AGRONEGÓCIO

Brasil e UE retomam confiança e voltam ao sistema de pré-listagem

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O diálogo técnico entre Brasil e União Europeia ganhou novo fôlego com a consolidação de avanços sanitários que fortalecem o comércio agroalimentar entre as duas partes. Reunidos em São Paulo nesta quinta-feira (23.10), representantes do Ministério da Agricultura e da Comissão Europeia definiram medidas que reforçam a cooperação e restabelecem mecanismos suspensos nos últimos anos.

O principal resultado foi a retomada do sistema de pré-listagem para os frigoríficos brasileiros exportadores de carne de aves. O procedimento, que havia sido interrompido em 2018, devolve ao Brasil a autonomia para indicar e habilitar plantas que atendam integralmente às normas sanitárias europeias. Na prática, o país volta a ter um processo mais rápido, transparente e previsível para autorizar novos estabelecimentos a exportar ao bloco.

Atualmente, cerca de 30 unidades estão habilitadas, mas a reativação do pré-listing deve ampliar significativamente esse número nos próximos meses. A medida representa o reconhecimento, por parte da União Europeia, da robustez do sistema brasileiro de inspeção e controle sanitário.

A parceria comercial entre Brasil e União Europeia sempre teve destaque no setor de carnes. Antes da suspensão, o país enviava mais de meio milhão de toneladas anuais de carne de frango ao bloco europeu. Mesmo com a redução dos embarques, a Europa segue como destino importante para as proteínas brasileiras, incluindo frango, peru e pato.
Entre janeiro e setembro de 2025, as exportações de carne de aves somaram mais de 137 mil toneladas, demonstrando espaço para retomada e crescimento.

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Além do tema das carnes, o encontro abordou outras pautas estratégicas da agenda sanitária bilateral. Estão entre elas a auditoria no sistema de pescados, o reconhecimento mútuo de produtos orgânicos, novas discussões sobre regionalização de enfermidades e a inclusão de ovos e carne bovina no mecanismo de pré-listagem.
As delegações também avançaram no debate sobre certificação eletrônica e harmonização de procedimentos, com o compromisso de manter diálogo permanente e reuniões periódicas de alto nível. A próxima rodada está prevista para o primeiro trimestre de 2026.

Durante o mesmo dia, foi aberta em São Paulo a Missão Empresarial Agroalimentar da União Europeia, dedicada a ampliar parcerias entre empresas brasileiras e europeias. O governo brasileiro reforçou seu compromisso com a previsibilidade nas relações comerciais e com a transparência regulatória — fatores que elevam a competitividade e a confiança mútua.

O setor produtivo brasileiro saudou a volta do pré-listing como um marco importante, que proporciona mais autonomia ao país e consolida a credibilidade do agronegócio nacional junto ao mercado europeu. A retomada do mecanismo abre um novo ciclo de oportunidades para o Brasil, unindo segurança sanitária, fortalecimento institucional e expansão comercial.

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Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Receita dá trégua em aplicação de multas da Reforma Tributária, mas é preciso atenção

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A Receita Federal confirmou que não aplicará multas em 2026 para os contribuintes que cometerem erros ao preencher o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) nas notas fiscais eletrônicas. O anúncio traz um alívio temporário para o agronegócio, setor que enfrenta uma das maiores reformulações operacionais de sua história.

A partir de 1º de agosto de 2026, quando começam a valer as novas obrigações de preenchimento, o governo adotará uma postura exclusivamente educativa. Caso o produtor rural ou a empresa do agro cometa alguma falha nas informações fiscais, haverá uma notificação com prazo de até 60 dias para a correção das inconsistências, sem aplicação de penalidades. As cobranças e punições financeiras efetivas foram postergadas para 1º de janeiro de 2027, data em que a CBS entra oficialmente em vigor.

O que são o IBS e a CBS

Para o produtor rural, entender a nova engrenagem é essencial, já que o modelo atual de impostos será progressivamente substituído por dois novos tributos que vão incidir diretamente sobre a comercialização da produção, insumos e maquinários:

  • CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços): É o novo imposto federal. Ele vai unificar os atuais PIS e Cofins. Por ser de competência da União, sua arrecadação vai direto para o governo federal.

  • IBS (Imposto sobre Bens e Serviços): É o novo imposto estadual e municipal. Ele vai juntar o ICMS (que hoje é estadual) e o ISS (que é municipal). A gestão desse tributo será feita de forma conjunta por Estados e Municípios através de um órgão chamado Comitê Gestor do IBS.

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Juntos, o IBS e a CBS formam o chamado IVA Dual (Imposto sobre o Valor Agregado). Na rotina do campo, a principal mudança está na forma de calcular: o imposto passará a ser cobrado apenas sobre o valor que o produtor agrega ao produto, permitindo o abatimento de créditos dos impostos pagos nas etapas anteriores (como na compra de fertilizantes, sementes ou diesel). É por isso que o preenchimento correto da nota fiscal se torna o coração do novo sistema.

Embora o governo tenha aberto uma janela sem punições, especialistas alertam que o prazo regulamentar não deve se traduzir em braços cruzados no campo. O momento exige preparação estratégica imediata, especialmente pelas particularidades logísticas e comerciais do agronegócio.

O produtor rural precisa entender que esse período sem multas é uma oportunidade para ajustar processos, revisar sistemas e compreender como a nova lógica tributária vai funcionar. Quem deixar para agir apenas em 2027 pode enfrentar dificuldades operacionais, erros fiscais e impactos financeiros importantes. Os dados transmitidos voluntariamente neste ano de aprendizado servirão de base para o governo calibrar as alíquotas de referência do futuro sistema.

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O tamanho do desafio se reflete nos números oficiais: a Receita Federal informou que mais de 12,5 milhões de empresas já estão emitindo notas fiscais no ambiente de testes montado pelo governo, com um volume que já supera 13,5 bilhões de documentos processados.

Os especialistas recomendam ao homem do campo buscar orientação técnica especializada e atualizar os sistemas de gestão da fazenda o quanto antes, já que a Reforma Tributária muda não apenas tributos, mas também rotinas fiscais, parametrizações e obrigações acessórias. O produtor rural precisa estar cercado de informação confiável.

O cenário demanda atenção redobrada porque o arcabouço legal ainda está sendo desenhado. O regulamento operacional publicado pelo governo traz mais de 160 referências a futuras normas complementares que ainda dependem de publicação oficial por parte da Receita Federal e do Comitê Gestor do IBS. Essas indefinições envolvem desde o desenho final dos layouts das notas fiscais até os procedimentos práticos de apuração de créditos para o produtor.

Entidades representativas do setor agropecuário começam a enviar sugestões de aprimoramento ao Ministério da Fazenda para tentar simplificar os mecanismos antes da estreia definitiva do modelo, garantindo que a transição no campo ocorra sem travar o escoamento da produção nacional.

Fonte: Pensar Agro

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