Tribunal de Justiça de MT

Juíza do TJMT integra grupo nacional que criará diretrizes para combater violência contra mulheres

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O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) instituiu um Grupo de Trabalho para elaborar diretrizes nacionais sobre os Grupos Reflexivos e Responsabilizantes de homens autores de violência doméstica e familiar contra as mulheres. A iniciativa, formalizada por meio da Portaria da Presidência nº 465, publicada na segunda-feira (16), tem o objetivo de padronizar e qualificar as ações do Judiciário no enfrentamento à violência de gênero em todo o país.

Entre os membros do grupo está a juíza Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa, titular da 1ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Cuiabá. A magistrada representará o Tribunal de Justiça de Mato Grosso na construção das diretrizes, levando a experiência do estado, que atualmente conta com grupos reflexivos em 21 comarcas.

“A criação do Grupo de Trabalho pelo Conselho Nacional de Justiça representa um avanço institucional relevante no fortalecimento das políticas judiciárias de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra as mulheres”, afirma a juíza Ana Graziela. Segundo ela, a iniciativa promove “a padronização nacional, a qualificação técnica e o alinhamento normativo das iniciativas voltadas à responsabilização de homens autores de violência”.

Objetivo é ir além da punição

Os Grupos Reflexivos e Responsabilizantes são espaços onde homens que praticaram violência contra mulheres participam de encontros para refletir sobre suas atitudes, padrões de masculinidade e relações de poder. A proposta vai além da punição, buscando uma abordagem educativa e transformadora que pode prevenir novos casos de violência.

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“Ao deslocar o foco exclusivo da punição para uma abordagem educativa e transformadora, esses grupos contribuem para a redução da reincidência, na medida em que estimulam a compreensão dos impactos da violência sobre as mulheres e fomentam mudanças comportamentais sustentáveis”, explica a magistrada.

A juíza destaca ainda que, quando articulados com medidas protetivas e com a rede de atendimento, os grupos “reforçam a centralidade da vítima, evitando a revitimização e ampliando as possibilidades de interrupção do ciclo da violência”.

Experiência de MT

A participação de Mato Grosso no grupo de trabalho traz à discussão nacional a realidade de um estado com grande extensão territorial e diversidade populacional, incluindo comunidades indígenas, ribeirinhas e ligadas ao agronegócio.

“A experiência do Tribunal de Justiça de Mato Grosso possui potencial significativo para contribuir com a construção das diretrizes nacionais, especialmente por sua atuação no enfrentamento à violência doméstica em um contexto marcado por desafios territoriais, sociais e culturais específicos”, pontua Ana Graziela.

A magistrada ressalta que as práticas desenvolvidas no TJMT podem oferecer subsídios sobre a implementação de grupos reflexivos em realidades descentralizadas e sobre a articulação com a rede local de atendimento às mulheres.

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Próximos passos

O Grupo de Trabalho tem 120 dias para concluir os trabalhos, prazo que pode ser prorrogado por mais 120 dias. Entre as atribuições, estão mapear experiências nacionais, identificar modelos consolidados, propor diretrizes para implementação e avaliação dos grupos e elaborar minuta de ato normativo.

“Com a elaboração das diretrizes nacionais, o Judiciário espera alcançar resultados concretos voltados à uniformização de parâmetros mínimos para a implementação, funcionamento e avaliação dos Grupos Reflexivos e Responsabilizantes em todo o país”, afirma a juíza.

A coordenação do Grupo ficará a cargo do desembargador Álvaro Kalix, do Tribunal de Justiça de Rondônia, com coordenação-adjunta da juíza Naiara Brancher, de Santa Catarina. Além de magistrados de diferentes estados, também participam promotores de justiça, defensores públicos e consultores científicos de universidades.

As diretrizes a serem criadas respeitarão princípios como a promoção da igualdade entre mulheres e homens, a prevenção da revitimização, a abordagem interdisciplinar e interseccional e o respeito às especificidades regionais, culturais e territoriais, conforme estabelece a Portaria do CNJ.

