre, de uma sociedade justa e de uma sociedade fraterna”, defendeu.
Foto horizontal do ouvidor-geral do Poder Judiciário do Amazonas e presidente do Cojud, desembargador Abraham Peixoto Campos Filho, falando ao microfone, no dispositivo de honra do Encontro do Colégio Nacional de Ouvidores Judiciais. ele é um homem branco, usando terno branco.O ouvidor-geral do Poder Judiciário do Amazonas e presidente do Cojud, desembargador Abraham Peixoto Campos Filho, agradeceu ao ministro Reynaldo da Fonseca por comparecer ao encontro, o que destacou como inédito. “Gostaríamos de agradecer imensamente pela presença do ministro, que fez um esforço muito grande para estar conosco. É com muita honra que o recebemos pois, ao longo da história do Cojud, nós nunca recebemos a presença do ouvidor do STJ. Então, muito obrigado pela deferência com o nosso Colégio, que caminha para nosso 11º ano de existência”, disse.
Com a participação de desembargadores (as) e juízes (as) que atuam como ouvidores judiciais em tribunais estaduais, federais e militares de todo o país, a programação do 14º Cojud vai até sexta-feira (20).
Foto horizontal que mostra o desembargador Rodrigo Curvo sentado ao lado do ministro ouvidor do STJ, Reynaldo Soares da Fonseca, falando ao microfone e voltado para o ministro. Os trabalhos são conduzidos pelo presidente do Cojud, bem como pelo ouvidor-geral do Poder Judiciário de Mato Grosso e vice-presidente do Cojud, desembargador Rodrigo Curvo. O magistrado, anfitrião do evento, ressaltou que esta é a maior edição do encontro, em número de participantes e reiterou que “é uma grande honra poder contar com a participação do ministro ouvidor do Tribunal da Cidadania, o que demonstra que este colegiado tem alcançado seu objetivo de fortalecer os laços de cooperação entre as ouvidorias judiciais e, dessa forma, solidificar o diálogo transparente com a sociedade”.
Nesta quarta-feira (18), também participaram do evento o corregedor-geral da Justiça de Mato Grosso, desembargador José Luiz Leite Lindote, o desembargador do TJMT Gilberto Giraldelli, o presidente honorário da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), juiz Frederico Mendes Júnior, a presidente da Associação Mato-grossense de Magistrados (Amam), juíza Eulice Jaqueline da Costa Silva Cherulli, o juiz auxiliar da Ouvidoria do PJMT, Bruno D’Oliveira Marques e o diretor-geral da Escola da Magistratura de Mato Grosso (Emam), juiz Thiago Souza Nogueira de Abreu.
Foto horizontal em plano médio que mostra o ministro ouvidor do STJ, Reynaldo Soares da Fonseca, ladeado pelo presidente e pelo vice-presidente do Colégio Nacional de Ouvidores Judiciais. O ministro exibe o certificado de participação no 14º Encontro do Cojud.Sobre o Cojud – O Colégio Nacional de Ouvidores Judiciais (Cojud) foi fundado em 6 de março de 2015 com o objetivo de fortalecer as Ouvidorias judiciais, se constituindo em uma sociedade civil, sem fins lucrativos, integrada pelos magistrados dos Tribunais de Justiça, dos Tribunais Regionais Federais e dos Tribunais Militares que estiverem exercendo o cargo de Ouvidor, bem como por sua comissão executiva.
A criação do Cojud se deu para melhor atender as diversas demandas recebidas pelas Ouvidorias Judiciais, e principalmente para defender as prerrogativas e as funções institucionais das Ouvidorias Judiciais na representação dos legítimos interesses do cidadão. Também para incentivar a integração das Ouvidorias Judiciais e garantir a atuação e a independência administrativo-funcional das Ouvidorias Judiciais.
O Colégio tem ainda a intenção de fomentar a criação e a manutenção de estrutura física e de quadro permanente de servidores compatíveis com as atividades das Ouvidorias Judiciais.
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Autor: Celly Silva

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Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

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Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Curso sobre letramento racial promove equidade no ambiente institucional do PJ

