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Brasil projeta salto de 100 milhões de toneladas em grãos até 2031 com foco em industrialização

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A produção brasileira de soja, milho e seus derivados deve saltar de 384 milhões para 480 milhões de toneladas até 2031, um crescimento impulsionado não apenas pela abertura de novas áreas, mas por uma mudança estrutural na cadeia de valor: a migração da exportação de grão bruto para o processamento industrial dentro do território nacional. A projeção, assinada pela Veeries, consultoria de inteligência estratégica especializada em cadeias de suprimentos e modelagem de oferta e demanda, desenha um cenário onde o Brasil se consolida como fornecedor global de energia e proteína processada.

Essa empresa, que atua no monitoramento de fluxos logísticos e inteligência de mercados agrícolas, aponta que o motor dessa transformação é o aumento do esmagamento doméstico — previsto para crescer 7% ao ano. Esse movimento é sustentado por mandatos de biocombustíveis que exigem maior oferta interna de óleo de soja e pela expansão das usinas de etanol de milho. O resultado, segundo o CEO da consultoria, Marcos Rubin, será uma pauta exportadora com menos volume de matéria-prima bruta e maior densidade energética.

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O desafio da infraestrutura

Se a projeção da consultoria projeta um otimismo industrial, a realidade do campo impõe um contraponto: o gargalo logístico e de armazenamento. Instituições como a Embrapa e áreas técnicas do Ministério da Agricultura (MAPA) alertam sistematicamente que a sustentabilidade dessa curva de crescimento de 100 milhões de toneladas em cinco anos depende menos da capacidade produtiva da lavoura e mais da eficiência pós-colheita.

A Embrapa, em diversos estudos sobre produtividade e sistemas integrados, pontua que o ganho de eficiência no campo, por meio de tecnologias de plantio direto e integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), já está consolidado. O desafio agora é o chamado “gargalo de escoamento”. Sem investimentos proporcionais em armazenagem e logística multimodal (ferrovias e hidrovias), o aumento de volume projetado pela Veeries pode encontrar limitações severas na capacidade de exportação dos portos e no custo de frete interno.

A nova lógica do mercado

A análise ganha relevância por alinhar-se à tendência atual de valorização da economia circular no agronegócio. A integração da produção de grãos com a indústria de processamento — onde o milho vira etanol e DDG (insumo proteico para pecuária) e a soja vira óleo para biodiesel e farelo para exportação — cria um modelo de negócio menos exposto à volatilidade de preços das commodities brutas.

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Para o setor, a transição é um caminho sem volta para a profissionalização. O produtor deixa de ser apenas o fornecedor do grão para se tornar, indiretamente, um elo de uma cadeia industrial de alto valor agregado. Contudo, analistas de mercado ressaltam que, apesar das projeções otimistas de crescimento de 2,4% ao ano na área plantada, a viabilidade de atingir as 480 milhões de toneladas até 2031 estará condicionada à capacidade do Estado e do setor privado em destravar o sistema logístico nacional. O volume é factível, mas o custo operacional determinará o sucesso ou o desperdício dessa safra histórica.

Fonte: Pensar Agro

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Produtos bovinos brasileiros podem ganhar mais espaço no mercado japonês

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Estabelecimentos brasileiros registrados no Serviço de Inspeção Federal (SIF) que produzem produtos bovinos processados têm até as 18h desta segunda-feira (31.08) para manifestar interesse em participar da auditoria sanitária que o Japão realizará no Brasil e que poderá ampliar o acesso de produtos bovinos processados ao mercado japonês. A iniciativa ocorre em meio ao esforço brasileiro para aumentar a presença da pecuária nacional em um dos mercados de carne mais exigentes e valorizados do mundo.

A chamada foi aberta pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para identificar estabelecimentos interessados e preparados para receber a missão japonesa. O trabalho será conduzido pelas autoridades sanitárias do Japão e deverá avaliar as condições brasileiras de produção e processamento.

A lista inclui produtos como carne bovina desidratada, conhecida internacionalmente como beef jerky, envoltórios bovinos submetidos a tratamento térmico e o chamado Prime Beef, produto elaborado a partir de colágeno bovino e extrato de carne.

O objetivo da auditoria é revisar o Programa de Verificação de Exportação (EVP, na sigla em inglês), conjunto de procedimentos que estabelece as condições que os estabelecimentos brasileiros precisam cumprir para vender determinados produtos ao Japão.

Na prática, uma avaliação favorável poderá permitir a inclusão de novos produtos e estabelecimentos brasileiros no comércio com o país asiático.

O prazo desta segunda-feira não significa, portanto, abertura automática do mercado. Ele representa uma etapa preparatória para a auditoria e para a negociação sanitária necessária antes da autorização das exportações.

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A movimentação ganha importância porque o Japão é fortemente dependente da importação de alimentos. Cerca de 60% das calorias consumidas pela população japonesa têm origem externa, ao mesmo tempo em que o país mantém padrões sanitários rigorosos para entrada de produtos agropecuários.

Na carne bovina, aproximadamente 70% do consumo japonês é abastecido por importações. Austrália e Estados Unidos estão entre os principais fornecedores, enquanto o Brasil ainda busca ampliar sua participação nesse mercado.

A abertura para a carne bovina brasileira in natura é uma negociação separada e muito mais ampla, que se arrasta há mais de duas décadas. Brasil e Japão decidiram acelerar as discussões e estabeleceram a realização de inspeções técnicas como uma das etapas necessárias para avançar na avaliação de risco.

Por isso, embora a auditoria relacionada ao prazo de segunda-feira seja destinada a produtos processados, o movimento ocorre dentro de uma aproximação sanitária e comercial mais abrangente entre os dois países.

Para a pecuária brasileira, conquistar espaço no Japão teria importância que vai além do volume vendido. O país asiático é considerado um mercado de elevado valor agregado e possui exigências sanitárias capazes de funcionar como referência para outros compradores.

A diversificação também ganhou importância neste segundo semestre. As exportações brasileiras de carne bovina chegaram a 1,97 milhão de toneladas entre janeiro e julho, crescimento de 9,9% em relação ao mesmo período do ano passado, mas o setor enfrenta mudanças nas condições de acesso a alguns de seus principais destinos.

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Nesse cenário, ampliar o número de compradores reduz a dependência de poucos mercados e aumenta as alternativas comerciais dos frigoríficos. O efeito pode chegar ao pecuarista por meio de maior disputa pela matéria-prima e da valorização de animais que atendam às exigências dos destinos mais remuneradores.

A abertura de um mercado, entretanto, não termina com a autorização sanitária. Frigoríficos precisam cumprir requisitos específicos de produção, processamento, rastreabilidade e certificação para serem habilitados a exportar.

É justamente esse processo que começa agora para os produtos incluídos na chamada. Os estabelecimentos interessados devem encaminhar a documentação por meio do Serviço de Inspeção Federal (SIF) e do respectivo Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoa), para que a manifestação chegue ao Mapa dentro do prazo.

Manifestações apresentadas depois das 18h desta segunda-feira não serão consideradas.

A auditoria japonesa será o passo seguinte. Se o resultado permitir a revisão das regras atuais, o Brasil poderá acrescentar novos produtos bovinos à pauta de exportações para o Japão enquanto continua negociando o objetivo de maior peso econômico para a pecuária nacional: a abertura do mercado japonês à carne bovina brasileira in natura.

Fonte: Pensar Agro

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