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MPMT promove diálogo para fortalecer organizações do terceiro setor

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Com o objetivo de fortalecer o diálogo com entidades da sociedade civil organizada e construir estratégias conjuntas para o aprimoramento do terceiro setor em Mato Grosso, a 26ª Promotoria de Justiça Cível de Cuiabá – Fazenda Pública e Fundações Privadas realizou, na tarde desta quarta-feira (28), uma reunião institucional com representantes de dezenas de associações da capital e de Várzea Grande. Cerca de 60 pessoas participaram do encontro no Auditório da Sede das Promotorias de Justiça de Cuiabá.A reunião foi conduzida pelo promotor de Justiça Renee do Ó Souza, que iniciou convidando cada instituição a se apresentar, de modo a promover integração entre elas. Ele esclareceu as atribuições da Promotoria no velamento de fundações privadas e no apoio técnico às organizações sem fins lucrativos, ressaltando que o Ministério Público pretende atuar não apenas como órgão fiscalizador, mas como um agente de fortalecimento institucional e de aproximação com o terceiro setor.Renee destacou que a 26ª Promotoria de Justiça possui um formato de atuação diferenciado. “Eu não estou aqui para processar, fiscalizar, punir. É uma outra modelagem de Ministério Público”, afirmou. Segundo ele, o papel da unidade é “velar”, no sentido de orientar e iluminar caminhos, oferecendo suporte às entidades. “A vela ilumina, dissipa a escuridão e esquenta o coração. É isso que eu quero fazer com vocês”, completou.Conforme o promotor de Justiça, o objetivo inicial da reunião foi aproximar as associações, replicando a experiência bem-sucedida realizada com as fundações em 2025. “O que eu quero é me aproximar mesmo, para desenvolvermos um trabalho dentro do terceiro setor, lado a lado”, afirmou. Ele citou o projeto Fundações Portas Abertas, que promoveu visitas institucionais e intercâmbio de vivências. “Fundações que realizam trabalhos primorosos sequer se conheciam. Passaram a estreitar laços e até realizar negócios entre si”, relatou.Em um segundo momento, o promotor explicou que o fortalecimento do terceiro setor passa pela possibilidade de transformar associações consolidadas em fundações, modelo que oferece maior credibilidade e estabilidade institucional devido ao acompanhamento anual do Ministério Público. Ao diferenciar os tipos de pessoas jurídicas, destacou que as fundações, por serem estruturadas sobre patrimônio destinado a um fim duradouro, conferem mais segurança à continuidade dos projetos. “O que eu quero é que vocês reflitam se vale a pena transformar suas associações em fundações”, disse, lembrando que essa mudança também garante a continuidade do propósito original das entidades. O promotor reforçou que, para avançar nessa direção, as organizações precisam de gestão profissionalizada e de modelos econômicos próprios que garantam sustentabilidade. “A fundação vai viver do quê? Entra aqui a necessidade de profissionalização do terceiro setor”, explicou. Ele destacou ainda que Mato Grosso associa o terceiro setor unicamente à caridade, o que limita a expansão de iniciativas e ajuda a explicar o baixo número de fundações no estado. E para exemplificar caminhos de sucesso, citou instituições como o Hospital das Clínicas de São Paulo, a Fundação da Polícia Militar de Minas Gerais e a Fundação Getúlio Vargas, que se sustentam por atividades econômicas próprias. “O terceiro setor movimenta a economia. Ele pode alavancar soluções onde o Estado e o mercado não dão conta”, concluiu.Para Gabriel Coutinho, da Associação Solidariedade, Amparo e Resgate (Solar), a reunião aproximou instituições e ampliou oportunidades de cooperação. “Foi muito importante e promissor porque quebra barreiras”, avaliou. Ele se propôs a criar um grupo em aplicativo de mensagens para reforçar essa conexão. Suzi Monteiro, presidente da Associação Lunaar, destacou que essa aproximação é fundamental, pois fortalece as instituições e amplia o alcance das ações sociais. Ela lembrou a parceria existente entre a associação e o MPMT, via Bapre, que viabiliza projetos como o CastraMóvel (unidade móvel para castração de animais domésticos). O advogado Josias da Silva Jesus, representante do Instituto Cordemato, observou que “a governança é a parte mais importante de uma instituição” e que a boa prestação de contas é fundamental para garantir novos projetos. Para ele, a iniciativa do Ministério Público representa “uma provocação de extrema importância”. Também presente, a gerente executiva do Instituto Desportivo da Criança, Selma Lopes, ressaltou que o movimento conduzido pelo promotor fortalece os laços entre as organizações e amplia a compreensão sobre a atuação jurídica no terceiro setor. Para ela, é um passo importante rumo à sustentabilidade e independência das entidades. “Que a gente possa crescer, evoluir e construir algo maior”, afirmou.Recursos – Durante o encontro, os participantes também conheceram o Banco de Projetos, Fundos e Entidades (Bapre) do Ministério Público de Mato Grosso, apresentado pelo gerente de Gestão do Departamento de Planejamento (Deplan), João Batista Galindo Santos, que explicou o funcionamento da plataforma. O promotor Renee do Ó esclareceu que o Bapre organiza a destinação de recursos provenientes de acordos nas esferas cível e criminal. “O Ministério Público não tem dinheiro próprio para repassar às entidades. O que existe são acordos celebrados e recursos destinados para os projetos cadastrados no banco”, afirmou. Ele reforçou ainda a importância da elaboração de projetos consistentes e anunciou que a Fundação Uniselva oferecerá capacitações para auxiliar as organizações a desenvolver propostas mais competitivas.Agenda de trabalho – No encerramento da reunião, o promotor apresentou uma agenda de atividades que será desenvolvida ao longo dos próximos meses, com o objetivo de aprofundar as discussões e promover a capacitação das entidades. A primeira ação será realizada em 25 de fevereiro, às 14h, com uma visita técnica à Fundação Uniselva, na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), onde os participantes poderão conhecer de perto um modelo autossustentável de referência no estado.No dia 6 de março, ocorrerá o Encontro Estadual do Terceiro Setor, na sede das Promotorias de Justiça de Cuiabá. As entidades presentes poderão montar estandes para apresentar seus projetos, serviços e produtos ao público. Por fim, nos dias 5 e 6 de maio, será promovido, em parceria com a UFMT, o Congresso do Terceiro Setor, evento de caráter acadêmico que reunirá especialistas para debater o futuro da área e compartilhar experiências de gestão, inovação e sustentabilidade. “Essas atividades vão inspirar vocês a criar modelos capazes de sustentar a missão de cada entidade”, concluiu o promotor.Os participantes da reunião ainda receberam um exemplar da cartilha “Como Nasce uma Fundação”, elaborada pelo MPMT, que pode ser consultada aqui.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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Liminar atende MPMT e cobra reforço na Politec de Pontes e Lacerda

