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Expedição Araguaia-Xingu: histórias de quem espera por direitos

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A dona Célia Aparecida Lima, 47 anos, chegou à 7ª Expedição Araguaia-Xingu com uma pasta de documentos na mão e um pedido que, para ela, se arrastava desde 2019, que era o restabelecimento do Benefício de Prestação Continuada (BPC) do filho, Mateus Lima, hoje com 21 anos. O benefício, equivalente a um salário mínimo, foi interrompido sem qualquer justificativa oficial. “Eu vim procurar ver se resolve. Na época, ele tinha 16 para 17 anos. Eu nunca entendi por que cortaram”.

Mateus nasceu com falta de oxigênio no cérebro e, desde então, nunca andou nem falou. Cadeirante, depende integralmente de cuidados. Célia explica que a rotina envolve gastos constantes com fraldas, pomadas, remédios e tratamentos para problemas decorrentes das longas horas deitado ou sentado. “Ele come diferente, é mais cara a comida dele. Usa fralda, às vezes dá problema no intestino, precisa de antibiótico, precisa de pomada. É tudo muito difícil. E caro”, revelou.

Para ela, a Expedição representou a oportunidade que não encontrava em nenhum outro lugar. “Eu já tinha procurado advogado, mas diziam que não tinha como, por causa da renda. Ninguém colocava no papel o quanto meu menino gasta. Aqui, eles ouviram. Aqui olharam pra nós”. Caso o restabelecimento seja confirmado e o processo retroaja à data da cessação, a família pode receber mais de R$ 60 mil em valores atrasados. “Se resolver, vai ser uma bênção. E se não resolver, eu ainda agradeço. Mas é melhor se resolver. Porque sem essa expedição eu não sei como eu ia fazer. Eu nem tinha conseguido ainda”.

A história de Maria Conceição Alves da Silva, 58 anos, mãe de Thiago Conceição da Silva Ferreira, 14 anos, também revela o impacto direto da presença do Judiciário nas comunidades distantes. Ela chegou à Expedição aflita, uma vez que o benefício do filho, portador de Síndrome de Down, havia sido bloqueado naquele mesmo mês, sem aviso prévio. “Quando fui receber, não tinha caído. Disseram que precisava ir para Goiânia fazer perícia. Goiânia é longe demais. Como que eu vou?”, indagou. Com outro filho acamado, viajar para outra capital era impossibilidade absoluta.

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Foi graças à chegada da Expedição que Maria conseguiu atendimento. Na ação, Thiago passou pela perícia médica e o processo foi encaminhado sem necessidade de deslocamento para outra cidade. Para ela, o atendimento não poderia ter sido mais providencial. “Foi Deus que mandou essa expedição para cá. No mês que bloqueou, vocês vieram pra cá. Deus é maravilhoso”.

Pensão por morte – Maria Soledade, grávida e sem qualquer documento do companheiro falecido, acreditava que jamais conseguiria comprovar o óbito. Durante o atendimento, a equipe da Expedição localizou o boletim de ocorrência, recuperou o CPF do trabalhador via fazenda onde ele atuava e confirmou que ele mantinha qualidade de segurado. Com isso, Maria terá direito à pensão por morte, além de ter sido orientada para garantir o salário-maternidade. As orientações para comprovar união estável e dar andamento ao processo foram assegurados graças à Expedição.

O caso de Elza Ferreira de Brito também surpreendeu. Procurando apenas informações sobre aposentadoria por idade, ela descobriu que tinha direito, desde 2019, a pensão por morte do marido, graças ao chamado período de graça, regra previdenciária que mantém a qualidade de segurado mesmo após a última contribuição. Como a filha era menor de idade na época, não houve prescrição, permitindo recuperar o benefício desde a data do óbito. Além do pagamento mensal, que pode ser restabelecido a partir dos encaminhamentos dados na Expedição, Elza pode receber valores retroativos a todo tempo que ficou sem o benefício.

Situação semelhante ocorreu com Valdirene dos Reis Josevigos, que teve a pensão por morte cancelada há oito anos. Depois de consultar advogados que disseram não haver solução, ela acreditava que o caso estava perdido. Na Expedição, o cancelamento indevido foi reconhecido, possibilitando o pedido do restabelecimento do benefício. Se retomado, ela pode receber o pagamento equivalente aos últimos cinco anos, além da retomada do benefício mensal.

Para o juiz coordenador da Expedição, José Antônio Bezerra Filho, casos como esses só alcançaram resultados tão expressivos porque todos os parceiros da Justiça Estadual atuaram de forma totalmente integrada. “Essa é nossa felicidade: ver todos os sistemas funcionando juntos e entregando direitos a quem mais precisa”.

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A atuação conjunta, inclusive com a presença de médicos peritos, permitiu o encaminhamento dos pedidos de concessão de benefícios, de restabelecimento de valores e de suspensão de descontos irregulares. “É uma verdadeira inclusão de poderes em favor de uma população tão distante e tão carente”, apontou o magistrado. “Isso é Justiça presente”, finalizou.

