AGRONEGÓCIO

Turismo off-road surge como alternativa de renda para propriedades rurais

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O crescimento do turismo de experiência no Brasil começa a produzir efeitos também dentro da porteira. A expansão das expedições off-road — impulsionadas pela busca por natureza, autenticidade e deslocamentos fora dos grandes centros — abre espaço para que propriedades rurais diversifiquem receita ao incorporar atividades turísticas ao modelo produtivo tradicional.

Inserido no conjunto do ecoturismo e do turismo de aventura, o segmento tem avançado de forma consistente no mercado doméstico, segundo dados do Ministério do Turismo e da Embratur. Embora não haja estatística exclusiva para o off-road, as atividades em áreas naturais figuram entre as que mais cresceram no pós-pandemia, beneficiando regiões rurais e de menor densidade urbana.

Em Minas Gerais, a Rota da Alegria, marcada para ocorrer entre 6 e 11 de março, exemplifica essa convergência entre turismo e agro. O circuito atravessa municípios históricos como Mariana e Ouro Preto, conectando trilhas técnicas a experiências gastronômicas e culturais.

Para o produtor rural, a abertura de trilhas monitoradas, a oferta de hospedagem, refeições típicas ou venda direta de produtos artesanais — como queijos, cafés especiais e cachaças — representa uma estratégia de mitigação de risco. Em cenários de volatilidade climática e de preços agrícolas, fontes complementares de renda ajudam a diluir a dependência exclusiva da atividade primária.

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A diversificação também fortalece a imagem institucional do agronegócio ao aproximar o consumidor urbano da realidade produtiva. A visitação organizada permite mostrar práticas sustentáveis, sistemas de produção e manejo ambiental, além de agregar valor à marca da propriedade.

Minas reúne características naturais favoráveis ao modelo. O relevo montanhoso, a extensa malha de estradas vicinais e a presença de patrimônio histórico criam ambiente propício para roteiros estruturados. A conexão logística pelo Aeroporto Presidente Itamar Franco amplia o alcance do público, integrando transporte aéreo e deslocamento terrestre.

Experiências semelhantes em outros países mostram que o turismo rural motorizado pode gerar impacto relevante na economia local, desde que organizado com critérios de segurança, planejamento ambiental e integração comunitária.

O avanço do off-road não substitui a atividade agrícola, mas pode se tornar complemento estratégico. Ao transformar parte da propriedade em espaço de visitação controlada, o produtor converte infraestrutura já existente — estradas internas, paisagens naturais, edificações históricas — em ativo econômico adicional.

Num ambiente em que custos de produção seguem pressionados e crédito mais seletivo, a combinação entre agro e turismo se apresenta como alternativa pragmática de geração de caixa, fortalecimento de marca e integração territorial.

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A tendência é que, com profissionalização e apoio técnico, iniciativas como a Rota da Alegria passem a integrar o portfólio de estratégias de desenvolvimento rural, ampliando a presença do campo também no mapa do turismo de experiência.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas

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A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.

Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.

“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.

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“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.

Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.

A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.

O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.

A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.

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O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.

As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.

A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.

O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.

Fonte: Pensar Agro

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