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Emprega Labs é lançado em Mato Grosso com assinatura de pactos por trabalho e ressocialização

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Auditório com iluminação clara, com dezenas de pessoas. Algumas sentadas em poltronas, outras no palco, em frente a um telão em azul com letras brancas. Mato Grosso deu mais um passo na ampliação das políticas de ressocialização por meio do trabalho com o lançamento oficial do Emprega Labs Mato Grosso, realizado nesta terça-feira (19) no Auditório Desembargador Gervásio Leite, no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). A iniciativa une o Poder Judiciário, o Poder Executivo, o setor produtivo e instituições nacionais para estruturar ações permanentes de empregabilidade voltadas a pessoas privadas de liberdade e egressas do sistema prisional, como parte da estratégia Pena Justa – Emprega.

O evento reuniu representantes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Governo do Estado, Ministério dos Transportes, empresários e órgãos ligados ao sistema penal para estruturar os primeiros passos do programa no estado, escolhido como território-piloto do Centro-Oeste. As primeiras vagas do programa estarão vinculadas ao setor de transportes.

Homem branco, com cabelos brancos. Ele usa terno bege, suéter verde e segura um microfone enquanto fala em um púlpito de madeira.O presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, José Zuquim Nogueira destacou que a iniciativa representa uma mudança de paradigma no sistema prisional.

“Hoje é um dia lindo, em que damos as mãos para uma nova caminhada que, com toda certeza, será exitosa e transformadora. Precisamos trabalhar para que realmente seja resgatada não só a dignidade do ser humano, mas também a sua reinserção na nossa sociedade. Não há segurança pública sem o processo de ressocialização”, afirmou.

Homem branco, com cabelos grisalhos. Ele usa terno preto, camisa branca e gravata bordô, enquanto segura um microfone, falando atrás de um púlpito de madeira. Trabalho e educação como pilares

Supervisor do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF/TJMT), o desembargador Orlando Perri reforçou que o trabalho e a educação precisam estar no centro das políticas penais.

“Sem o trabalho e sem a educação, nós não vamos conseguir a recuperação de ninguém que está cumprindo a sua pena. O que nós pretendemos aqui é fazer com que pelo menos a metade – esta é a meta do Conselho Nacional de Justiça no Pena Justa – das pessoas que cumprem pena trabalhem”, declarou.

Homem branco com barba. Usa terno preto, camisa branca e gravata amaerla com estampas. Ele segura um microfe, enquanto fala em um púlpito de madeira, em frente a bandeira do estado de Mato Grosso.Representando o CNJ, o coordenador do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e do Sistema de Execução de Medidas Socioeducativas do CNJ (DMF/CNJ), desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) Luís Geraldo Sant’Ana Lanfredi ressaltou que o Emprega Lab propõe uma política pública de segurança baseada em oportunidades.

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“Nós estamos envolvendo segurança, segurança sem dar um tiro, segurança sem derramar uma gota de sangue, no sentido de possibilitar que as pessoas realmente possam acreditar em dias melhores”, afirmou, acrescentando que a iniciativa também combate preconceitos históricos sobre a mão de obra prisional.

Homem branco, careca. Ele usa óculos, ternno azul e camisa branca. Fala ao microfone, atrás de um púlpito de madeira, em frente a bandeiras do Brasil, Mato Grosso e do Poder Judiciário.Mato Grosso como referência nacional

Governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta destacou que o trabalho é um dos instrumentos mais eficientes para transformar a realidade do sistema penitenciário.

“Nós sabemos que não é possível fazer segurança pública sem transformar os nossos centros de detenção em lugares de ressocialização. Realmente, eu não vejo nada mais eficiente do que o trabalho continuado para construir ou para que essas pessoas possam reconstruir suas vidas”, disse.

Homem branco, com cabelos grisalhos. Ele usa óculos, terno preto, camisa azul e gravata escura. Ele segura um micronfe e fala em frente a um telaão azul com letras brancas.Representante do Ministério dos Transportes, Ricardo Luís Medeiros Meirelles afirmou que Mato Grosso já se consolida como referência nacional no tema.

“Mato Grosso se destaca como modelo para o país, e dessa forma toda a estrutura já implantada permite que essa política pública se mostre eficiente, eficaz e com uma capacidade bastante grande de reintegração social”, destacou.

O gerente de programas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, David Marques acredita que as oportunidades de trabalho que passarão a ser ofertadas podem ser meios para uma mudança no cenário da própria segurança pública.

“Oferecendo trabalho, em condições dignas, a gente tem a possibilidade de começar a transformar esse cenário da segurança pública e do ambiente prisional no Brasil”, assegurou.

