AGRONEGÓCIO
‘Minas grita pelo leite’: produtores querem apoio do governo e suspensão de importações de lácteos do Mercosul
Publicado em
20 de março de 2024por
Da RedaçãoA crise no setor leiteiro em Minas Gerais, o maior produtor de leite do país, tem levado os produtores a um estado de alerta. Com uma produção anual que chega a 9,4 bilhões de litros, o estado se vê diante de um cenário desafiador, marcado pelo aumento significativo das importações e preços de produção que não cobrem os custos.
Para chamar a atenção do governo e da sociedade para a gravidade da situação, a Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Faemg) iniciou o movimento “Minas grita pelo leite”. Este movimento visa sensibilizar sobre as adversidades enfrentadas pelo setor, que tem visto um crescimento de 68,8% nas importações, chegando a 2,2 bilhões de litros no último ano.
A Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite) destaca que o preço pago aos produtores, muitas vezes inferior a R$ 1,80 por litro, não alcança o custo de produção, variando entre R$ 1,80 e R$ 2,25 por litro, dependendo da região. Essa diferença coloca em xeque a sustentabilidade financeira da atividade, já fragilizada por anos de dificuldades.
Um dos principais problemas identificados é o aumento das importações de produtos lácteos, sobretudo da Argentina e do Uruguai. Essa concorrência externa, impulsionada por subsídios governamentais aos produtores argentinos, desestabiliza o mercado interno, provocando uma queda nos preços ao produtor. A situação tem desmotivado parte dos produtores, que reduzem o número de vacas ou deixam de vez a atividade. No Rio Grande do Sul, por exemplo, o número de propriedades de pecuária de leite caiu de 84,2 mil em 2015 para 33 mil em 2023.
O leite importado, principalmente da Argentina, chega no Brasil mais barato que o leite produzido internamente no país por alguns fatores. Um deles foi uma espécie de subsídio concedido no ano passado. O governo criou um programa que pagava de 10 a 15 pesos por litro produzido por pequenos pecuaristas. A medida estimulou a produção na Argentina e as exportações de lácteos para o Brasil.
Darlan Palharini, secretário-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados (Sindilat RS) acrescenta que o leite argentino é mais competitivo que o do Brasil. A logística é mais barata porque as distâncias são menores. E a produtividade é superior.
“A Argentina produz 10 bilhões de litros de leite por ano, com 10 mil produtores. Minas Gerais, que produz 9,4 bilhões de litros anualmente, tem 216 mil produtores. No Uruguai, 2 mil produtores produzem 2 bilhões de litros por ano. Só isso já dá diferença na competitividade”, afirma Palharini.
Segundo ele, o preço do leite ao produtor na Argentina gira em torno de US$ 0,35 por litro. No Brasil, é de US$ 0,45.
MOVIMENTO – O movimento liderado pela Faemg ganhou força com um evento realizado nesta segunda-feira (19.03), em Belo Horizonte, que reuniu cerca de 7 mil produtores mineiros. Durante o evento, um manifesto foi assinado pelo presidente da Faemg, Antônio de Salvo, e pelo governador Romeu Zema, reivindicando medidas de salvaguarda do governo federal.
A crise atual ressalta a necessidade de uma política mais assertiva em relação à produção leiteira nacional. As medidas sugeridas incluem a prorrogação das dívidas de crédito rural e a criação de linhas de financiamento específicas para o setor. Ademais, a retirada das empresas importadoras de leite em pó do Regime Especial de Tributação em Minas Gerais representa um passo importante na tentativa de equilibrar as condições de mercado.
Os produtores brasileiros de leite enfrentam não apenas a volatilidade dos preços internacionais, mas também as consequências de uma estrutura produtiva que necessita de modernização e maior eficiência. As comparações com outros países do Mercosul, onde a produtividade leiteira é significativamente mais alta, evidenciam a urgência de uma revisão nas práticas e políticas voltadas para o setor.
O cenário para 2024 sugere uma ligeira recuperação nos preços pagos aos produtores, conforme a expectativa da Central de Inteligência do Leite (CILeite) da Embrapa. No entanto, a continuidade das importações em volumes elevados pode comprometer essa recuperação, mantendo a pressão sobre os produtores nacionais.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia
Published
4 dias agoon
28 de julho de 2026By
Da Redação
A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.
O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.
Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.
O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.
Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.
A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.
A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.
Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.
Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.
A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.
Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.
No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.
Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.
A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.
O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.
A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.
O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.
Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.
