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Judiciário promove workshop sobre Justiça Restaurativa com pioneira do círculo de construção de paz

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Os esforços de centenas de pessoas, que integram o trabalho de pacificação social promovido pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), por meio da Justiça Restaurativa, foram coroados com a presença da pioneira na prática do círculo de construção de paz, a renomada especialista e professora norte-americana, Kay Pranis, durante workshop iniciado nesta quinta-feira (21), no auditório do Espaço Justiça, Cultura e Arte ‘Desembargador Gervásio Leite’. O momento foi classificado pela presidente do TJMT, desembargadora Clarice Claudino da Silva, como a “cereja do bolo” que consolida esta que é a bandeira de sua gestão.
 
“Estar num workshop com a Kay Pranis, de fato, é a cereja do bolo. Este ano tem sido um ano de intenso trabalho nessa área. Já passaram pela formação de facilitadores quase mil pessoas, então, é um trabalho realmente gigante, intenso e que merece esse coroamento, trazendo uma personalidade que dá esse fecho, que faz com que tudo isso faça sentido na nossa vida muito intensamente. E eu tenho certeza que todos que estão aqui têm a noção do quanto isso representa para a consolidação da política de paz e de pacificação social”, disse.
 
Conforme a presidente do TJMT, o workshop é uma oportunidade de aproximação entre os servidores e magistrados envolvidos nessa política pública do Judiciário estadual. “Penso que a humanidade está muito carente de novas formas de construir bons relacionamentos. Nós ficamos um tempo muito reclusos, recentemente. E a própria forma como estamos conduzindo a vida nos diz que é hora sim de observar melhor as nossas relações. E isso aqui dentro do Poder Judiciário eu penso que é fundamental. Aqui nós podemos fazer um laboratório de boas convivências e expandir isso para toda a sociedade”, afirmou.
 
Em seu pronunciamento, Clarice Claudino conclamou os presentes a continuar se dedicando ao projeto de pacificação social. “Cada um dos magistrados que abraçaram essa causa sabem o valor que tem essa bandeira. Assumiram para si divulgar essa bandeira, caminhar, abrir picadas, caminhos, pavimentar uma estrada que realmente deixe possibilidade das próximas gerações não precisarem passar pelo processo que nós estamos passando. Eles já virão com o nosso exemplo pronto e consolidado e para eles já será natural ter uma rede de relacionamentos com a qualidade que nós estamos construindo. Então, sintam-se pertencentes a essa construção. Cada tijolinho dessa construção tem a impressão digital de cada um de nós”.
 
O juiz auxiliar da Presidência e coordenador do Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (NugJur), Túlio Duailibi Alves, destacou que a presidente do TJMT tem feito todo o investimento necessário para o fortalecimento da Justiça Restaurativa no estado. Ele agradeceu aos parceiros (magistrados, servidores, gestores municipais) que têm levado os círculos de construção de paz a cada vez mais pessoas, seja por meio do projeto ‘Servidores da Paz’, das parcerias com as Secretarias de Educação dos municípios e demais ações multilaterais, por meio das quais novos facilitadores de círculos de construção de paz têm sido capacitados.
 
Dirigindo-se à Kay Pranis, o juiz afirmou que a metodologia é uma das formas utilizadas para levar de volta a paz e a harmonia ao ambiente escolar. “Ao longo deste workshop, várias pessoas podem dizer para a senhora o quão importante que essa metodologia, inaugurada pela senhora, tem sido útil aqui em Cuiabá, aqui no estado de Mato Grosso”, disse, complementando que o retorno dela à capital mato-grossense, após 5 anos, difunde e consolida ainda mais as práticas restaurativas no estado.
 
A criadora do círculo de construção de paz, Kay Pranis, falou da alegria em retornar ao Brasil após 5 anos, agradeceu pela oportunidade e parabenizou o Tribunal de Justiça de Mato Grosso por difundir nas escolas públicas do Estado o método da Justiça Restaurativa. “É um trabalho maravilhoso a ser feito e é por meio dessas parcerias que nós vamos conseguir levar a cultura de paz para toda a nossa sociedade. Então eu parabenizo o Tribunal por todas essas parcerias”.
 
