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EUA acusam Brasil de práticas comerciais desleais e planejam ofensiva no agro

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O governo dos Estados Unidos elevou o tom contra o Brasil neste domingo (27.04), em meio ao aumento das tensões no comércio agrícola internacional. A secretária de Agricultura dos EUA afirmou que Brasil, Argentina e Reino Unido adotam práticas consideradas “desleais” para barrar produtos americanos, citando barreiras sanitárias, exigências não tarifárias e impostos de importação como obstáculos criados contra o agro norte-americano.

Em entrevista à TV americana CNN, a secretária admitiu que as exportações agrícolas dos EUA, especialmente de carne suína e soja, sofreram forte retração nos últimos meses, principalmente no mercado chinês. Segundo ela, em apenas uma semana, a demanda chinesa por carne suína americana despencou 72%.

Enquanto tenta retomar o espaço perdido na Ásia, o governo americano anunciou uma ofensiva para abrir novos mercados e recuperar as perdas. Estão previstas viagens oficiais para países como Reino Unido, Vietnã, Japão, Peru e Brasil, com o objetivo de pressionar por acordos mais favoráveis aos produtos dos Estados Unidos.

O Brasil foi citado como um dos principais concorrentes que se beneficiaram da redução das compras chinesas de produtos americanos. Na avaliação da secretária, a postura brasileira e argentina teria contribuído para ampliar as dificuldades enfrentadas pelos produtores norte-americanos.

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No cenário interno, o governo dos EUA também enfrenta críticas sobre sua política comercial. Apesar de defender que as medidas tarifárias ajudaram a controlar a inflação e reduzir custos para o consumidor, a secretária reconheceu que o impacto nos produtores rurais é significativo e que novas ações emergenciais de apoio podem ser necessárias.

O endurecimento do discurso marca uma nova fase da disputa comercial que, além da China, agora envolve diretamente países como Brasil e Argentina. Produtores brasileiros devem ficar atentos: o aumento da pressão americana pode resultar em maior rigidez nas negociações futuras, exigindo cautela e preparo para eventuais retaliações ou exigências sanitárias mais rigorosas.

A secretária americana encerrou a entrevista afirmando que a proteção dos agricultores dos Estados Unidos é uma questão de segurança nacional, e que medidas serão tomadas para assegurar a competitividade do agro norte-americano no mercado mundial.

Em meio ao embate, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, adotou um tom mais conciliador. Durante a abertura da 30ª Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), Alckmin disse que, apesar das tensões, a política tarifária dos EUA pode acabar impulsionando o acordo do Mercosul com a União Europeia, criando novas oportunidades para o agro brasileiro. Ele defendeu o diálogo com os americanos. “A situação com os Estados Unidos não é boa para ninguém, mas deverá gerar possibilidades para o Brasil. Se for olho no olho, todos ficam cegos”, afirmou.

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Com os Estados Unidos endurecendo seu discurso e buscando novos acordos comerciais, o agro brasileiro entra num cenário de atenção redobrada: de um lado, pode ganhar mercado; de outro, terá que lidar com a pressão crescente e eventuais disputas no comércio internacional.

Fonte: Pensar Agro

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Desenrola Rural vai até 20 de dezembro. Saiba aqui como renegociar

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Produtores rurais têm até o próximo dia 20 de dezembro para regularizar débitos do Pronaf e fundos constitucionais sob as regras do Desenrola Rural. Com o semestre final se aproximando, especialistas alertam que a demora na busca pela agência bancária pode significar a perda de condições especiais de parcelamento e descontos de até 96%.

A medida, que visa dar fôlego financeiro aos produtores em um cenário de custos elevados e impacto climático na safra, é uma tentativa de estancar a inadimplência no setor, que já ultrapassa a marca de 8%, segundo dados da Serasa Experian. O programa foca na regularização de débitos de pequenos produtores, permitindo descontos que chegam a 96% sobre encargos e prazos de até 10 anos para o pagamento.

