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Brasil só tem 30% das propriedades rurais com internet. Se chegar a 48% o VBP supera R$ 1 trilhão

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A expansão da cobertura de internet nas áreas rurais tem o potencial de aumentar o Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária brasileira em cerca de 10% ao ano, resultando em um acréscimo de R$ 100 bilhões para os produtores, conforme dados apresentados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) durante um evento realizado na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em 26 de outubro.

Atualmente, apenas 30% das propriedades rurais brasileiras estão conectadas via satélite, rádio, 3G ou 4G. Se essa cobertura for expandida para 48%, o aumento estimado no VBP, que ultrapassa R$ 1 trilhão, pode chegar a 4,5%. Com 90% das áreas rurais com acesso à internet, a receita deve crescer 9,5%, de acordo com as projeções apresentadas.

Pedro Estevão, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Equipamentos Agrícolas da Abimaq, enfatizou que a falta de conectividade limita o acesso dos agricultores a equipamentos mais avançados disponíveis no mercado, que podem aumentar a eficiência na produção. Ele ressaltou que a pulverização de defensivos agrícolas sem tecnologia adequada resulta em desperdício de 10% a 15% dos produtos, enquanto a automação pode reduzir essa perda para 2%.

Estamos comprometidos em aprimorar a competitividade do setor agrícola brasileiro. As máquinas modernas estão conectadas à internet e, enquanto trabalham, coletam dados de produção e do ambiente, melhorando a gestão das fazendas com base nesses dados. A diferença tecnológica entre máquinas com e sem conexão é significativa.

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Ampliação da Cobertura: Renata Miranda, secretária de Inovação, Desenvolvimento Sustentável, Irrigação e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, anunciou que o ministério apresentará um novo projeto ao conselho gestor do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicação (Fust) para ampliar a cobertura de internet nas áreas rurais.

O projeto proposto pelo Ministério da Agricultura, chamado de “Torres Rurais,” visa à instalação de 125 novas torres e a revitalização de outras 550. Além disso, planeja a atualização tecnológica para 4G em 3,2 mil torres espalhadas por todo o país. Essas iniciativas têm como objetivo elevar a área rural conectada de 30% para 48%.

Renata Miranda destacou que o Fust disponibiliza R$ 400 milhões anualmente para investimentos não reembolsáveis, que podem ser empregados nesse tipo de ação. Ela enfatizou a importância de adotar tecnologias acessíveis para incentivar pequenas operadoras a expandir a cobertura em áreas remotas. Para áreas maiores e produtores de grande escala, a instalação de torres é crucial.

Em setembro, os ministérios da Agricultura, do Desenvolvimento Agrário e do Desenvolvimento e Assistência Social lançaram o programa “Rural + Conectado,” concentrando-se em 2,3 mil localidades rurais no Nordeste do país e em alguns pontos da região Norte. Esse programa oferece uma linha de crédito com taxas subsidiadas para empresas de telecomunicações implantarem infraestrutura de rede nessas comunidades remotas, com um prazo de pagamento de 15 anos e juros subsidiados.

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Segundo Renata Miranda, esse programa tem o potencial de levar conectividade a 19 milhões de pessoas que vivem nessas regiões.

João Martins, presidente da CNA, destacou que a expansão da conectividade tem efeitos positivos na segurança rural, no acesso à educação e facilita a sucessão familiar nas propriedades. Ele enfatizou a importância de levar a internet não apenas para as sedes das propriedades, mas também para as áreas de produção e estradas de acesso.

Moisés Savian, secretário de Governança Fundiária, Desenvolvimento Territorial e Socioambiental do Ministério do Desenvolvimento Agrário, ressaltou que a conectividade pode diminuir a distância tecnológica entre áreas urbanas e rurais, melhorando o acesso dos produtores a informações técnicas e permitindo que os jovens permaneçam no campo graças à educação acessível pela internet.

Ele observou que a conectividade rural é um desafio, já que apenas 30% das propriedades rurais estão conectadas, enquanto 92% dos domicílios urbanos têm acesso à internet.

Com informações do Globo Rural

Fonte: Pensar Agro

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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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