Mulher branca, com cabelos castanhos escuros. Ela usa blusa azul marinho, segura um microfone enquanto fala atrás de um púlpito de madeira, em frente a bandeira de Mato Grosso, que tem as cores azul, branca, verde e amarela.Inclusão com dignidade

A procuradora-chefe do Ministério Público do Trabalho da 23ª Região, Thaylise Campos Coleta de Souza Zaffani reforçou que o projeto também precisa garantir condições dignas de trabalho.

“Nós estamos procurando trabalho para essas pessoas, mas não qualquer trabalho. Estamos procurando trabalho, mas um trabalho que seja digno. A inclusão produtiva dessas pessoas exige responsabilidade, mas também exige coragem social”, ratificou.

Representando a concessionária Nova Rota do Oeste, Tharley Teixeira anunciou as primeiras oportunidades disponibilizadas pela parceria.

“É o primeiro degrau dessa longa caminhada. Nós estamos com 43 vagas, sendo 40 vagas disponibilizadas pela nossa parceira, que trabalha nas frentes de manutenção da rodovia, que é a SS Trevo, mais três vagas administrativas dentro da sede da Nova Rota do Oeste em Cuiabá”, explicou.

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Assinaturas consolidam compromissos

Durante a solenidade, foram assinados três documentos: o primeiro deles foi a Portaria Conjunta que institui oficialmente o Emprega Labs Mato Grosso no âmbito do Comitê Estadual de Políticas Penais; também foi assinada a Carta de Cuiabá, pacto firmado entre instituições públicas e privadas para ampliar vagas e fortalecer a inserção de mão de obra no setor de transportes; e o Termo de Intermediação de Mão de Obra Remunerada.

Homem branco, de terno bege inclinado sobre uma mesa, com uma caneta para assinatura de documentos. Ao fundo, telão exibe o texto "Pena Justa Empregabilidade", outros três homens aparecem na cena.Reeducandos participaram da agenda

A programação desta terça-feira também contou com a presença de 40 reeducandos que já atuam em atividades laborais fora das unidades prisionais, por meio da Fundação Nova Chance (Funac).

Também participaram da solenidade o ouvidor-geral do Poder Judiciário de Mato Grosso, desembargador Rodrigo Roberto Curvo; a desembargadora Clarice Claudino da Silva; a juíza federal e coordenadora do eixo Trabalho e Renda do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, Maria Rosi Meira Borba; o juiz coordenador do GMF/MT, Geraldo Fernandes Fidélis Neto; o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Max Russi; o secretário de Estado de Justiça, Valter Furtado Filho; o presidente da Fundação Nova Chance, Winkler de Freitas Teles; a juíza auxiliar da presidência do TRT-23, Leda Borges de Lima; e representantes das empresas parceiras.

Sobre o Emprega Labs

O Emprega Labs faz parte da estratégia Pena Justa – Emprega e funcionará como uma instância estadual de governança voltada à formulação de estratégias de empregabilidade para pessoas privadas de liberdade e egressas do sistema prisional. A proposta envolve a criação de oportunidades por meio do emprego formal, empreendedorismo, cooperativismo e economia criativa.

Autor: Vitória Maria Sena

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Palestra alerta sobre cooptação de jovens por facções em MT

