Ministro do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Alexandre de Moraes
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes disse que a prisão preventiva do ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Mauro Cid, foi necessária devido ao “risco contínuo” da emissão de certificados falsos “para si ou para terceiro de interesse do grupo quando assim o desejarem”. Além dele, outras cinco pessoas também foram alvo de mandados de prisão.
“A liberdade dos representados gera risco contínuo e evidente para toda a sociedade, em razão de possível emissão de certificados falsos para si ou para terceiro de interesse do grupo quando assim o desejarem, uma vez que o quadro estrutural dos atos executórios dos delitos permanece em atividade para burla das medidas de controle sanitário de proteção à população”, afirmou o ministro, em decisão que autorizou a operação da PF nesta quarta-feira (3).
Segundo as investigações, Mauro Cid seria o “líder” do suposto esquema de falsificação de cartões de vacinação , alvo da operação da PF, que envolve Bolsonaro e sua filha, Laura.
Moraes afirmou que “a prisão preventiva se trata, portanto, de medida razoável, adequada e proporcional para garantia da ordem pública e para a conveniência da instrução criminal, havendo, neste caso, fortes indícios de que os investigados integram associação criminosa”.
“Além disso, são absolutamente relevantes os indícios da ocorrência efetiva dos crimes, especialmente no contexto agora noticiado de inserção de dados falsos em sistema de informações (art. 313-A do Código Penal – peculato eletrônico), o que indicaria, nos termos dos indícios já colhidos, a efetiva existência de uma organização criminosa articulada, com divisão de tarefas e de múltiplos objetivo”, acrescentou o ministro.
“As condutas dos investigados, portanto, são ilícitas e gravíssimas, pois, ainda que não possam ser vacinados compulsoriamente, buscaram por meios ilícitos as benesses advindas da política pública de vacinação, esquivando-se de eventuais penalidades administrativas previstas em lei e, consequentemente, causando risco público e sanitário para a coletividade, no contexto de uma pandemia mundial”, continuou.
A corporação cumpre 16 mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão preventiva, no Rio de Janeiro e em Brasília . Todas as prisões foram realizadas até as 7h.
As ações são parte da chamada Operação Venire, que investiga a prática de crimes na inserção de dados falsos sobre a vacinação contra a Covid-19 nos sistemas públicos do Ministério da Saúde.
Policiais da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) estão no conjunto de favelas da Maré, no Rio de Janeiro, nesta segunda-feira (13), para uma nova ação contra a lavagem de dinheiro do tráfico na região. A Polícia Militar e a Secretaria Municipal de Ordem Pública também participam da operação.
É a terceira fase da operação com o objetivo de dar continuidade às demolições de imóveis construídos pela organização criminosa, especialmente na comunidade do Parque União.
Empreendimentos
Conforme as investigações, há anos os criminosos usam a localidade para a construção e abertura de empreendimentos e, dessa forma, conseguem lavar o capital obtido com a venda de drogas. “Os agentes apuraram ainda a participação de funcionários de órgãos representativos da comunidade no esquema”, informou a Polícia Civil, em nota.
Na operação de hoje, os policiais recuperaram na Maré uma carga que havia sido roubada. Na terça-feira passada (13), durante a fase anterior da ação, a polícia localizou um apartamento de luxo usado por traficantes. O imóvel foi demolido.
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