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“Mais acolhimento e menos julgamento”: jornada como pai atípico é compartilhada em evento sobre auti

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Em um depoimento sincero e cheio de sentimentos, o servidor judiciário Washington Hedder de Vasconcelos compartilhou os desafios enfrentados por famílias atípicas e sua história como pai da adolescente Larissa, de 13 anos, diagnosticada com autismo nível 3 e surdez profunda bilateral. Ele apresentou a palestra “Desmistificando o Autismo: um olhar acolhedor” durante a 4ª edição do projeto “TJMT Inclusivo Capacitação e Conscientização em Autismo”, realizada no Fórum de Cáceres no dia 26 de setembro.

Washington, que também descobriu estar no Transtorno do Espectro Autista (TEA) após o diagnóstico da filha, falou sobre a rotina de terapias, as dificuldades de inserção escolar, os preconceitos enfrentados e a luta constante por respeito e inclusão. Em seu relato, destacou que o autismo não impacta apenas a pessoa diagnosticada, mas toda a família, que passa a viver uma realidade repleta de desafios, tanto emocionais quanto sociais.

“Quando você tem uma criança ou adulto com TEA, você tem uma família atípica. O sofrimento não é só da pessoa, mas da família inteira. Hoje não é somente o autista que precisa se preparar para estar na sociedade. A sociedade é que precisa se preparar ainda mais para recebê-lo. O que falta não é apenas informação, mas conscientização. É preciso transformar empatia em gentileza e compaixão, com ações reais de acolhimento e apoio”, afirmou.

Durante a palestra, Washington destacou que grande parte das barreiras enfrentadas por famílias atípicas não vem apenas das limitações trazidas pelo TEA, mas do preconceito e da desinformação.

“Na prática, ainda vivemos o paradigma do preconceito velado. Vemos todos os dias as escolas com discursos lindos de inclusão, mas a prática é outra. Minha filha já foi expulsa uma escola particular, mesmo com todos os recursos oferecidos pela família para apoiar seu processo pedagógico”, lamentou.

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Em sua fala, Washington também abordou a dimensão afetiva e espiritual dessa jornada. Ele contou que a chegada dos diagnósticos trouxe luto e sofrimento, mas que encontrou forças para seguir na fé e no amor incondicional à filha. Para ele, as pessoas autistas têm uma autenticidade única, que contrasta com a exigência de “máscaras” impostas pela sociedade.

“O autista é autêntico em um mundo que exige cópias. Ele não finge, ele é real. O problema está em uma sociedade que ainda não está preparada para lidar com essa autenticidade. E não tem como falar de autismo sem falar de amor, que não é só um sentimento, é uma decisão. É o que nos move a lutar, mesmo em meio às dores”, contou.

Washington também alertou que o autismo deve ser tratado como questão de saúde pública, citando dados recentes do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC), que indicam que a prevalência já chega a 1 caso para cada 31 nascimentos. “Isso significa que toda família terá contato com o autismo em algum momento. Não é um assunto de poucos, é um tema que impacta toda a sociedade.”

Ao encerrar sua fala, o servidor emocionou a plateia ao compartilhar o maior medo de pais atípicos: o futuro dos filhos quando eles já não estiverem presentes. “A lei natural é que eu vou antes da minha filha. E o que mais me angustia é pensar: em que mundo vou deixá-la? Por isso não tive escolha. Precisei sair do silêncio, falar, lutar e conscientizar. O que precisamos é de mais acolhimento e menos julgamento”, lembrou.

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A 4ª edição do projeto “TJMT Inclusivo – Capacitação e Conscientização em Autismo” foi promovida pela Comissão de Acessibilidade e Inclusão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), em parceria com a Escola Superior da Magistratura (Esmagis-MT) e Escola dos Servidores, e reuniu magistrados(as), servidores(as), profissionais da saúde, da educação, estudantes, familiares e pessoas atípicas, consolidando-se como uma iniciativa de grande impacto social e jurídico para toda a região.