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O recrutamento de crianças e adolescentes por facções criminosas, com foco nos mecanismos de cooptação e nos desafios de prevenção e enfrentamento, foi o eixo central da palestra ministrada pelo promotor de Justiça João Batista de Oliveira, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), nesta terça-feira (19), durante o 1º Encontro dos Direitos e Garantias Fundamentais e o 5º Encontro Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente de Mato Grosso.
A mesa de debates foi presidida pelo juiz de Direito da 7ª Vara Criminal da Comarca de Cuiabá, Jean Garcia de Freitas Bezerra, e contou como debatedoras com a juíza da Vara da Infância e Juventude de Sinop, Melissa de Lima Araújo, e a promotora de Justiça Laís Liane Resende, coordenadora adjunta do Centro de Apoio Operacional de Atos Infracionais.
Logo no início, o palestrante alertou para a fragilidade da rede de proteção e suas consequências diretas. “Quando a rede de proteção falha, as facções se apoderam de nossas crianças e adolescentes. Isso é um problema grave que nós temos e que precisa ser enfrentado com prioridade”, afirmou.
Durante a exposição, João Batista detalhou os fatores que facilitam o aliciamento de jovens por organizações criminosas, destacando vulnerabilidades sociais, familiares e educacionais. Ele apontou que a pobreza extrema, a fragilidade dos vínculos afetivos e o uso de drogas no ambiente familiar contribuem diretamente para esse processo.
“Famílias desestruturadas, com fragilidade de vínculos e problemas de adição, acabam deixando essas crianças expostas. A rede de proteção não consegue acolher de maneira adequada e as facções passam a ocupar esse espaço”, explicou.
No campo educacional, o promotor ressaltou a evasão escolar como um dos principais vetores de risco. Segundo ele, há grande diferença entre classes sociais, com índices muito mais elevados entre populações vulneráveis. “Nós temos uma evasão escolar absurda nas classes C, D e E, e isso contribui efetivamente para o aliciamento”, pontuou.
O contexto comunitário também foi abordado como elemento determinante para o fortalecimento das facções, que passam a ocupar lacunas deixadas pelo poder público. Essas organizações oferecem benefícios imediatos, como assistência e lazer, criando um sentimento de pertencimento. “Eles promovem uma falsa ideia de acolhimento, oferecendo segurança e atividades que o Estado não entrega, o que facilita a cooptação desses jovens”, destacou o palestrante.
Para dimensionar a gravidade do problema, foram apresentados dados nacionais do Atlas da Violência. Em 2023, o Brasil registrou 45.747 homicídios, sendo que 47,8% envolveram jovens entre 15 e 29 anos. No mesmo período, 21.856 jovens foram mortos, o que corresponde a uma média de 60 vítimas por dia.
O promotor também destacou o perfil das vítimas da violência letal, evidenciando desigualdades estruturais. Dados mostram que 82,9% das vítimas entre 0 e 19 anos são negras, com predominância de adolescentes do sexo masculino entre 15 e 19 anos. Sobre esse cenário, ele enfatizou: “O dado que mais assombra é justamente esse recorte racial. Nós temos uma juventude negra sendo muito mais atingida pela violência, em um índice muito superior ao da população branca”.
Em Mato Grosso, o cenário também preocupa. O palestrante mencionou crescimento de quase 39% nas mortes de jovens entre 15 e 25 anos, com média de 22 óbitos por mês. Para ele, o dado reforça a necessidade de políticas públicas mais efetivas e integradas. “Quando a gente insiste na atuação da rede e nas políticas públicas, é justamente para que isso não aconteça. Sem essa atuação, nós vamos perder nossos jovens para a criminalidade”, alertou.
A palestra ainda evidenciou a evolução das estratégias criminosas envolvendo adolescentes. Entre 2020 e 2026, houve aumento da utilização das redes sociais para recrutamento e controle, formalização de “batismos” em facções e expansão do chamado “tribunal do crime”.
Outro ponto de destaque foi a influência das facções no sistema socioeducativo. Dados apresentados indicam que, em Mato Grosso, dos 240 adolescentes em cumprimento de medidas, 132 possuem indícios de vínculo com organizações criminosas. Para o promotor, isso demonstra a necessidade de atuação mais efetiva dentro e fora das unidades. “Precisamos de estratégias para romper esse vínculo e oferecer alternativas reais de reintegração social”, disse.
Durante o debate, a promotora Laís Liane Resende enfatizou a gravidade do cenário e a velocidade com que o recrutamento tem ocorrido. “É um soco no estômago lidar com essa realidade. A sensação é que estamos em uma guerra e estamos perdendo, porque a cada caso solucionado, novos grupos já estão sendo formados”, afirmou.
A juíza Melissa de Lima Araújo trouxe exemplos que apontam caminhos possíveis, ainda que pontuais. “Quando um adolescente consegue se recuperar e reconstruir sua trajetória, isso já representa um avanço importante, embora saibamos que o desafio ainda é enorme”, destacou.
Ao encerrar, o presidente da mesa, juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, reforçou a importância da atuação preventiva e integrada. “As facções não recrutam esses adolescentes à força, elas os convencem, porque chegam primeiro que o Estado e preenchem lacunas deixadas pela família, pela escola e pela sociedade”, pontuou. Ele concluiu destacando que o enfrentamento passa pela atuação conjunta das instituições: “O problema está na origem, na captação, e é ali que precisamos atuar para quebrar esse ciclo”.
Saiba mais – O encontro é uma iniciativa conjunta do MPMT, por meio da Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Criança e do Adolescente e do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf); do Poder Judiciário, por meio da Esmagis, da Escola dos Servidores, da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja) e da Coordenadoria da Infância e Juventude (CIJ); e da Faculdade Autônoma de Direito (Fadisp), com apoio da Fundação Escola de Ensino Superior do Ministério Público (FESMP‑MT).
Texto: Julia Munhoz (MPMT) / Foto: Josi Dias (TJMT)

Autor: Assessoria

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Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

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Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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