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Estudo do Ipea aponta uso ineficiente de defensivos na maior parte do país

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Um estudo publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) reacendeu a discussão sobre a forma como os defensivos agrícolas vêm sendo utilizados no Brasil. Segundo a pesquisa, mais de 80% dos municípios brasileiros apresentam uso economicamente ineficiente desses insumos, ou seja, parte relevante das aplicações não gera retorno proporcional em receita ao produtor.

A análise utilizou o conceito de receita marginal do uso de defensivos (RMA) — indicador que compara o aumento do investimento no produto com o ganho adicional obtido na produção. Quando o resultado é negativo, o produtor passa a gastar mais sem obter retorno equivalente.

De acordo com o levantamento, esse quadro de “sobreuso” cresceu ao longo do tempo. Entre os Censos Agropecuários de 2006 e 2017, a proporção de municípios nessa condição passou de 78% para 85%.

A maior incidência ocorre nas regiões Sul e Centro-Oeste, onde cerca de 90% dos municípios apresentaram a característica. O fenômeno aparece principalmente em áreas de agricultura intensiva, especialmente em sistemas dominados por soja e com alta adoção de sementes geneticamente modificadas tolerantes ao glifosato.

No agregado nacional, a relação econômica estimada pelos pesquisadores indica que cada R$ 10 adicionais gastos em defensivos geraram apenas cerca de R$ 3,20 em receita extra, sugerindo baixa eficiência marginal do investimento.

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O próprio crescimento da agricultura brasileira ajuda a explicar o avanço do uso. O consumo anual de defensivos no país saiu de aproximadamente 180 mil toneladas em 2003 para cerca de 800 mil toneladas em 2023, com intensidade média de aplicação de 10,9 quilos por hectare — superior à observada em países como Estados Unidos e China.

Soja, milho e cana-de-açúcar concentram cerca de 76% do volume aplicado, culturas nas quais a pressão de pragas é elevada devido ao clima tropical e ao cultivo contínuo ao longo do ano.

Representantes da indústria de insumos contestam a interpretação de sobreutilização. O argumento é que os defensivos não são aplicados para aumentar produção, mas para evitar perdas. Segundo o setor, o indicador econômico deveria considerar a produtividade que deixaria de existir sem controle fitossanitário, e não apenas a receita adicional obtida após a aplicação.

Outro ponto destacado é que o agricultor tende a evitar aplicações desnecessárias por uma razão simples: custo. O manejo normalmente segue recomendações técnicas baseadas no nível de dano econômico das pragas.

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O estudo também chama atenção para um efeito conhecido no campo: a aplicação contínua pode reduzir a eficácia dos produtos ao longo do tempo devido ao desenvolvimento de resistência de insetos, fungos e plantas daninhas.

Entre 2005 e 2019, mais de 3,1 mil produtos foram registrados no país, incluindo novas formulações e defensivos biológicos. Ainda assim, especialistas apontam que a inovação em moléculas é lenta, o que dificulta a rotação de mecanismos de ação — estratégia fundamental para evitar resistência.

Apesar de reconhecer o papel dos defensivos no aumento da produção agrícola brasileira, os autores defendem políticas públicas voltadas ao uso mais racional. A principal recomendação é ampliar o manejo integrado de pragas, sistema que combina monitoramento, controle biológico, práticas culturais e aplicação química apenas quando necessária.

A conclusão do estudo é que o desafio não está em eliminar os defensivos, mas em mudar a lógica de uso. O Brasil consolidou uma agricultura altamente produtiva baseada em tecnologia, porém o ganho futuro tende a depender mais de eficiência agronômica do que do aumento do volume aplicado de insumos.

Fonte: Pensar Agro

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Corrida global por terras raras leva Senado a discutir estratégia para minerais críticos

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O avanço da disputa internacional por minerais críticos e terras raras mobilizou a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que participou nesta semana de um debate no Senado sobre os caminhos para ampliar a presença do Brasil nas etapas de maior valor agregado da cadeia mineral.

A discussão ocorre em um cenário de crescente competição global por recursos considerados estratégicos para a produção de baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, inteligência artificial, sistemas de defesa e geração de energia renovável. Nos últimos anos, Estados Unidos, China e União Europeia intensificaram políticas voltadas à segurança das cadeias de suprimentos e à redução da dependência externa desses insumos.

O Brasil aparece nesse cenário como um dos países com maior potencial geológico do mundo. Além de reservas de nióbio, grafita e lítio, o país possui importantes ocorrências de terras raras, grupo de minerais utilizados em equipamentos de alta tecnologia e considerados estratégicos pelas principais economias globais.

Durante audiência pública realizada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, integrantes da FPA defenderam a construção de uma política nacional voltada não apenas à extração mineral, mas também ao processamento industrial e à agregação de valor dentro do país. A avaliação apresentada durante o debate é que o Brasil corre o risco de repetir o modelo histórico de exportação de matéria-prima caso não avance em tecnologia, industrialização e segurança jurídica.

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INTERESSE MUNDIAL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio, engenheiro agrônomo Isan Rezende, os minerais críticos e as terras raras deixaram de ser apenas uma questão mineral para se tornarem um tema de soberania econômica.

“O mundo vive uma corrida por recursos essenciais para a produção de baterias, semicondutores, inteligência artificial, sistemas de defesa e transição energética. O Brasil possui algumas das maiores reservas do planeta e precisa decidir se continuará exportando matéria-prima ou se avançará para ocupar posições mais estratégicas nessa cadeia.”

“O que preocupa é que as principais economias do mundo estão adotando políticas cada vez mais agressivas para garantir acesso a esses minerais. Os Estados Unidos ampliam sua pressão por acordos de fornecimento, a China mantém forte controle sobre etapas de processamento e diversos países passaram a restringir exportações para proteger suas próprias indústrias. O Brasil não pode assistir a esse movimento apenas como fornecedor de recursos naturais. É necessário construir uma política nacional que estimule pesquisa, industrialização, inovação e geração de valor dentro do país.”

“A discussão conduzida pela Frente Parlamentar da Agropecuária vai além da mineração. Estamos falando de desenvolvimento regional, atração de investimentos, geração de empregos qualificados e fortalecimento da competitividade brasileira. O país reúne reservas minerais, conhecimento técnico e capacidade produtiva para se tornar um protagonista global nesse mercado. Mas isso exige segurança jurídica, previsibilidade regulatória e uma estratégia de longo prazo que transforme riqueza geológica em riqueza econômica para os brasileiros.”

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Os Estados Unidos ampliaram programas de incentivo à produção doméstica e à diversificação de fornecedores, enquanto a China mantém posição dominante em etapas estratégicas do processamento de terras raras. Outros países produtores também passaram a restringir exportações de matérias-primas para estimular investimentos industriais locais.

No Senado, a discussão abordou ainda o Projeto de Lei 4.443/2025, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A proposta busca estabelecer diretrizes para pesquisa, exploração, industrialização e atração de investimentos para o setor.

Entre os pontos destacados pelos participantes estão a necessidade de ampliar o conhecimento geológico do território brasileiro, fortalecer a pesquisa científica, estimular o desenvolvimento tecnológico e criar um ambiente regulatório capaz de atrair investimentos de longo prazo.

Para a FPA, o debate ultrapassa a questão mineral e passa a integrar uma agenda estratégica relacionada à competitividade da economia brasileira, à segurança das cadeias produtivas e ao posicionamento do país em um mercado que deve ganhar relevância crescente nas próximas décadas.

Fonte: Pensar Agro

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