A edição em Cáceres soma-se a outras já realizadas em Sinop, Sorriso e Cuiabá e resulta da determinação do Tribunal em percorrer todo o estado levando informação e capacitação. Até o fim do ano, outras comarcas-polo receberão o projeto.

Todas as palestras do evento estão disponíveis no YouTube, assista aqui.

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Autor: Ana Assumpção

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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2ª Corrida da Justiça e Cidadania une esporte e solidariedade em Rondonópolis

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Esporte, solidariedade, saúde, cidadania e inclusão social estarão reunidos em um único evento em Rondonópolis. No dia 16 de agosto, a cidade receberá a 2ª edição da Corrida da Justiça e Cidadania, que unirá em duas modalidades atletas, famílias, amigos e amantes do esporte em uma manhã de prática esportiva e solidariedade.
Para quem busca competir, a corrida de 7 km terá diferentes categorias e premiações. Já a caminhada de 3 km, com caráter participativo e sem classificação, será a opção para aqueles que desejam apenas praticar uma atividade física e compartilhar um momento de integração.
Promovida pelo Fórum da Comarca de Rondonópolis, a iniciativa busca aproximar o Poder Judiciário de Mato Grosso, as forças de segurança pública e a sociedade civil. A largada está prevista para 6h30, em frente ao Fórum Desembargador William Drosghic, em Rondonópolis.
Solidariedade

A corrida tem como principal objetivo arrecadar recursos financeiros para doação à Escola Louis Braille. A instituição atua no município há mais de quatro décadas, promovendo a reabilitação e inclusão de pessoas com deficiência visual. Atualmente, são atendidos cerca de 230 alunos de todas as idades.
“Quando o Judiciário participa de iniciativas que dialogam diretamente com a comunidade, ele amplia a sua capacidade de gerar impacto positivo. Essa corrida vai além da competição. Ela tem essa característica de buscar o envolvimento coletivo em prol de uma causa social”, destaca a diretora do Fórum de Rondonópolis, juíza Aline Quinto Bissoni.
Inscrições
As inscrições seguem abertas e podem ser realizadas de forma on-line pelo site da Acrono Esportes. Os valores são de R$ 69,00 para servidores do Fórum e integrantes da segurança pública, e de R$ 129,00 para o público geral. Ambos são acrescidos de taxa de serviço da plataforma.
Premiação

Na corrida de 7 km, haverá premiação para as categorias competitivas, nos gêneros masculino e feminino. Na categoria geral, serão premiados do 1º ao 5º lugar, com valores de R$ 1.800,00, R$ 1.300,00, R$ 900,00, R$ 650,00 e R$ 500,00.
Nas categorias servidores do Fórum de Rondonópolis, atletas de Rondonópolis e segurança pública, serão premiados do 1º ao 5º lugar, com valores de R$ 500,00, R$ 400,00, R$ 300,00, R$ 200,00 e R$ 100,00.
Na categoria pessoas com deficiência, haverá premiação de R$ 500,00 para o 1º lugar de cada subcategoria, nas divisões masculina e feminina, desde que haja pelo menos 10 inscritos confirmados na respectiva subcategoria. Caso contrário, será mantida a premiação com troféu.
Na categoria faixa etária, serão premiados com troféus os atletas classificados do 1º ao 3º lugar em cada faixa. Todos os participantes que concluírem a corrida ou a caminhada receberão medalha de participação.
Treino oficial
Como parte da programação de preparação para a 2ª Corrida da Justiça e Cidadania, a organização do evento realizará um treino oficial para o percurso de 7 km. A atividade acontecerá no dia 25 de julho, às 6h, com concentração no Fórum de Rondonópolis.
O treino é gratuito e será aberto ao público de todas as categorias. Os participantes terão a oportunidade de se preparar para a prova e conhecer o percurso oficial de 7 km. A ação oferecerá suporte ao público, como hidratação, banheiros, frutas e ambulância.

Autor: Bruno Vicente

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Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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