O benefício não é universal. A regra vale exclusivamente para contratos de crédito rural firmados entre 2012 e 2022, especificamente nas operações do Pronaf e nos financiamentos via Fundos Constitucionais (FCO, FNO e FNE). O enquadramento ignora o tamanho da propriedade, focando estritamente na natureza da dívida. Ao formalizar a adesão, o produtor tem o nome retirado dos cadastros de restrição ao crédito, o que devolve a capacidade de tomar novos financiamentos para a safra — peça-chave para a sobrevivência da atividade agrícola.

O principal gargalo para o sucesso do programa está na ponta do atendimento bancário. Especialistas em Direito Agrário alertam que instituições financeiras costumam ignorar a política pública para oferecer “pacotes internos” de renegociação, que frequentemente carecem das vantagens garantidas pelo programa federal.

A recomendação para o produtor ir à agência bancaria munido dos contratos e exigir, expressamente, a aplicação das regras do Desenrola Rural. Aceitar soluções genéricas oferecidas pelo banco sem comparar com as condições federais é um erro que pode custar a rentabilidade da propriedade e o acesso ao crédito no longo prazo.

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O Desenrola Rural, contudo, ignora o médio e o grande produtor, que também sofrem com a crise de rentabilidade do setor. Sem uma política pública universal, esse perfil de produtor depende da aplicação rigorosa do Manual de Crédito Rural (MCR) para a reestruturação de suas dívidas. Na prática, a falta de flexibilidade voluntária dos bancos tem forçado esses produtores a buscar o Poder Judiciário para garantir o direito de repactuar débitos sem colocar em risco a viabilidade do negócio.

Guia prático

Para garantir o direito à renegociação sob as regras do Desenrola Rural e evitar as armadilhas dos “pacotes genéricos” dos bancos, a preparação documental é o passo mais estratégico. O produtor deve encarar a ida à agência não como um pedido de favor, mas como uma formalização de direito garantido pelo programa federal.

Antes de comparecer à agência, o produtor deve organizar um dossiê completo. A falta de um único documento pode ser usada como justificativa pelo gerente para negar o enquadramento ou direcionar o cliente para outras linhas de crédito com juros mais altos.

Documentação essencial

  • Identificação Pessoal: RG e CPF (ou CNH) atualizados do titular do crédito.

  • Comprovação da Propriedade: Matrícula atualizada do imóvel rural, além do Certificado de Cadastro de Imóvel Rural (CCIR) e a última declaração do Imposto Territorial Rural (ITR). Esses documentos atestam a regularidade da área e são fundamentais para o histórico de crédito junto à instituição.

  • Cédula de Crédito Rural ou Contrato: Este é o documento central. É ele que prova a origem da dívida (se Pronaf ou Fundos Constitucionais como FCO, FNO ou FNE) e o período de contratação (entre 2012 e 2022). Caso o documento original tenha sido extraviado, o produtor deve solicitar formalmente uma cópia autenticada ou declaração detalhada à própria agência antes da data da renegociação.

  • Extrato atualizado da dívida: Levar o demonstrativo do débito facilita a identificação imediata da operação na tela do gerente e evita divergências de valores na simulação do acordo.

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Postura no atendimento

O advogado Gian Tozini, especialista em Direito Agrário, reforça que a documentação serve como escudo contra ofertas pouco vantajosas.

  • Exija o enquadramento: Ao apresentar os documentos, o produtor deve solicitar expressamente a aplicação das condições do Desenrola Rural. Se o gerente informar que “o sistema não libera”, o produtor deve pedir uma justificativa por escrito ou o número de protocolo do atendimento.

  • Não assine sem conferir: É comum que instituições ofereçam renegociações internas, que raramente trazem os descontos de até 96% previstos pelo programa federal. O produtor deve recusar qualquer proposta comercial que não apresente as condições estabelecidas pela norma do governo.

  • Formalize a recusa: Caso a agência insista em ignorar o programa, o produtor tem o direito de registrar uma reclamação no Banco Central, munido do protocolo de atendimento negado.

A organização prévia destes documentos é o que define se a renegociação será uma solução eficiente para o fluxo de caixa da propriedade ou apenas uma postergação de um problema financeiro. O prazo final para essa regularização é 20 de dezembro de 2026.

Fonte: Pensar Agro

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