AGRONEGÓCIO

Governo deve anunciar o plano safra nesta quarta, mas juros não devem atender demandas do agronegócio

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Nesta quarta-feira (25.06) Governo Federal deve lançar, em Rondonópolis (215 km da capital Cuiabá), em Mato Grosso, o novo Plano Safra 2024/2025, destinado a financiar a atividade agrícola na próxima temporada. O Plano promete ser um dos maiores já lançados, com a expectativa de superar os R$ 500 bilhões em recursos.

A definição das taxas de juros e do volume de recursos disponíveis será crucial para atender às necessidades do setor produtivo, que enfrenta margens apertadas, aumento dos custos de frete e insumos, e a pressão por renegociações e prorrogações de dívidas.

A principal preocupação do setor produtivo é quanto às condições de crédito rural que o governo deve anunciar para a safra 2024/2025, especialmente em relação às taxas de juros e ao volume de recursos disponíveis. O setor produtivo tem pedido recursos próximos de R$ 570 bilhões e juros inferiores a 10% ao ano. As preocupações específicas incluem:

  1. Taxas de Juros: Há uma expectativa e desejo por parte do setor de que as taxas de juros sejam reduzidas, especialmente para o crédito rural de agricultores familiares e empresariais. No entanto, há incertezas sobre o quanto essas taxas podem realmente cair, dado o espaço fiscal limitado do governo para equalizar as taxas de juros.
  2. Volume de Recursos: O setor produtivo está preocupado com a quantidade de recursos que será disponibilizada. Embora o governo tenha proposto um aumento nos recursos, chegando a R$ 532,3 bilhões, ainda há dúvidas se esse montante será suficiente para atender a demanda do setor.
  3. Equilíbrio entre Juros e Recursos: Existe um “trade-off” entre reduzir as taxas de juros e aumentar o volume de recursos. Se o governo optar por cortar mais as alíquotas finais aos produtores, o Tesouro Nacional terá que gastar mais para equalizar a diferença às instituições financeiras, o que pode diminuir o montante final ofertado.
  4. Condições para Pequenos Produtores: Especificamente para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), há preocupações de que as taxas de juros, que variam entre 4% e 6%, possam não sofrer reduções significativas.
  5. Impacto das Condições Climáticas: A catástrofe climática no Rio Grande do Sul e suas consequências nas lavouras também são uma preocupação, pois podem afetar a capacidade dos produtores de obter e usar eficazmente os recursos do Plano Safra.
  6. Pressão por Renegociações: Devido às margens apertadas e aos custos elevados de frete e insumos, há uma pressão crescente por renegociações e prorrogações de dívidas, o que pode complicar ainda mais a situação financeira dos produtores.
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Essas preocupações refletem a necessidade de um plano equilibrado que consiga oferecer tanto recursos suficientes quanto taxas de juros acessíveis, para garantir a sustentabilidade e a competitividade do setor agropecuário brasileiro.

R$ 21 BI – A definição das condições de crédito, incluindo as taxas de juros, ainda gera dúvidas entre os especialistas e representantes do setor agropecuário. Existe um “trade-off” entre a redução das taxas de juros e o aumento do volume de recursos disponíveis. A equipe econômica do governo precisa equilibrar essas demandas, especialmente considerando o espaço fiscal limitado para equalizar as taxas de juros.

Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA), destaca a necessidade urgente de uma equalização de juros robusta. “Precisamos de uma equalização suficiente para permitir que os produtores acessem crédito com condições mais favoráveis”, enfatiza.

Ao abordar o montante de recursos defendido pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Isan ressalta: “Os R$ 21 bilhões solicitados são cruciais. Sem um apoio financeiro adequado, corremos o risco real de ver uma desaceleração nos investimentos e na produção. Isso não afetaria apenas o setor agrícola, mas teria impactos negativos em toda a economia do país.”

“É imprescindível uma equalização de juros robusta que viabilize condições mais favoráveis para acesso ao crédito pelos produtores. Os R$ 21 bilhões pleiteados pela FPA são essenciais para sustentar o dinamismo dos investimentos e da produção agrícola. Sem um suporte financeiro adequado, corremos o sério risco de ver uma desaceleração significativa, impactando não apenas o setor agrícola, mas reverberando por toda a economia nacional”.

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“É fundamental que o novo Plano Safra contemple todas as áreas de forma equânime. Isso não só impulsionará os investimentos e a produção agrícola, mas também fortalecerá a capacidade competitiva do nosso agronegócio frente aos desafios globais. Estamos diante de uma oportunidade crucial para garantir não apenas o crescimento sustentável do setor, mas também para contribuir positivamente para o desenvolvimento econômico do país como um todo”, defende Rezende.

ABAIXO DO ESPERADO – No ano passado, foram destinados R$ 364 bilhões ao setor empresarial, representando um aumento de 27% em relação à safra anterior. Para 2024/2025, o Ministério da Agricultura propôs um aumento para R$ 452,3 bilhões. A expectativa é que, com as adições do Ministério do Desenvolvimento Agrário, os recursos totais possam chegar a R$ 532,3 bilhões. Este valor ainda está abaixo do pedido do setor produtivo, que sugere um total de R$ 570 bilhões com juros de um dígito.

