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Se fazer irmão, estender a mão: a Câmara Municipal de Cuiabá e a solidariedade na enchente de 1974

Publicado em

10/06/2024
Se fazer irmão, estender a mão: a Câmara Municipal de Cuiabá e a solidariedade na enchente de 1974
A Câmara Municipal de Cuiabá realizou uma campanha de arrecadação de donativos e os enviou para o Estado do Rio Grande do Sul no último dia 16 de maio. Foram enviados aproximadamente duas toneladas de donativos, dentre alimentos e peças de vestuário, que se juntarão aos demais que são enviados de todos os cantos do Brasil para as vítimas da enchente que castiga há semanas o Estado gaúcho. As cenas dessa tragédia são reproduzidas diariamente, mas da mesma maneira conhecemos inúmeros gestos de solidariedade, como esse promovido pelo parlamento cuiabano.

É comum acompanharmos tragédias que são resultado de fenômenos naturais intensos e inesperados, e nós temos um grande exemplo na história de Cuiabá. Em março deste ano (2024) completaram 50 anos de uma das maiores tragédias naturais na cidade: a enchente de 1974. Esse episódio foi vastamente explorado por conta do seu aniversário de meio século. No mês de março daquele ano intensificaram as chuvas na cabeceira do rio Cuiabá e de seus afluentes, e na capital, os bairros do Terceiro, Barcelos e Várzea Ana Poupino foram os mais atingidos, ficando cobertos pelas águas e com milhares de pessoas desabrigadas e desabastecidas. Não nos propomos a priorizar a tragédia, o sofrimento das famílias que perderam suas casas e pertences, mas apresentar neste artigo o movimento de solidariedade da população local e de outras cidades, e o empenho da Câmara Municipal e de seus vereadores no atendimento aos flagelados.

Ainda no dia 13 de março de 1974, quando as águas do rio se aproximavam do nível da ponte Júlio Müller, o vereador Mário Márcio apresentou um Requerimento ao Secretário de Recursos Humanos da Prefeitura, na época sob a gestão de José Villanova Torres, indagando se haveria um programa de emergência para o atendimento aos possíveis flagelados. O que inicialmente era uma possibilidade se fez forma dois dias depois, com o ápice no dia 18 de março, quando o nível do rio Cuiabá atingiu 10,87 metros, de acordo com a Capitania dos Portos.

Na Câmara Municipal os vereadores se reuniram em sessão ordinária na noite do dia 18 de março e discutiram a calamidade que havia se instalado na cidade e prontamente buscaram atender a população desabrigada. O vereador Wilson Diniz agradeceu a imprensa que se dedicava não só a noticiar, mas a orientar a população. Antevendo que os moradores não voltariam para as suas casas (em sua maioria de adobe), Diniz sugeria que a Cohab planejasse com urgência a construção de novas moradias. Nessa sessão surgiu uma proposta por parte do vereador Mário Márcio, que era a instalação no prédio da Câmara (sede na praça Alencastro) de um posto de atendimento aos flagelados, aberto diuturnamente, com o apoio dos vereadores e funcionários. A sugestão do vereador foi atendida por unanimidade.&nbsp&nbsp

O entrevistado da coluna Memórias do Legislativo Cuiabano foi o ex-vereador João da Silva Torres, que viveu a tragédia de 1974, sendo inclusive uma das vítimas, já que a casa da sua família foi alagada, chegando à altura de um metro. Conta-nos que os vereadores se uniram, independente de filiação partidária, para auxiliar os flagelados e contribuir com o poder público. A proposta de se tornar um centro de apoio aos flagelados não se efetivou, até porque o prédio da Câmara era pequeno, mas os vereadores se uniram, movidos pelo sentimento de cuiabania, fazendo parte da generosidade de todos. No período posterior à tragédia os vereadores estiveram ao lado dos desabrigados na construção de suas casas, cobrando ações efetivas do poder executivo do município.

À medida em que as águas do rio Cuiabá subiam e as casas imergiam, a solidariedade do povo cuiabano emergia. Dois postos de arrecadação de donativos foram instalados: no Mercado do Porto e na Escola Modelo Barão de Melgaço. Ao mesmo tempo voluntários se apresentavam para auxiliar no socorro aos flagelados, unindo-se ao trabalho dos militares. Tal dedicação confirma-se pela sessão do dia 20 de março, quando o então vereador Roberto França – redigiu o taquigrafo – teceu “considerações a respeito do lamentável acontecimento ocorrido na Capital do Estado e cidades circunvizinhas, com o desamparo de 3.000 à 3.200 famílias, face ao transbordamento das águas do rio Cuiabá. Agradece ao povo cuiabano a solidariedade humana dispensada aos flagelados, quando todos se manifestaram e se uniram, forçando uma corrente prá frente, para aliviar o sofrimento do seu irmão, naquela hora tão dramática”.

