AGRONEGÓCIO
Colheita da soja deve pressionar fretes rodoviários a partir de fevereiro
Publicado em
29 de janeiro de 2026por
Da Redação
A intensificação da colheita da safra 2025/26 de grãos tende a provocar uma elevação nos preços dos fretes rodoviários a partir de fevereiro, período em que a retirada da soja do campo ganha ritmo e passa a disputar espaço logístico com volumes ainda relevantes de milho. A avaliação consta do Boletim Logístico de janeiro da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado esta semana.
De acordo com o quarto levantamento da safra brasileira de grãos da Conab, a área total cultivada em 2025/26 foi estimada em 83,8 milhões de hectares, crescimento de 2,6% em relação ao ciclo anterior. A produção total deve alcançar 353,1 milhões de toneladas, alta de 0,3%.
Para a soja, a área plantada foi projetada em 48,7 milhões de hectares, aumento de 2,8%, com produção estimada em 176,1 milhões de toneladas. O cenário reforça a expectativa de forte demanda logística nos próximos meses, especialmente no eixo Centro-Oeste–portos.
Segundo a estatal, a combinação entre produção elevada, ocupação de armazéns e aumento da demanda por caminhões deve sustentar uma alta gradual dos fretes já no início do ano, com maior pressão durante o pico das operações a campo. A expectativa é de que fevereiro concentre o maior volume de movimentação, refletindo diretamente nas cotações do transporte rodoviário.
Mato Grosso, principal produtor de soja do país, deve colher uma das maiores safras de sua série histórica, próxima de 49 milhões de toneladas. Esse volume expressivo amplia significativamente a necessidade de escoamento no início de 2026, pressionando a logística em um momento de elevada concorrência por caminhões.
No começo de janeiro, o avanço da colheita ainda era considerado lento em boa parte do país, com predominância de lavouras em fase de enchimento de grãos. O excesso de chuvas observado nas últimas semanas deve concentrar a maior parte da colheita no mês de fevereiro, reforçando a demanda por transporte no primeiro trimestre do ano.
Outro fator que contribui para a pressão sobre os fretes é a permanência de milho estocado. Em Mato Grosso, cerca de 14% da produção ainda estava disponível para negociação no início do ano. A concorrência direta entre soja e milho pelo mesmo parque de caminhões mantém a demanda aquecida mesmo antes do pico da colheita da oleaginosa.
Em dezembro, o mercado de fretes no Estado apresentou relativa estabilidade. A rota Sorriso–Santos permaneceu em torno de R$ 480 por tonelada, enquanto o frete com destino a Paranaguá registrou leve recuo, passando de R$ 460 para R$ 450 por tonelada. A partir de Primavera do Leste, os valores para Santos ficaram próximos de R$ 375, e para Paranaguá, em torno de R$ 360.
Apesar da estabilidade mensal, a Conab destaca que os preços praticados atualmente estão significativamente acima dos registrados no mesmo período do ano passado, especialmente nas rotas com origem em Mato Grosso.
O boletim também chama atenção para os efeitos do tabelamento de fretes da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) ao longo de 2025. Segundo a Conab, o aumento da fiscalização e do controle levou muitas transportadoras a priorizarem trajetos mais curtos, voltados ao mercado interno, em detrimento de rotas longas com destino aos portos.
Isan Rezende
Essa mudança de estratégia contribuiu para reduzir a fluidez em alguns corredores logísticos e para a manutenção de volumes estocados ao fim do ano, ampliando o risco de gargalos justamente no período de maior movimentação da safra.
Tudo de novo – Presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos do Estado de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende avalia que os gargalos logísticos continuam sendo um dos principais fatores de pressão sobre a rentabilidade do agronegócio brasileiro, sobretudo nos períodos de pico da colheita.
“Todo início de safra a gente repete o mesmo roteiro: produção recorde no campo e gargalo na estrada. Não é um problema pontual, é estrutural. O produtor faz a parte dele, investe, produz mais, mas esbarra numa logística que não acompanha o crescimento do agro brasileiro. O resultado aparece no frete caro, na perda de competitividade e, muitas vezes, na renda que fica pelo caminho”, comentou Isan.