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A Justiça deferiu, nesta segunda-feira (25), o pedido de tutela de urgência formulado pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) em ação civil pública que cobra a regularização do quadro de profissionais na unidade da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) de Pontes e Lacerda (444 km de Cuiabá). A decisão atende solicitação apresentada pela promotora de Justiça Mariana Batizoco Silva Alcântara.A ação foi proposta após apuração de irregularidades no funcionamento da unidade, especialmente relacionadas à insuficiência de papiloscopistas e técnicos em necropsia. De acordo com o Ministério Público, o déficit de servidores tem comprometido a realização de perícias urgentes em uma região que abrange 10 municípios, gerando prejuízos à população e à própria persecução penal.O processo evidencia que a Politec local opera com quadro reduzido, contando com apenas dois papiloscopistas e dois técnicos em necropsia, além de registros frequentes de escalas de plantão incompletas. Em fevereiro de 2026, por exemplo, foram constatados oito dias sem papiloscopista e dois dias sem técnico em necropsia, enquanto a escala de maio do mesmo ano indicou dias totalmente sem cobertura pericial e poucos períodos com equipe completa.A precariedade do serviço também teve reflexos diretos na população. Um dos casos citados nos autos relata que uma família aguardou mais de dez horas para a liberação de um corpo após acidente de trabalho, em razão da ausência de equipe disponível na unidade. Na decisão, o juiz Marcelo Ferreira Botelho reconheceu a presença dos requisitos legais para concessão da tutela de urgência. Segundo o magistrado, a atividade pericial é essencial para a segurança pública e para a produção de provas nos processos criminais, sendo dever do Estado garantir a continuidade e a eficiência do serviço. O magistrado ressaltou ainda que os elementos juntados ao processo demonstram que a deficiência é estrutural, recorrente e reconhecida pela própria administração, que apontou a necessidade de concurso público para recomposição do quadro. Para o Judiciário, a omissão estatal injustificada autoriza a intervenção judicial, sem violação ao princípio da separação dos poderes. Com a decisão, o Estado de Mato Grosso deverá adotar providências para o provimento das vagas de papiloscopista e técnico em necropsia no prazo de 30 dias. Também foi determinado que, em até 15 dias, sejam iniciados ou demonstrados os procedimentos para contratação temporária emergencial desses profissionais, até que ocorra o preenchimento definitivo dos cargos. Além disso, o Estado deverá implementar de forma imediata medidas de gestão para garantir o funcionamento contínuo da unidade, como o remanejamento de servidores de outras regiões, oferta de plantões extraordinários e suporte logístico necessário para cobrir integralmente as escalas de plantão.A decisão também prevê que o Estado apresente relatório detalhado das ações adotadas, incluindo cronograma de contratação e escala de trabalho atualizada, sob pena de aplicação de multa em caso de descumprimento.Na ação, o Ministério Público destaca que a falta de profissionais compromete não apenas o atendimento à população, mas também o andamento de investigações e processos judiciais, uma vez que a perícia oficial é indispensável para a comprovação da materialidade dos crimes, conforme previsto na legislação processual penal.

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Nº PJE: 1002848-13.2026.8.11.0013.

Fotos: Politec-MT

Fonte: Ministério Público MT – MT

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