Autor: Roberta Penha

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Projeto de leitura transforma experiências e amplia horizontes de pessoas privadas de liberdade

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Visão em ângulo de uma pessoa folheando um livro aberto sobre uma mesa branca. Uma das mãos segura uma caneta azul, apontando para o texto que traz fotos em preto e branco de crianças.Durante a III Capacitação – Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição de Pena, realizada nos dias 2 e 3 de junho, em formato virtual, a professora Silvia Aparecida Duarte Fraga apresentou a experiência desenvolvida na Cadeia Pública de Alto Araguaia (421km de Cuiabá) por meio do projeto “Viagem Sobre as Grades – Remição Pela Leitura e Expressão de Sentimentos”. A iniciativa integra as boas práticas educacionais desenvolvidas no sistema prisional mato-grossense.

Promovido pelo Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF/TJMT), pela Coordenadoria de Educação de Jovens e Adultos (Coeja/Seduc-MT) e pelo Núcleo de Educação no Sistema Penitenciário (NESP/SAAP/Sejus-MT), o evento reuniu educadores e profissionais que atuam com a remição de pena pela leitura em unidades prisionais de Mato Grosso.

Ao relatar sua trajetória no projeto, Silvia contou que recebeu o convite para atuar com pessoas privadas de liberdade de forma inesperada. Com mais de duas décadas dedicadas à educação de crianças e adolescentes, ela afirmou que a experiência a levou a romper preconceitos e ampliar sua visão sobre os processos de aprendizagem.

“O aprendizado vai muito além das quatro paredes de uma sala de aula. Pequenos esforços e a leitura permitem que a pessoa vá além do que os olhos enxergam”, destacou.

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Segundo a educadora, o nome do projeto surgiu a partir da fala de um dos participantes. “Ele disse que, quando estava na sala realizando as atividades de leitura, sentia o corpo preso, mas a mente voando. Foi aí que compreendi o significado da leitura naquele ambiente”, relatou.

A iniciativa é desenvolvida em etapas que estimulam a expressão de sentimentos, o autoconhecimento e a construção de novos projetos de vida. Uma das atividades consiste na elaboração de uma árvore de palavras, em que os participantes registram emoções, desejos e percepções por meio de palavras-chave.

Outra ação de destaque é a produção de cartas motivacionais. Nessa atividade, os alunos são convidados a escrever para si mesmos, assumindo a perspectiva de um desconhecido. O exercício incentiva o uso de palavras positivas, conselhos, reflexões sobre mudanças, sonhos e possibilidades, além da valorização pessoal e da esperança.

De acordo com Silvia, os resultados observados incluem o fortalecimento da autoestima, a ampliação da capacidade emocional, o aumento do interesse pela leitura e o enriquecimento do vocabulário dos participantes.

Ouvidoria apresenta canais de atendimento e orientação ao cidadão

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A programação também contou com a participação do ouvidor setorial da Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT), Ricardo Augusto de Oliveira, que apresentou orientações sobre os canais de atendimento da Ouvidoria e os procedimentos para registro de manifestações.

Segundo ele, a Ouvidoria atua como uma ponte entre o cidadão e a administração pública, recebendo demandas, orientando os usuários e encaminhando as solicitações aos setores responsáveis para análise e providências dentro dos prazos estabelecidos.

“O papel da Ouvidoria também é educativo, orientando o cidadão sobre o melhor caminho para registrar sua manifestação e acompanhar o atendimento”, explicou.

O ouvidor destacou ainda os cursos oferecidos pela instituição para capacitar servidores públicos e aprimorar a qualidade dos atendimentos. Durante a apresentação, ele orientou os participantes sobre a utilização do sistema Fale Cidadão, ferramenta disponibilizada pela Controladoria Geral do Estado e acessível por meio dos portais oficiais do Poder Executivo Estadual.

Autor: Patrícia Neves

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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