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Litigância climática é tema de palestra no Encontro de Sustentabilidade do TJMT

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O procurador do Estado de Mato Grosso Patrick Ayala, Ph.D em Direito e pesquisador na área de Direito Ambiental e Mudanças Climáticas, apresentou na manhã desta quarta-feira (17) o painel “Litigância climática e o direito fundamental ao meio ambiente: qual deve ser o lugar da natureza no Direito Climático?”, durante o 10º Encontro de Sustentabilidade e 2º Seminário de Mudanças Climáticas do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).

O evento ocorre no Espaço Justiça, Cultura e Arte Desembargador Gervásio Leite, em Cuiabá, com transmissão on-line.

Ayala destacou que o principal objetivo da participação no encontro é reforçar a função da litigância climática para a elaboração de soluções para problemas reais.

“Minha proposta é tentar compartilhar com os juízes e todos os operadores do sistema de justiça, não só em Mato Grosso, uma reflexão um pouco mais crítica sobre como nós podemos explicar qual é a função da litigância ambiental, muito mais agora voltada para o enfrentamento de problemas climáticos”, reforçou o procurador.

O palestrante explica que o Judiciário precisa adotar uma ética climática, capaz de orientar decisões que protejam direitos fundamentais ao meio ambiente.

“A litigância climática coloca para os tribunais, juízes e juízas a necessidade de enfrentar um determinado conflito ambiental, mas agora sob um olhar um pouco diferente. É um problema que exige que eles enfrentem argumentos de ciência climática”, externou Ayala.

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O painel foi mediado pelo desembargador Gilberto Giraldelli, que destacou a importância de atitudes diárias que minimizem os impactos das ações humanas na natureza.

“Trabalho com a perspectiva de buscar sempre ser alguém engajado nas causas ambientais, a ponto de poluir e degradar o menos possível, em busca de uma vida que seja sustentável”, destacou o magistrado.

Justiça e vulnerabilidade socioambiental

Durante a exposição, o procurador Patrick Ayala reforçou que não é possível ignorar o meio ambiente como um direito fundamental. O palestrante defendeu o “movimento de um constitucionalismo que precisa enfrentar adequadamente as mudanças climáticas, destacando que dignidade humana e natureza são importantes e não devem ser preteridas”.

Ao apresentar decisões judiciais que envolvem a litigância climática, o procurador ressaltou a necessidade de um olhar atento dos tribunais sobre os sistemas da natureza, pois além das pessoas, o meio ambiente também deve ser resguardado pelas leis.

“Se nós pudéssemos introduzir duas características nesse modelo de litigância, eu poderia sugerir que ela precisa ser transformadora. Precisa propor soluções de fato que consigam propor uma realidade que seja diferente dos problemas históricos não resolvidos. Ela também precisa ser um modelo de litigância comprometida com os sistemas naturais”, destacou.

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Compromisso do TJMT

O painel integra a programação do 10º Encontro de Sustentabilidade e do 2º Seminário de Mudanças Climáticas. Esta edição do evento é realizada em conjunto pelo Núcleo de Sustentabilidade do TJMT e pela Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso(Esmagis-MT), por meio do Eixo Temático de Meio Ambiente.

Com programação híbrida até esta quinta-feira (18), o evento reúne magistrados, servidores, acadêmicos e especialistas, reforçando o papel do Judiciário mato-grossense como agente de transformação socioambiental.

O encontro também será carbono neutro, em conformidade com a Resolução CNJ n.º 594/2024, e contará com a entrega dos Selos de Reconhecimento Judiciário Sustentável, premiando boas práticas no uso consciente dos recursos públicos.

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Autor: Vitória Maria

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Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

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Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Família Acolhedora como prioridade de proteção é apresentada em evento