A professora classificou como extremamente importante a atuação do Poder Judiciário no que tange à pacificação social, começando pelos próprios servidores e extrapolando para outras instâncias. “Isso vai fortalecer as equipes dentro do sistema de justiça e também são as pessoas dentro do sistema de justiça que vão saber melhor onde essa metodologia pode ser aplicada. O sistema de justiça tem o poder de convencer pessoas de outros setores a começar a introduzir essa metodologia também. Então o sistema de justiça é uma liderança no compartilhamento dessa ideia em outros setores da sociedade”.
 
Em sua palestra, Kay Pranis conduziu os participantes em um momento de relaxamento e autorreflexão, convidando a todos para fechar os olhos e pensar na natureza local, nos ancestrais, enquanto ela falava da conexão entre o passado e o presente, entre o ser humano e o ambiente. Durante a programação da manhã, a especialista abordou os elementos da pacificação social e como o círculo de construção de paz se insere nesse contexto. Ao final, promoveu uma dinâmica em pequenos grupos, convidando as pessoas a interagirem entre si. No momento final, a palestrante respondeu dúvidas.
 
Participantes ressaltam importância do evento – Declaradamente um entusiasta da Justiça Restaurativa, o juiz Francisco Gahiva, da 4ª Vara Cível e coordenador do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) de Tangará da Serra, pontuou o trabalho desenvolvido em sua comarca. “Dentro da própria unidade em que trabalho nós já fizemos círculo de paz para melhoria das relações, do conhecimento e do envolvimento de todos. E estar aqui é muito gratificante porque nós estamos conhecendo a fonte de onde se originou todo esse trabalho, que hoje é expandido não só para as unidades, mas para fora delas. Em Tangará da Serra, o trabalho que vem sendo desenvolvido pelos servidores e também pela colega que está à frente da Justiça Restaurativa abrange escolas, outras entidades e tem, cada vez mais, florescido e crescido na cidade”, relatou.
 
Assessor de gabinete e facilitador de círculo de construção de paz, Luiz Milano enfatizou a oportunidade de ter contato com a pioneira do método por ele trabalhado junto à comunidade. “Eu acredito que é muito gratificante essa oportunidade. Vai agregar muito conhecimento. Para mim, é excepcional estar perto de alguém que é a base do círculo de construção de paz. É um momento para agregar conhecimento, para beber direto da fonte, que é a Kay, e isso vai nos trazer muitas ferramentas para que a gente possa aplicar aos círculos no nosso ambiente de trabalho, nas escolas e de um modo geral”, avaliou.
 
#Paratodosverem – Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual.  Foto 1: imagem geral do evento. No primeiro plano os participantes. Ao fundo a palestrante sentado e ao lado dela a interprete.Foto 2:  Presidente do TJMT, desembargadora Clarice Claudino da Silva fala ao microfone. Ela é uma senhora branca, de cabelos lisos, curtos e castanho médio, olhos claros, usando camisa com estampa de onça, colar de correntes douradas.. Foto 3: juiz-auxiliar da presidência fala ao microfe. A fundo aparece a imagem da palestrante e da interprete. Foto 4: Kay Pranis e a tradutora de inglês, Fátima Price, sentadas em poltronas no palco do auditório Gervásio Leite. Ambas são senhoras brancas. Kay com cabelos brancos, lisos e presos. E a intérprete com cabelo castanho médio, liso e curto. Kay usa um vestido longo preto com estampa floral, cardigan verde claro e sapatilha preta. A intérprete usa calça preta, camisa com estampa de folhas e flores nas corres verde e amarelo e fundo preto e sandália Anabela preta. Ao lado delas, há pequenas mesas com vasos de plantas sobre elas. Foto 5: participantes estão em pé realizando uma dinamica em grupo. 
 

Celly Silva/Fotos: Lucas Figueiredo 

Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT

 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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