Programação Durante quase duas semanas, a segunda etapa da 7ª Expedição Araguaia-Xingu cruzou as estradas do Vale do Araguaia levando serviços e cidadania a diferentes comunidades da região. Entre 5 e 12 de novembro, as equipes estiveram em três pontos do nordeste mato-grossense — a Agrovila Jacaré Valente e o Distrito de Veranópolis, em Confresa, e o Distrito de Espigão do Leste, em São Félix do Araguaia. Nesse período, além de orientação jurídica, foram ofertados serviços como emissão e atualização de documentos (RG, CPF, Certidão de Nascimento e Título Eleitoral), consultas de saúde, vacinação, exames de vista e atividades recreativas e educativas.

Parceria A iniciativa foi coordenada pelo Poder Judiciário de Mato Grosso, com estrutura de serviços do próprio Judiciário por meio do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc), Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (Nugjur), Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja) e Juizado Volante Ambiental (Juvam).

Também integraram a ação uma ampla rede de parceiros: Defensoria Pública, Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT), Ministério Público de Mato Grosso, Politec, Justiça Federal, Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), Polícia Judiciária Civil (PJC), Companhia de Polícia Ambiental, Corpo de Bombeiros Militar, Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), Secretaria de Estado de Saúde (SES), Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel).

Somaram-se ainda a Receita Federal, Caixa Econômica Federal, INSS, Assembleia Legislativa, Exército Brasileiro, prefeituras dos municípios atendidos e parceiros privados, como Aprosoja, Energisa, Paiaguás Incorporadora e Bom Futuro.

Autor: Talita Ormond

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Projeto de leitura transforma experiências e amplia horizontes de pessoas privadas de liberdade

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Visão em ângulo de uma pessoa folheando um livro aberto sobre uma mesa branca. Uma das mãos segura uma caneta azul, apontando para o texto que traz fotos em preto e branco de crianças.Durante a III Capacitação – Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição de Pena, realizada nos dias 2 e 3 de junho, em formato virtual, a professora Silvia Aparecida Duarte Fraga apresentou a experiência desenvolvida na Cadeia Pública de Alto Araguaia (421km de Cuiabá) por meio do projeto “Viagem Sobre as Grades – Remição Pela Leitura e Expressão de Sentimentos”. A iniciativa integra as boas práticas educacionais desenvolvidas no sistema prisional mato-grossense.

Promovido pelo Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF/TJMT), pela Coordenadoria de Educação de Jovens e Adultos (Coeja/Seduc-MT) e pelo Núcleo de Educação no Sistema Penitenciário (NESP/SAAP/Sejus-MT), o evento reuniu educadores e profissionais que atuam com a remição de pena pela leitura em unidades prisionais de Mato Grosso.

Ao relatar sua trajetória no projeto, Silvia contou que recebeu o convite para atuar com pessoas privadas de liberdade de forma inesperada. Com mais de duas décadas dedicadas à educação de crianças e adolescentes, ela afirmou que a experiência a levou a romper preconceitos e ampliar sua visão sobre os processos de aprendizagem.

“O aprendizado vai muito além das quatro paredes de uma sala de aula. Pequenos esforços e a leitura permitem que a pessoa vá além do que os olhos enxergam”, destacou.

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Segundo a educadora, o nome do projeto surgiu a partir da fala de um dos participantes. “Ele disse que, quando estava na sala realizando as atividades de leitura, sentia o corpo preso, mas a mente voando. Foi aí que compreendi o significado da leitura naquele ambiente”, relatou.

A iniciativa é desenvolvida em etapas que estimulam a expressão de sentimentos, o autoconhecimento e a construção de novos projetos de vida. Uma das atividades consiste na elaboração de uma árvore de palavras, em que os participantes registram emoções, desejos e percepções por meio de palavras-chave.

Outra ação de destaque é a produção de cartas motivacionais. Nessa atividade, os alunos são convidados a escrever para si mesmos, assumindo a perspectiva de um desconhecido. O exercício incentiva o uso de palavras positivas, conselhos, reflexões sobre mudanças, sonhos e possibilidades, além da valorização pessoal e da esperança.

De acordo com Silvia, os resultados observados incluem o fortalecimento da autoestima, a ampliação da capacidade emocional, o aumento do interesse pela leitura e o enriquecimento do vocabulário dos participantes.

Ouvidoria apresenta canais de atendimento e orientação ao cidadão

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A programação também contou com a participação do ouvidor setorial da Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT), Ricardo Augusto de Oliveira, que apresentou orientações sobre os canais de atendimento da Ouvidoria e os procedimentos para registro de manifestações.

Segundo ele, a Ouvidoria atua como uma ponte entre o cidadão e a administração pública, recebendo demandas, orientando os usuários e encaminhando as solicitações aos setores responsáveis para análise e providências dentro dos prazos estabelecidos.

“O papel da Ouvidoria também é educativo, orientando o cidadão sobre o melhor caminho para registrar sua manifestação e acompanhar o atendimento”, explicou.

O ouvidor destacou ainda os cursos oferecidos pela instituição para capacitar servidores públicos e aprimorar a qualidade dos atendimentos. Durante a apresentação, ele orientou os participantes sobre a utilização do sistema Fale Cidadão, ferramenta disponibilizada pela Controladoria Geral do Estado e acessível por meio dos portais oficiais do Poder Executivo Estadual.

Autor: Patrícia Neves

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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