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Safra de grãos avança para novo recorde e expõe dependência do milho safrinha

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O Brasil deve colher 356,3 milhões de toneladas de grãos na temporada 2025/26, segundo o 7º levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento, divulgado nesta terça-feira (14.04), consolidando o maior volume já produzido no país. O crescimento ocorre mesmo com recuo de produtividade média e perdas localizadas, sustentado principalmente pela expansão de área e pelo desempenho da soja.

A oleaginosa responde por mais da metade da safra nacional. A produção está estimada em 179,2 milhões de toneladas, com rendimento médio recorde de 3.696 quilos por hectare. No campo, a colheita já supera 85% da área e avança rapidamente no Centro-Oeste, enquanto o Sul ainda enfrenta impactos de excesso de umidade, que afetam qualidade e ritmo de retirada.

O ganho de produtividade da soja compensa parte das perdas registradas em outras culturas e reforça o peso da commodity na renda do produtor. Na prática, o resultado amplia a dependência do sistema produtivo brasileiro de uma única cultura, tanto do ponto de vista de receita quanto de logística.

O milho segue em segundo plano, mas é decisivo para o fechamento da safra. A produção total está projetada em 139,6 milhões de toneladas, com leve recuo anual. A primeira safra foi beneficiada por aumento de área e deve atingir cerca de 28 milhões de toneladas, enquanto a segunda safra — responsável por quase 80% do total — ainda está em desenvolvimento.

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Com a semeadura praticamente concluída, o milho safrinha entra na fase mais sensível do ciclo. Parte das lavouras enfrenta irregularidade de chuvas e temperaturas elevadas, sobretudo no Paraná e em áreas do Matopiba, o que mantém o mercado em alerta. Qualquer quebra mais relevante pode alterar não apenas o volume final, mas também o equilíbrio de oferta interna.

Esse ponto já aparece nas projeções da Conab. O estoque final de milho deve ficar em torno de 12,8 milhões de toneladas ao fim da temporada, patamar considerado ajustado diante de um consumo interno estimado em 94,6 milhões e exportações projetadas em 46,5 milhões. O número reforça a baixa margem de segurança do mercado.

Entre as demais culturas, o cenário é de retração. O arroz deve somar 11,1 milhões de toneladas, impactado principalmente pela redução de área plantada. O feijão recua para cerca de 2,9 milhões de toneladas, ainda suficiente para o abastecimento doméstico, mas sem folga relevante. No algodão, a produção de pluma está estimada em 3,8 milhões de toneladas, com queda associada à diminuição de área.

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A área total de grãos no país cresce para 83,3 milhões de hectares, avanço de 2% na comparação anual. Já a produtividade média nacional recua levemente para 4.276 quilos por hectare, refletindo um ciclo mais irregular do ponto de vista climático.

No campo, o retrato é de safra grande, mas mais dependente de decisões técnicas e do comportamento do clima nas próximas semanas. Para o produtor, o cenário combina oportunidade de volume com pressão sobre margens, exigindo maior precisão na comercialização e atenção ao desenvolvimento da segunda safra, que ainda deve definir o tamanho real da produção brasileira em 2026.

Fonte: Pensar Agro

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Cúpula do agro liga inovação e rastreabilidade ao acesso a mercados

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Acesso a mercados, rastreabilidade e uso de tecnologia para reduzir riscos estão no centro da proposta da Cúpula da Inovação e Tecnologia do Agro Brasileiro, a Citagro 2026, marcada para 16 de novembro, em São Paulo. O encontro pretende aproximar empresas, investidores e pesquisadores em torno da competitividade da produção brasileira.

A questão chega à porteira por meio das exigências dos compradores. Para cadeias que abastecem mercados com regras ambientais específicas, comprovar a origem da mercadoria e as condições de produção passa a integrar o trabalho de comercialização. Sistemas digitais de rastreabilidade ajudam a organizar as informações necessárias para atender a esses critérios.

Um exemplo é o Regulamento Europeu Antidesmatamento (EUDR), cuja aplicação começa em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médios operadores, segundo a Comissão Europeia. A norma abrange bovinos, soja, café, cacau, óleo de palma, borracha, madeira e determinados derivados. Para a maior parte dos micro e pequenos operadores, o prazo é 30 de junho de 2027.

As regras exigem comprovação de que os produtos foram obtidos conforme a legislação do país de origem e não estão associados a desmatamento posterior a 31 de dezembro de 2020. A verificação envolve informações sobre fornecedores e localização das áreas produtivas. Mesmo produtores brasileiros que vendem a uma cooperativa ou empresa intermediária recebem demandas por esses dados dos compradores.

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Outra mudança é o Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira da União Europeia (CBAM), em sua fase definitiva desde janeiro de 2026. Seu alcance inclui determinados fertilizantes e outros produtos industriais. Nesses casos, as emissões da fabricação entram no cálculo das obrigações dos importadores europeus, acrescentando uma variável ambiental à relação comercial.

O material de apresentação da Citagro também destaca a inteligência de mercado como instrumento para antecipar cenários. A proposta associa competitividade à capacidade de acompanhar mudanças tarifárias, exigências regulatórias e movimentos da demanda, usando essas informações no planejamento das empresas e na diversificação de destinos para a produção.

Para o produtor, essa discussão envolve decisões concretas: quais informações manter sobre a propriedade, quais tecnologias adotar e quais requisitos serão necessários para vender a determinados compradores. A conexão entre pesquisa e produção, outro eixo da iniciativa, busca aproximar o desenvolvimento de soluções das necessidades das cadeias agropecuárias e das regiões produtoras.

A apresentação defende ainda maior articulação entre empresas, governos e instituições de pesquisa nas negociações internacionais. O objetivo anunciado é combinar inovação no campo com participação brasileira na definição de padrões comerciais e ambientais que influenciam o acesso a mercados.

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Serviço

  • Evento: Cúpula da Inovação e Tecnologia do Agro Brasileiro — Citagro 2026
  • Data: 16 de novembro de 2026
  • Horário: das 18h às 22h
  • Cidade: São Paulo (SP)

Fonte: Pensar Agro

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