“A pressão sobre os fretes não surge do nada. Ela é consequência dieta da concentração da colheita, da falta de capacidade de armazenagem nas regiões produtoras e da dependência quase absoluta do transporte rodoviário. Quando soja, milho e outros grãos disputam caminhão ao mesmo tempo, o custo explode. Isso já é previsível, mas seguimos tratando como se fosse surpresa todo ano”.
Para o presidente do IA, o que preocupa é que essa situação transfere o custo da ineficiência logística para quem está na ponta mais frágil da cadeia, que é o produtor. “O preço do grão nem sempre reage na mesma velocidade do frete, e o produtor acaba absorvendo esse impacto. Sem investimentos consistentes em ferrovias, hidrovias e ampliação de armazéns, continuaremos presos a um modelo caro, lento e vulnerável”.
“O agro brasileiro é eficiente dentro da porteira, mas fora dela ainda opera com limitações do século passado. Enquanto a logística não for tratada como política de Estado, com planejamento de longo prazo, vamos seguir reféns do calendário da colheita e do clima. Produzir mais não basta. É preciso garantir que essa produção chegue ao mercado com custo, previsibilidade e competitividade”, completou Rezende.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Média anual das exportações do agro quadruplica e chega a R$ 858 bilhões
Published
8 horas agoon
17 de setembro de 2026By
Da Redação
O valor médio anual das exportações do agronegócio brasileiro mais que quadruplicou em duas décadas, passando de aproximadamente R$ 194,2 bilhões entre 2003 e 2005 para R$ 858 bilhões no período de 2023 a 2025. O crescimento chegou a R$ 663,8 bilhões, com avanço de diferentes cadeias produtivas e ampliação da presença do país no mercado internacional.
Os dados fazem parte do “Mapa do Comércio Global do Agro Brasileiro 2026”, elaborado pelo RaboResearch Food & Agribusiness. Os valores apresentados no levantamento foram convertidos para reais pela cotação de R$ 5,15.
A soja foi o principal motor dessa transformação. O complexo da oleaginosa respondeu por aproximadamente R$ 214,2 bilhões do aumento registrado entre os dois períodos. O resultado reflete a expansão da área cultivada, os ganhos de produtividade, o desenvolvimento da segunda safra de milho e a maior capacidade brasileira de atender à demanda asiática.
A contribuição, entretanto, não ficou restrita aos grãos. O açúcar acrescentou R$ 68,5 bilhões ao valor médio anual exportado, enquanto a carne bovina respondeu por R$ 58,7 bilhões. O milho adicionou R$ 49,4 bilhões e o café verde, R$ 47,9 bilhões.
A celulose contribuiu com mais R$ 39,7 bilhões, seguida pela carne de frango, com R$ 36,1 bilhões. O algodão acrescentou R$ 20,6 bilhões e a carne suína, R$ 11,8 bilhões. Outros produtos do agronegócio, considerados em conjunto, responderam por uma expansão de R$ 116,9 bilhões.
Os números mostram que o crescimento das exportações brasileiras se espalhou por diferentes atividades. Grãos, proteínas animais, fibras, produtos florestais, café e açúcar passaram a gerar uma receita maior e a alcançar mais mercados, fortalecendo a renda no campo e movimentando cooperativas, agroindústrias, transportadoras, armazéns e terminais portuários.
A China consolidou-se como o principal destino dos produtos agropecuários brasileiros. Entre as médias de 2003 a 2005 e de 2023 a 2025, o país asiático respondeu por R$ 269,3 bilhões do crescimento das exportações. Atualmente, concentra 33% do valor comercializado pelo agro brasileiro no exterior.
Os demais países da Ásia também ganharam importância e acrescentaram R$ 126,7 bilhões às compras de produtos brasileiros. Em conjunto, a China e os outros mercados asiáticos responderam por quase R$ 396,6 bilhões da expansão observada nas últimas duas décadas.