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“A felicidade do outro importa tanto que eu fico ainda mais feliz que ele.” Com essa reflexão sobre a transcendência do amor ágape, o promotor de Justiça Nilton César Padovan, titular da 2ª Promotoria de Justiça Cível de Sinop e coordenador do Centro de Apoio Operacional (CAO) da Infância e da Juventude do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), buscou sensibilizar os participantes do 1º Encontro dos Direitos e Garantias Fundamentais de Crianças e Adolescentes na Perspectiva Nacional e Internacional e do 5º Encontro Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente de Mato Grosso, na tarde desta segunda-feira (18).
O promotor de Justiça falou sobre “Responsabilidade do Poder Judiciário e do Ministério Público na criação, implantação e execução do Serviço de Família Acolhedora (SFA) no Estado de Mato Grosso, frente à Recomendação Conjunta nº 02/2024”. O painel contou com a participação dos promotores de Justiça Daniele Crema da Rocha de Souza, titular da 19ª Promotoria de Justiça Cível de Cuiabá, e Paulo Henrique Amaral Motta, titular da 14ª Promotoria de Justiça Cível da Capital, e foi presidido pela juíza da 2ª Vara Cível de Tangará da Serra, Raiza Vitória de Castro Rego Bastos Gonzaga.
Nilton Padovan iniciou destacando o conceito de amor ágape, entendido como o amor incondicional voltado ao bem-estar do outro, sem expectativa de retorno. “Se a gente não compreender o amor ágape, não consegue compreender a família acolhedora. A partir do momento em que eu entendo o que é esse amor – aquele que me leva a fazer algo por alguém que nem conheço, justamente no pior momento da vida – eu passo a ter a possibilidade de transformar a vida dessa pessoa para sempre”, introduziu.
Na sequência, o palestrante esclareceu o conceito de acolhimento e diferenciou o acolhimento institucional do serviço de família acolhedora. “Acolhimento é uma medida de proteção prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para crianças e adolescentes que precisam ser afastados, temporariamente, de sua família de origem, seja ela natural ou extensa, quando não há familiares que desejem ou possam assumir sua guarda. Em outras palavras, esse acolhimento é para a criança ou adolescente que, naquele momento, não tem ninguém por ele”, explicou.
Segundo o promotor, o acolhimento institucional deve ser compreendido como medida excepcional e provisória. “Eu só vou fazer isso se não tiver outra alternativa”, enfatizou, ao destacar que o afastamento do convívio familiar ocorre somente quando não há outra solução possível. “Se tiver qualquer outra forma de eu não promover o acolhimento, eu não promovo. É a última hipótese”, reforçou, acrescentando que, embora seja uma medida de proteção, o acolhimento pode gerar impactos emocionais, motivo pelo qual sua duração deve ser a mais breve possível.
Nilton Padovan explicou que, quando se faz necessário o afastamento da criança ou adolescente, a legislação prevê duas modalidades de acolhimento. A primeira é o acolhimento institucional, mais conhecido pela população, realizado em abrigos ou casas-lares. A segunda é o acolhimento em família acolhedora, realizado por famílias previamente cadastradas, o que ele define como a passagem “do CNPJ para o CPF”. Nesse modelo, a criança passa a vivenciar o cotidiano familiar, compartilhando experiências como refeições, celebrações e atividades comunitárias.
O promotor destacou que, além de proporcionar um ambiente mais humanizado, o acolhimento em família acolhedora também apresenta maior eficiência financeira. “Estudos indicam que o custo de uma criança em família acolhedora fica entre 30% e 40% do valor de uma em acolhimento institucional”, afirmou. Ele ressaltou ainda que o ECA prioriza essa modalidade em relação ao acolhimento institucional e que, inclusive em situações emergenciais, o acolhimento pode ocorrer em famílias acolhedoras, por ser mais benéfico.
Outro ponto abordado foi a impossibilidade de a família acolhedora adotar a criança acolhida, sendo necessário optar entre atuar no serviço ou ingressar no processo de adoção. Segundo o promotor, essa regra existe porque o objetivo principal do acolhimento é a reintegração à família de origem e, somente quando isso não é possível, a criança é encaminhada para adoção após a destituição do poder familiar.
O palestrante explicou ainda que o Serviço de Família Acolhedora se desenvolve em três fases: a formalização, com a criação de lei municipal; o funcionamento, marcado pela constituição de equipe técnica; e a efetivação, quando o serviço atinge seu objetivo principal, com o acolhimento da criança ou adolescente por uma família.
Em seguida, o expositor abordou a Recomendação Conjunta nº 2, de 17 de janeiro de 2024, que trata da integração de esforços para o fortalecimento do Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora. O documento orienta a atuação articulada entre o Judiciário, o Ministério Público e os gestores públicos, estimulando estados e municípios a estruturar e ampliar essa política.
Ao detalhar os principais pontos da recomendação, o promotor destacou que o texto estabelece metas, estratégias e responsabilidades para a implementação efetiva do serviço. Entre os objetivos, ressaltou a meta de, até 2027, alcançar ao menos 25% das crianças e adolescentes em acolhimento inseridos em famílias acolhedoras. Para isso, prevê-se a criação de grupos de trabalho intersetoriais nos municípios, com a finalidade de estruturar e impulsionar o serviço.
Por fim, Nilton Padovan enfatizou que o documento define atribuições claras para os órgãos do sistema de garantia de direitos, incluindo o dever de priorizar o encaminhamento para famílias acolhedoras e de justificar tecnicamente, especialmente nos casos de crianças de até seis anos, quando essa medida não for adotada. Segundo ele, a recomendação busca não apenas orientar, mas também induzir ações concretas, reforçando a necessidade de articulação institucional e de acompanhamento contínuo para o cumprimento das metas estabelecidas.
O evento segue na terça-feira (19). Clique aqui para acessar a programação completa.
Saiba mais – O encontro é uma iniciativa conjunta do MPMT, por meio da Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Criança e do Adolescente e do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf); do Poder Judiciário, por meio da Esmagis, da Escola dos Servidores, da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja) e da Coordenadoria da Infância e Juventude (CIJ); e da Faculdade Autônoma de Direito (Fadisp), com apoio da Fundação Escola de Ensino Superior do Ministério Público (FESMP‑MT).
Ana Luíza Anache (MPMT)

Autor: Assessoria

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Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

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Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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