AGRONEGÓCIO

Governo promete anunciar hoje ajuda de R$ 30 bilhões para empresas atingidas por tarifaço

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou na noite desta terça-feira (12.08) o governo federal vai liberar R$ 30 bilhões em linhas de crédito para empresas brasileiras afetadas pelo tarifaço de 50% imposta pelos Estados Unidos. Segundo ele, o anúncio oficial será feito nesta quarta-feira (13.08), por meio de medida provisória.

De acordo com o presidente, o valor inicial poderá ser ampliado conforme a necessidade. A prioridade será para pequenas empresas e exportadores de alimentos perecíveis, como frutas, hortaliças, mel, além de fabricantes de máquinas. “As grandes companhias têm mais resistência para enfrentar esse tipo de medida. As pequenas não. Vamos ajudar quem mais precisa”, afirmou.

O presidente acrescentou que o plano inclui ações para preservar empregos e ampliar mercados no exterior, reduzindo a dependência das exportações para os EUA. “Ninguém ficará desamparado pela taxação do presidente Trump”, disse. Ele também informou que o governo vai apoiar empresários que queiram contestar as tarifas na Justiça norte-americana.

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Também ontem, durante uma audiência no Senado, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, explicou que os recursos virão por meio de crédito extraordinário ao Orçamento — mecanismo que permite destinar verbas emergenciais fora do limite de gastos. Segundo ele, as medidas foram construídas após reuniões com representantes do setor produtivo e visam atender plenamente às demandas dos segmentos atingidos.

A cerimônia para o lançamento do programa está marcada para as 11h30 desta quarta (13), de acordo com fontes do Palácio do Planalto. Segundo Haddad, todo o texto foi definido ontem à noite, em reunião entre Lula e ministros da cúpula do governo. Participaram do encontro de cerca de duas horas Haddad, Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), Rui Costa (Casa Civil), Mauro Vieira (Relações Exteriores), e o advogado-geral da União, Jorge Messias.

Fonte: Pensar Agro

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Lideranças alertam que crédito recorde é ineficiente sem juros menores e seguro rural

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O anúncio do Plano Safra 2026/27, marcado para a próxima terça-feira (30.06), chega ao produtor rural em meio a um clima de ceticismo. Enquanto o governo federal projeta um volume recorde entre R$ 570 bilhões e R$ 652 bilhões, as lideranças do setor alertam que, em um cenário de juros elevados e margens de lucro espremidas, o montante nominal importa menos do que a efetividade das taxas de equalização. O que o campo busca não é apenas liquidez, mas uma estratégia de sobrevivência que contemple o endividamento acumulado nos últimos ciclos.

Para a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o plano precisa ir além do anúncio de “recordes” orçamentários. A crítica central das bancadas é que o governo carece de uma visão estrutural de longo prazo: enquanto o custo de capital subiu, a subvenção ao seguro rural foi tratada como variável de ajuste orçamentário. Sem proteção contra intempéries, o crédito acaba financiando o risco, e não a produtividade, perpetuando o ciclo de inadimplência que já preocupa o Banco Central.

A Aprosoja Mato Grosso ecoa o descontentamento com a falta de previsibilidade. Para a entidade, de nada adianta um volume robusto se as linhas de investimento — essenciais para armazenagem e modernização — permanecerem travadas ou de difícil acesso para o médio produtor. O setor produtivo aponta que a paridade de importação e os custos de produção em patamares históricos exigem que o Plano Safra seja, antes de tudo, um instrumento de competitividade internacional, e não uma peça de marketing político que ignora a realidade técnica das fazendas.

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Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Engenheiro Agrônomo Isan Rezende (foto), o setor está diante de uma encruzilhada. “O governo insiste em focar no volume total de crédito como se isso, por si só, garantisse a estabilidade da safra, mas esquece que o custo desse dinheiro tornou-se proibitivo para grande parte dos produtores. Não precisamos de um recorde de bilhões disponíveis se as taxas de juros não forem condizentes com a realidade de um setor que, nos últimos dois anos, foi duramente atingido por quebras climáticas sucessivas e pela volatilidade dos preços internacionais. O produtor hoje precisa de fôlego, não de novos passivos impagáveis”, afirmou Rezende.

“O agronegócio não pode ser tratado como um setor auxiliar que recebe atenção apenas quando a balança comercial precisa de socorro. Precisamos que o Plano Safra 2026/27 venha acompanhado de uma política clara de renegociação de dívidas e de um comprometimento real com o Seguro Rural. Sem isso, estamos apenas postergando um colapso financeiro que vai atingir desde o pequeno produtor até a economia das cidades que dependem diretamente do sucesso da nossa safra”, disse Isan.

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“A nossa expectativa é de que, no dia 30, o anúncio não seja apenas um conjunto de números desenhado pela Fazenda para cumprir calendário. Queremos ver, de fato, a implementação de uma estratégia que proteja a nossa capacidade de investimento. Se o governo continuar tratando a equalização como um gasto primário e não como o investimento estratégico que é, estaremos condenando o próximo ciclo a uma estagnação perigosa. O agronegócio é o motor que mantém o Brasil respirando, e ele exige o respeito de ser tratado com política econômica técnica, e não com medidas paliativas que não resolvem o gargalo do custo do crédito na ponta”, concluiu o presidente do Instituto do Agronegócio.

Fonte: Pensar Agro

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