A União Europeia representa 14% do valor exportado pelo agronegócio brasileiro, enquanto os demais países asiáticos, sem considerar a China, respondem por 17,4%. O Oriente Médio concentra 7,6%, a África, 7%, e os Estados Unidos, 6,7%. O Mercosul possui participação de 3,1%, e os demais mercados reúnem 11,3%.
Essa distribuição demonstra que, apesar da forte participação chinesa, o crescimento também ocorreu em outras regiões. A União Europeia acrescentou R$ 57,7 bilhões às compras, o Oriente Médio ampliou as aquisições em R$ 51,5 bilhões e a África contribuiu com R$ 48,4 bilhões. Estados Unidos e Mercosul adicionaram, respectivamente, R$ 28,8 bilhões e R$ 19,1 bilhões.
A diversificação geográfica ajuda a reduzir riscos e cria alternativas para produtos que enfrentem restrições sanitárias, tarifárias ou comerciais em determinados destinos. A concentração de um terço da receita na China, contudo, mantém diferentes cadeias expostas às decisões econômicas e regulatórias daquele mercado.
O desempenho alcançado nas últimas duas décadas consolidou o Brasil entre os principais fornecedores mundiais de soja, açúcar, café, milho, carnes, algodão, celulose e suco de laranja. O país passou a ocupar uma posição estratégica na segurança alimentar global e a contribuir para o abastecimento de mercados na Ásia, Europa, África, Oriente Médio e nas Américas.
A expansão também evidencia o tamanho do desafio logístico. A continuidade do crescimento depende de investimentos em armazenagem, rodovias, ferrovias, hidrovias e portos, além da redução dos custos que ainda limitam a competitividade do produtor brasileiro.
O levantamento revela, ao mesmo tempo, uma vulnerabilidade que precisa ser enfrentada. Enquanto amplia sua capacidade de fornecer alimentos, fibras e energia ao mundo, o Brasil permanece altamente dependente do exterior para adquirir os insumos necessários à produção.
As importações de fertilizantes movimentaram aproximadamente R$ 73,1 bilhões em 2025. A Rússia respondeu por 28% desse valor, seguida pela China, com 21%, Canadá, com 11%, e Marrocos, com 8%. Nigéria participou com 5%, enquanto Arábia Saudita, Estados Unidos e Israel responderam por 4% cada.
No mercado de defensivos agrícolas, as importações chegaram a cerca de R$ 71,1 bilhões no ano passado. A China forneceu 43% do total, seguida pela Índia, com 15%, Estados Unidos, com 11%, Alemanha, com 8%, e Suíça, com 6%.
Somadas, as compras externas de fertilizantes e defensivos alcançaram aproximadamente R$ 144,2 bilhões em 2025. O valor mostra que uma parcela expressiva da riqueza gerada pelas exportações retorna ao exterior para a aquisição de nutrientes e tecnologias de proteção das lavouras.
Essa dependência deixa o produtor exposto às oscilações cambiais, aos fretes internacionais, aos conflitos geopolíticos e às eventuais restrições de fornecimento. Qualquer interrupção nas rotas comerciais pode elevar os custos e reduzir as margens das propriedades.
O avanço das exportações comprova a capacidade do Brasil de ampliar a produção e conquistar mercados. O próximo passo é transformar essa força comercial em maior segurança para quem produz, com diversificação de fornecedores, desenvolvimento da indústria nacional de insumos e uso mais eficiente de fertilizantes e defensivos.
Ao ultrapassar uma média anual de R$ 858 bilhões em vendas externas, o agronegócio brasileiro chega a um novo patamar. A manutenção dessa trajetória dependerá não apenas da abertura de mercados, mas também da capacidade do país de reduzir suas vulnerabilidades e garantir ao produtor condições competitivas para continuar abastecendo o Brasil e o mundo.
Fonte: Pensar Agro
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