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Banner do Curso de Letramento Racial e Antirracismo do TJMT. A arte tem tons de marrom e sépia e tem as imagens de uma mulher preta de perfil, de uma mão negra de punho cerrado, da balança da Justiça e do mapa de Mato Grosso.Um ambiente institucional com equidade vai além do tratamento igualitário. Reconhece as necessidades individuais, oferecendo suporte para que todos tenham oportunidades reais de desenvolvimento. Buscando transformar a cultura organizacional da instituição em um modelo que promova justiça, acolha a diversidade e garanta que as barreiras estruturais sejam superadas, o Poder Judiciário de Mato Grosso vem adotando práticas e políticas antirracistas. Entre elas, cursos e capacitações sobre Letramento Racial e Práticas Antirracistas.
Um novo módulo da capacitação online teve início nesta segunda-feira (15/06) e prossegue até quinta (19), das 8h às 12h. Voltado a magistrados, servidores e colaboradores da Justiça Estadual, o curso é ministrado pela professora e pesquisadora Silviane Ramos Lopes da Silva, doutora em Sociologia pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e mestre em História pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
A pesquisadora lembrou que para falar de racismo estrutural é preciso primeiro revisitar a história do Brasil, a fim de se compreender que o racismo não é apenas um preconceito, mas uma base sobre a qual instituições, a economia e a cultura foram organizadas. A colonização e a escravidão deixaram ao país uma herança histórica e econômica, já que, após a abolição, o Estado não promoveu políticas de inclusão, o que resultou na marginalização da população negra. “Foram usadas diferenças corporais, como fenótipo, cor da pele e textura de cabelo, para criar desigualdades e legitimar a superioridade de um grupo sobre o outro”, pontuou.
Silviane destacou ainda o que chamou de “ponto cego nacional por conta do analfabetismo racial “ essa ideia equivocada da coisificação dos corpos negros e indígenas , e o discurso de que somos todos iguais não coadunam . Essa narrativa que suaviza a não existência de racismo no Brasil, é uma estratégia da branquitude para enfraquecer os movimentos negros , indígenas a não se organizarem . Nada foi dado a população negra e indígena. Os povos indígenas são donos da terra e os negros foram arrancados de África sem escolhas, a organização da comunidade e imprescindível em para garantir vida digna, ressaltou.
Corpo branco, pele clara, traços finos, cabelo liso são vistos como norma ou padrão, sem mistura. Já negros e indígenas são vistos como diferentes. Esse conceito de branquitude define a identidade racial, o lugar de privilégio e a posição de poder ocupada por pessoas brancas em uma sociedade estruturada pelo racismo. A pesquisadora deu como exemplo dessa branquitude os bairros nobres da cidade de São Paulo, considerados locais “de branco”. Nesses lugares, observou Silviane, o corpo negro só é normalizado se estiver exercendo uma função subalterna.
Letramento e dupla consciência
Pessoas brancas podem desenvolver letramento racial por meio da “Dupla Consciência”. Isso ocorre quando o indivíduo adquire a capacidade de olhar para a sociedade e para os próprios privilégios, através das lentes da experiência negra. Conforme pesquisa trazida por Silviane, apesar de ser impossível “vestir a pele do outro”, é possível vivenciar a empatia profunda sem apropriação. Essa identificação estética e política pode vir, por exemplo, do engajamento com produções intelectuais, musicais e artísticas negras.
A capacitação traz ainda um conjunto de recursos para quem deseja ser um aliado na luta antirracista. Entre eles, reconhecer privilégios e o racismo internalizado, escuta qualificada e não universal, descentralizar-se, além de educação continuada.
O curso Letramento Racial e Práticas Antirracistas é promovido pelo Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio do Comitê de Promoção da Equidade Racial, que tem entre suas atribuições coordenar e executar as ações previstas no Pacto Nacional do Judiciário pela Equidade Racial, fomentar a representatividade racial no Judiciário, estimulando cursos e capacitações e disseminando práticas de combate ao racismo e de promoção da equidade racial.

Autor: Nadja Vasques

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Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

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Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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