A redução das taxas de juros é um dos principais objetivos do Ministério do Desenvolvimento Agrário, que prioriza a queda no custo do capital. No entanto, a atual curva de juros futuros, influenciada pela taxa Selic, pode limitar essa redução, especialmente nas linhas de investimento.

As taxas mais altas, como as cobradas de grandes produtores para aquisição de máquinas e tratores no Moderfrota, devem sofrer ajustes. O setor financeiro espera uma redução nas taxas de custeio empresarial, atualmente em 12%, e uma possível estabilização das taxas para médio produtor e agricultura familiar.

Apesar da catástrofe climática que afetou o Rio Grande do Sul, não serão anunciadas condições especiais no novo Plano Safra. Um plano de recuperação específico para a agropecuária gaúcha está sendo elaborado e será divulgado posteriormente. Até 15 de agosto, o governo pretende estruturar melhor as ações para atender o agronegócio do estado, com as dívidas dos produtores temporariamente suspensas.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Produção de suínos cresce 50% e abre espaço para novos investimentos

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A suinocultura de Mato Grosso do Sul cresceu aproximadamente 50% nos últimos três anos e já alcança cerca de 3,6 milhões de animais abatidos por ano. A expansão, que coloca o Estado entre os principais polos emergentes da atividade no País, estará no centro das discussões do VIII Fórum de Desenvolvimento da Suinocultura de Mato Grosso do Sul, marcado para 17 de setembro, em Dourados (a cerca de 240km da capital, Campo Grande).

O avanço ocorre em uma região que até poucos anos atrás tinha participação bem menor na produção nacional de carne suína. Mato Grosso do Sul passou a ocupar a quinta posição no ranking brasileiro de abates, atrás de Estados com tradição muito mais antiga na atividade, como Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.

Parte dessa expansão está associada à disponibilidade de milho e soja, principais componentes da alimentação dos animais e responsáveis pela maior parcela do custo de produção. A proximidade entre as granjas e as regiões produtoras de grãos reduz distâncias no abastecimento de ração e cria condições para a instalação de novas unidades produtivas e industriais.

Outro fator é o crescimento do número de matrizes. Em 2026, mais de 111,5 mil matrizes já estavam cadastradas no Programa Leitão Vida, política estadual de incentivo à produção. Até o início de junho, 272 estabelecimentos participavam do programa.

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No mesmo período, 1,63 milhão de suínos haviam sido abatidos dentro do programa e os incentivos concedidos aos produtores superavam R$ 45 milhões. A atividade também acumulou aproximadamente R$ 1,7 bilhão em cartas-consulta aprovadas pelo Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) nos últimos sete anos.

A política de incentivo passou ainda por mudanças. O novo protocolo do Leitão Vida ampliou as exigências relacionadas à biossegurança, bem-estar animal, rastreabilidade, sustentabilidade e utilização de tecnologias nas propriedades.

Dos 272 estabelecimentos participantes neste ano, 239 já haviam migrado para o novo sistema de conformidade. A intenção é atrelar parte dos incentivos não apenas ao volume produzido, mas também ao cumprimento de padrões técnicos, sanitários e ambientais.

Para o produtor, essa mudança ganha importância porque a expansão da atividade depende cada vez mais do acesso a mercados exigentes. Sanidade, rastreabilidade e biossegurança deixaram de ser apenas questões internas das granjas e passaram a influenciar diretamente a capacidade de frigoríficos e produtores alcançarem novos compradores.

Mato Grosso do Sul também ampliou sua estrutura industrial. Unidades instaladas no Estado vêm aumentando a capacidade de abate, movimento necessário para acompanhar o crescimento das granjas e evitar um desequilíbrio entre a oferta de animais e a capacidade de processamento.

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A expansão da suinocultura cria ainda uma demanda adicional para a agricultura estadual. Cada aumento no alojamento de animais significa maior consumo de milho e farelo de soja, estabelecendo uma relação direta entre o crescimento das granjas e o mercado regional de grãos.

Esse movimento pode ser especialmente importante para regiões com grande produção de milho segunda safra. A instalação de unidades de produção animal permite transformar parte do grão dentro do próprio Estado em proteína de maior valor agregado, reduzindo a necessidade de transportar toda a produção agrícola por longas distâncias até outros centros consumidores.

O crescimento, entretanto, exige investimentos elevados. Construção e modernização de granjas, climatização, tratamento de dejetos, biossegurança, armazenagem de ração e adequações ambientais aumentam a necessidade de capital e tornam a expansão dependente de planejamento financeiro e acesso ao crédito.

Consolidado como um dos principais encontros da suinocultura no Centro-Oeste, o Fórum ocorre justamente quando Mato Grosso do Sul tenta transformar o forte crescimento dos últimos anos em uma cadeia maior, mais tecnificada e com maior participação nos mercados nacional e internacional.

Serviço

VIII Fórum de Desenvolvimento da Suinocultura de Mato Grosso do Sul
Data: 17 de setembro de 2026
Horário: 7h às 18h
Local: Unigran – Dourados (MS)

Fonte: Pensar Agro

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