Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados, durante coletiva à imprensa no salão verde da Câmara
O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), se reuniu com líderes partidários neste domingo (2) e promete votar a reforma tributária até sexta-feira (7), para isso, irá iniciar a análise da matéria em plenário já nesta segunda (3).
Além disso, Lira pretende dar início à votação do projeto de lei do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) hoje. Até sexta, o presidente da Câmara quer que sejam votados também o arcabouço fiscal e a recriação do Programa de Aquisição de Alimentos.
A reforma tributária foi enviada pelo governo em forma de Proposta de Emenda de Constituição (PEC), portanto, precisa ter ao menos 4 sessões de análise na Câmara no primeiro turno e duas no segundo turno.
O PL do Carf deve ser o primeiro a avançar no Congresso, já que teve o pedido de urgência aprovado há duas semanas.
Lira também deve cancelar todas as comissões e audiências da Câmara para acelerar a tramitação das pautas econômicas.
A votação da reforma, no entanto, pode demorar mais que uma semana, isso porque governadores sugeriram alterações no texto do relator, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), na última quinta-feira, como:
·uma transição para o novo sistema de impostos apenas em 2033;
·regras mais claras para a composição do Conselho Federativo, que vai redistribuir receitas de estados e municípios;
·critérios para repartição do Fundo de Desenvolvimento Regional (Fundeb) que priorizem estados mais pobres do país.
A proposta dos estados é que o IBS, que unirá ICMS E ISS, passe a valer de uma só vez apenas em 2033. Hoje, o texto do relator da traz a criação do IBS já em 2027, de forma gradativa, até vigorar de forma integral em 2033.
O presidente Lula sancionou, sem vetos, o projeto de lei que permite a participantes e assistidos de plano de previdência complementar optar pelo regime de tributação na ocasião da obtenção do benefício ou do resgate dos valores acumulados. De autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), a matéria foi relatada pelo senador Jayme Campos (União-MT) na Comissão de Assuntos Sociais.
Agora, pela lei 14803/2024 os beneficiários dos planos passam a ter melhores condições de optar em relação à escolha pelo regime progressivo ou regressivo de tributação de sua renda previdenciária. A legislação de 2004 determinava que o prazo para opção era até o mês seguinte ao ingresso do usuário no plano.
“Trata-se de uma importante, aperfeiçoa e melhora a legislação no momento em que abrange milhões de brasileiros, sobretudo nessa questão fundamental, que é o momento de estruturar sua previdência social” – frisou Jayme Campos.
Jayme Campos lembrou que decidir o regime de tributação a ser aplicado em um plano de previdência específico, exigia que o cidadão analisasse uma série de “sofisticadas variáveis técnicas”, e contemplar diversos condicionantes de ordem pessoal, vinculados a seu perfil, sua situação familiar e orçamentária e seus objetivos de curto e longo prazo. Por isso, enalteceu a decisão do Senado e a sensibilidade do Governo.
Ele ressaltou ainda que era latente o prejuízo que a regra então vigente causava pela inflexibilidade quanto à escolha do regime de tributação. Jayme citou o exemplo dos que, em face de uma situação emergencial, se via compelido a resgatar o montante dos recursos acumulados em seu plano de previdência, com o ônus de ter que pagar muito mais imposto do que pagaria se lhe fosse permitido optar, na ocasião, pelo regime de tributação.
“Agora, felizmente, isso mudou” – disse, ao cumprimentar o senador Paulo Paim pela iniciativa.
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