AGRONEGÓCIO

Dia do Agricultor: herói anônimo responsável por um quarto do PIB

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O produtor rural é o  condutor de um dos motores mais potentes da economia brasileira. Em 2024, por exemplo,  o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio atingiu a marca de R$ 2,72 trilhões, o que representou um crescimento de 1,81% em relação ao ano anterior, segundo levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em parceria com o Cepea/USP. Com isso, o setor respondeu por 23,2% de toda a atividade econômica do país.

Isan Rezende, presidente do IA

Os números chegam em um momento simbólico: nesta segunda-feira, 28 de julho, o Brasil celebra o Dia do Agricultor. A data, instituída há mais de seis décadas, homenageia homens e mulheres que mantêm vivo o elo entre o campo e a cidade — trabalhadores que enfrentam, todos os dias, sol, chuva, incertezas de mercado e políticas públicas nem sempre alinhadas à realidade do interior.

O avanço do agronegócio não se dá por acaso. Ele reflete, sobretudo, a força de quem está no centro da produção: o agricultor. Da agricultura familiar ao grande produtor, o que move o setor é uma combinação entre tradição, coragem e inovação. Em vez de enxadas e bois, o campo hoje opera com máquinas de precisão, drones, aplicativos, internet das coisas e sementes geneticamente aprimoradas. Mas o espírito é o mesmo: plantar com esperança e colher com trabalho.

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A trajetória da agricultura no Brasil acompanha a própria formação do país. Do ciclo do pau-brasil ao domínio do café, passando pela cana, soja, milho, algodão e frutas, a história da agricultura é a história de ciclos econômicos, deslocamentos populacionais e transformações sociais. Se hoje o Brasil é um dos maiores exportadores de alimentos do mundo, isso se deve à persistência de gerações que aprenderam a lidar com o solo, o clima e as instabilidades do mercado.

Apesar do protagonismo, o agricultor brasileiro ainda convive com desafios históricos. A instabilidade nos preços, o custo elevado dos insumos, a escassez de crédito e a ausência de políticas mais robustas de apoio ao produtor são entraves que se repetem a cada safra. Em países desenvolvidos, subsídios agrícolas são comuns e garantem segurança mínima ao produtor. Aqui, o agricultor muitas vezes trabalha no limite, dependendo do próprio fôlego para resistir.

O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, prestou uma homenagem aos produtores, lembrando que “O agricultor brasileiro é, acima de tudo, um herói anônimo. Ele não aparece nos holofotes, mas está presente em cada refeição do nosso dia. O crescimento de 1,81% do PIB do agronegócio neste ano é mérito direto de quem, mesmo diante de incertezas climáticas, instabilidade de preços e falta de políticas eficazes, segue produzindo com dedicação e coragem”, afirmou Isan.

“Neste Dia do Agricultor, nosso reconhecimento vai muito além da simbologia. É uma data para lembrar que o país precisa olhar com mais atenção para quem está no campo. Defendemos a criação de um fundo de estabilidade agrícola, com recursos da balança comercial do setor, como forma de proteger o produtor das oscilações de mercado e garantir renda mínima. O agricultor precisa de segurança para planejar, investir e crescer”, destacou Rezende.

“A força do Brasil nasce da terra, e quem cuida da terra merece respeito. Não basta celebrar um dia por ano — é preciso investir em políticas públicas que de fato cheguem até o campo, incentivem a armazenagem, melhorem a infraestrutura e criem um equilíbrio justo entre oferta e demanda. O agricultor é a base do nosso presente e a esperança do nosso futuro”, completou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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Gergelim: o novo trunfo do produtor mato-grossense para garantir o lucro

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Mato Grosso, tradicionalmente reconhecido pela hegemonia na produção de soja e milho, diversificou sua matriz produtiva e consolidou o gergelim como uma cultura estratégica para o desenvolvimento econômico estadual. Com uma participação de 73% na produção nacional, o estado deixou de ser um produtor de nicho para se tornar o principal fornecedor do mercado brasileiro, com reflexos diretos na balança comercial.

Dados comparativos entre as safras 2018/19 e a projeção para 2025/26 revelam a velocidade da expansão: a produção estadual cresceu 465%, enquanto a área cultivada avançou 588%. Esse movimento é resultado da adaptação da oleaginosa à janela da safrinha, período em que o gergelim demonstra maior resiliência a condições climáticas adversas em comparação a outras culturas, garantindo estabilidade produtiva.

A escala alcançada por Mato Grosso permitiu a conquista de mercados externos exigentes. Entre 2020 e 2025, o volume de exportações de gergelim teve alta de 600%. A demanda é sustentada principalmente pela China e pela Índia, países que utilizam o grão tanto para o consumo in natura quanto para a extração de óleo e processamento industrial.

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Para o produtor rural, a adoção do gergelim atua como um mecanismo de proteção de receita. A cultura oferece uma alternativa de fluxo de caixa que reduz a dependência exclusiva das oscilações de preços internacionais da soja e do milho, permitindo a manutenção da rentabilidade mesmo em ciclos de retração das commodities principais.

O próximo estágio do setor, segundo analistas, é a elevação do valor agregado. Embora o estado domine o volume exportado, o desafio atual é a industrialização. A transformação do grão em derivados, como óleo e farelos, dentro de Mato Grosso, é vista como o passo necessário para maximizar a captura de margens na cadeia produtiva e encerrar a dependência da exportação da matéria-prima bruta.

Fonte: Pensar Agro

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