O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, afirmou, nesta terça-feira (27) que a intenção do governo federal é aprovar o arcabouço fiscal segundo o relatório do Senado. O projeto voltou à Câmara após sofrer alterações que retiraram gastos do limite fiscal, liberando mais espaço no Orçamento.
O relator no Senado, Omar Aziz, retirou do texto o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) e o Fundo Constitucional do Distrito Federal.
“Tanto a Câmara quanto o Senado fizeram ótimos trabalhos. Vamos ter a oportunidade de conversar com os líderes. A ideia é manter o texto aprovado no Senado. Achamos que o texto final do Senado mantém o equilíbrio de responsabilidade fiscal com responsabilidade social, sinaliza positivamente que o Brasil vai investir mais em saúde, educação, infraestrutura, sem ser irresponsável do ponto de vista fiscal”, afirmou o ministro, que acredita na votação do texto enviado à Câmara na semana que vem.
A declaração foi dada após reunião, no Ministério da Fazenda, com o ministro Fernando Haddad e o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PE-CE).
Segundo Padilha, a principal alteração feita no Senado que deve ser mantida é a da regra do IPCA, que teve como origem uma emenda do senador Randolfe Rodrigues (sem partido – AP), líder do governo no Congresso, que pode evitar um corte de até R$ 40 bilhões no Projeto de Lei Orçamentária (Ploa) de 2024.
O relator do projeto na Câmara , Cláudio Cajado , no entanto, indicou que deve reverter as mudanças feitas no Senado. Cajado disse que os senadores não seguiram “justificativas técnicas” para excluir as despesas do teto.
Fundeb e FCDF já estavam fora do arcabouço fiscal na proposta inicial do governo, mas Cajado decidiu incluí-los e não ficou satisfeito com a reversão da decisão proposta pelo Senado.
O presidente Lula sancionou, sem vetos, o projeto de lei que permite a participantes e assistidos de plano de previdência complementar optar pelo regime de tributação na ocasião da obtenção do benefício ou do resgate dos valores acumulados. De autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), a matéria foi relatada pelo senador Jayme Campos (União-MT) na Comissão de Assuntos Sociais.
Agora, pela lei 14803/2024 os beneficiários dos planos passam a ter melhores condições de optar em relação à escolha pelo regime progressivo ou regressivo de tributação de sua renda previdenciária. A legislação de 2004 determinava que o prazo para opção era até o mês seguinte ao ingresso do usuário no plano.
“Trata-se de uma importante, aperfeiçoa e melhora a legislação no momento em que abrange milhões de brasileiros, sobretudo nessa questão fundamental, que é o momento de estruturar sua previdência social” – frisou Jayme Campos.
Jayme Campos lembrou que decidir o regime de tributação a ser aplicado em um plano de previdência específico, exigia que o cidadão analisasse uma série de “sofisticadas variáveis técnicas”, e contemplar diversos condicionantes de ordem pessoal, vinculados a seu perfil, sua situação familiar e orçamentária e seus objetivos de curto e longo prazo. Por isso, enalteceu a decisão do Senado e a sensibilidade do Governo.
Ele ressaltou ainda que era latente o prejuízo que a regra então vigente causava pela inflexibilidade quanto à escolha do regime de tributação. Jayme citou o exemplo dos que, em face de uma situação emergencial, se via compelido a resgatar o montante dos recursos acumulados em seu plano de previdência, com o ônus de ter que pagar muito mais imposto do que pagaria se lhe fosse permitido optar, na ocasião, pelo regime de tributação.
“Agora, felizmente, isso mudou” – disse, ao cumprimentar o senador Paulo Paim pela iniciativa.
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