A exemplo da campanha nacional de envio de donativos que assistimos agora para o Rio Grande do Sul, sabemos de duas cidades que mobilizaram a sua população naquele momento para angariar e enviar donativos para os cuiabanos: Campo Grande e Dourados. O vereador Francisco Miranda realçou em sua fala na sessão de 20 de março o auxílio e a solidariedade da população da cidade de Campo Grande.&nbsp

O vereador Roberto França pediu aos pares que a Câmara enviasse uma Moção de Aplausos ao prefeito de Campo Grande, Levy Dias, como um reconhecimento pela sua atitude também humanitária junto às autoridades, comércio e o povo da cidade, que solidariza com os cuiabanos, promovendo grande campanha em seu benefício, com a doação de alimentos, roupas e medicamentos.&nbsp

O correspondente do jornal O Estado de Mato Grosso informava que a população, o comércio e associações da cidade se mobilizaram, que caminhões saiam às ruas pedindo donativos que eram por fim enviados para Cuiabá em aviões da Força Aérea. Da mesma forma, a população da cidade de Dourados mobilizou-se para angariar e enviar donativos para Cuiabá. O vereador Alves Ferraz, na mesma sessão, pediu aos pares que fosse enviada ao Prefeito Municipal daquela cidade uma Moção de Aplausos, pois enviaram para Cuiabá quatro veículos com víveres e medicamentos, para o atendimento aos flagelados.

Esses gestos de solidariedade de ontem e hoje serão necessários em outras oportunidades, pois infelizmente se avolumam os desastres que ocorrem em sua maioria por conta do descaso humano com o ambiente que os sustenta. Devemos sempre e por mais vezes, como diz na canção Heal The World do astro Michael Jackson: continuar enxugando o pranto dos homens, se fazendo irmão, estendendo a mão, e acender a chama da vida, para fazer a Terra inteira feliz.

Danilo Monlevade

Analista Legislativo

Fontes:&nbspEntrevista com ex-vereador João da Silva Torres em 24 de maio de 2024

Livro Ata das Sessões nº 23 – Arquivo Geral da Câmara Municipal de Cuiabá

O Estado de Mato Grosso – março e abril de 1974

Fonte: Câmara de Cuiabá – MT

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Arraiá do CCI Aideê Pereira reúne idosos e familiares em manhã de confraternização

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O clima junino tomou conta do Centro de Convivência de Idosos (CCI) Aideê Pereira do Nascimento, no bairro Novo Horizonte. Com café da manhã, quadrilha, bingo, música ao vivo, homenagem aos aniversariantes do mês e almoço de confraternização, o tradicional Arraiá reuniu idosos, familiares e servidores em um momento de lazer, integração e valorização da cultura popular, na manhã desta terça-feira (30).

A secretária-adjunta de Direitos Humanos de Cuiabá, Vilmara da Silva Vidica, conhecida como Bombom, destacou que a celebração vai muito além da diversão e fortalece os vínculos entre os participantes. “O Arraiá do Aideê é uma comemoração importante, tanto para a unidade quanto para os idosos. É um momento de integração e socialização, em que eles conseguem interagir, dançar e conviver. É uma festa linda, muito bem organizada e com grande participação. É uma verdadeira confraternização”, afirmou Bombom.

A aposentada Jacy da Silva, de 63 anos, foi uma das participantes que chamaram a atenção ao se vestir de noiva para a quadrilha. Frequentadora da unidade, ela conta que o CCI transformou sua rotina. “É muito divertido para a gente. Não é porque estamos na terceira idade que não temos mais condições de participar das coisas. É muito gratificante fazer parte daqui. Antes eu ficava em casa, travada, e comecei a participar do CCI. Hoje não sinto dores, graças aos funcionários que cuidam tão bem da gente. Aqui é uma família. Essa brincadeira é uma terapia para a alma e para a mente. Eu sou muito feliz aqui.”

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O professor de educação física Pedro, conhecido como Pedrão, ressaltou que o CCI oferece atividades permanentes para promover qualidade de vida aos idosos e que o arraiá representa um dos momentos mais aguardados do ano. “Sou suspeito para falar da minha unidade. Toda terça-feira realizamos o bailão e, hoje, unimos essa programação com a nossa festa cultural e a comemoração dos aniversariantes do mês. Atendemos diariamente cerca de 80 a 90 idosos, com atividades como ginástica, musculação, grupo de tricô e também o grupo de siriri.”

A presença dos familiares também marcou a festa. Talita Maria acompanhou o avô, Juracy Bonfim, de 89 anos, frequentador assíduo da unidade, ao lado da tia e do bisneto. Segundo ela, momentos como esse aproximam as famílias e estimulam ainda mais a participação dos idosos.

“Eu acho muito bacana reunir todos eles. É um momento diferente da rotina, de lazer, descontração e mobilidade. Trazer a família também é muito importante. Meu avô gosta muito daqui, vem praticamente todos os dias e sempre fala que os exercícios fazem muito bem para ele”, afirmou Talita.

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Há quase dois anos participando das atividades do CCI, Sueli dos Anjos, de 62 anos, afirma que encontrou na unidade um incentivo para manter a saúde e a disposição. “Está sendo maravilhoso. Essas atividades ajudam a trabalhar o corpo e fazem muito bem para a gente. Em dezembro completo dois anos participando e só tenho a agradecer.”

A animação da festa ficou por conta da dupla Eduardo Braga e Ketylen Reis, que embalou o público com muito forró durante toda a manhã. A programação faz parte do calendário dos Centros de Convivência de Idosos de Cuiabá e será realizada em todas as unidades.

No CCI Padre Firmo Pinto Duarte, o Arraiá será realizado na próxima quarta-feira (8). No CCI Maria Ignês, a festa acontecerá na sexta-feira (10). Já no CCI João Guerreiro, o evento será realizado no dia 30 de julho.

Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

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