Fonte: Pensar Agro
Alunos da rede municipal participam de aulas de introdução às artes marciais
Liderança de facção criminosa recebe pena de 38 anos em júri
Prefeitura de Várzea Grande antecipa pagamento dos servidores; salários já estão nas contas
Cuiabá assegura R$ 17 milhões para subsidiar entrada de financiamentos habitacionais
Julho Amarelo: HPS de Várzea Grande reforça segurança do paciente com capacitação e ações de prevenção às hepatites virais
Cuiabá
Cuiabá assegura R$ 17 milhões para subsidiar entrada de financiamentos habitacionais
A Prefeitura de Cuiabá vai ampliar o acesso à casa própria para famílias de baixa renda com a criação do...
Prefeitura de Cuiabá e Corpo de Bombeiros lançam operação integrada de combate às queimadas
A Prefeitura de Cuiabá e o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso lançaram, nesta quarta-feira (29), na Praça Alencastro,...
Prefeitura articula ampliação e Governo levará asfalto às ruas que ficaram fora do projeto
As obras de pavimentação asfáltica no bairro Jardim Mossoró avançam para uma nova etapa, com a previsão de inclusão das...
MATO GROSSO
Polícia Civil prende jovem investigado por furto em estabelecimento comercial de Cuiabá
A Polícia Civil de Mato Grosso cumpriu, em Cuiabá, nesta quinta-feira (16.7), um mandado de prisão preventiva contra um jovem...
Corpo de Bombeiros retira anel de plástico preso ao dedo de bebê
O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) realizou, nesta quinta-feira (16.7), a retirada de um anel de plástico...
Polícia Civil deflagra 2ª fase da Operação ‘Incarceratus’ e cumpre mandados em presídio de Sinop
A Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada de Capturas e Polinter, deflagrou entre os dias 6 e 7 de...
POLÍCIA
Governo de MT suspende notícias institucionais do Portal em cumprimento às normas eleitorais
Em cumprimento à legislação eleitoral, o Governo de Mato Grosso suspende, a partir deste sábado (4.7), a exibição das notícias...
Governo de MT suspende notícias institucionais do Portal em cumprimento às normas eleitorais
Em cumprimento à legislação eleitoral, o Governo de Mato Grosso suspende, a partir deste sábado (4.7), a exibição das notícias...
Polícia Civil prende foragido por roubo em Poconé
A Polícia Civil de Mato Grosso prendeu, nesta segunda-feira (20.7), um homem de 36 anos, em cumprimento a mandado de...
FAMOSOS
Nosso Lar 3 divulga pôster inédito com Carol Castro e Fabio Assunção: ‘2027’
O filme Nosso Lar 3 – Vida Eterna ganhou um novo pôster oficial nesta terça-feira (28), destacando os protagonistas Zenóbia...
Xuxa faz declaração emocionante em aniversário de Sasha: ‘Amor da minha vida’
A apresentadora Xuxa Meneghel usou as redes sociais para fazer uma declaração daquelas para a filha, Sasha Meneghel,, que completou...
Marília Miranda dá a luz e apresentar Lia em ensaio fotográfico: ‘vontade de congelar’
A ex-participante do BBB 23, Marília Miranda apresentou a filha, Lia, de apenas 1 mês, em um delicado ensaio fotográfico....
ESPORTES
Fluminense empata com o Bahia e chega ao quinto jogo sem vencer no Brasileirão
O Fluminense empatou em 0 a 0 com o Bahia nesta quarta-feira, no Maracanã, pela 21ª rodada do Campeonato Brasileiro....
Grêmio busca empate no fim contra o Fluminense e evita derrota em casa
Grêmio e Fluminense empataram em 1 a 1 neste domingo, na Arena do Grêmio, pela 20ª rodada do Campeonato Brasileiro....
Palmeiras perde para o Atlético-MG, mas mantém liderança no Brasileirão
O Atlético-MG surpreendeu o Palmeiras e venceu por 2 a 1, neste domingo, pela 20ª rodada do Campeonato Brasileiro. Na...
MAIS LIDAS DA SEMANA
-
AGRONEGÓCIO6 dias agoRetomada da guerra encarece fertilizantes e aumenta riscos para o agronegócio brasileiro
-
Esportes5 dias agoGrêmio busca empate no fim contra o Fluminense e evita derrota em casa
-
FAMOSOS4 dias agoCamila Pitanga viverá Clara Nunes em cinebiografia sobre trajetória da cantora
-
FAMOSOS6 dias agoAngélica reflete sobre prioridades e destaca importância do autocuidado na rotina




