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Biológicos mudam lógica de valor e forçam gigantes da química a redesenhar estratégias

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O avanço dos insumos biológicos na agricultura brasileira deixou de ser apenas uma tendência sustentável para se tornar uma força econômica que está mexendo no bolso de toda a cadeia produtiva. Mais do que substituir o produto químico tradicional na lavoura, a biotecnologia está mudando quem fica com o lucro do negócio. A conclusão faz parte de uma análise de mercado divulgada por Rosana Leite, especialista em commodities agrícolas.

Durante décadas, o jogo dos insumos foi dominado pelas grandes indústrias químicas. O lucro ficava concentrado nas multinacionais que conseguiam patentear e fabricar moléculas pesadas em larga escala. Agora, a inteligência da biologia aplicada ao campo começou a quebrar essa exclusividade.

Para o produtor rural, a vantagem vai além do controle de pragas. O uso combinados de bioinsumos com a agricultura de precisão traz mais estabilidade para a lavoura aguentar desafios do clima, melhora a produtividade e ajuda a segurar a margem de lucro quando o preço do grão cai.

As gigantes da química já perceberam o risco de perder espaço e foram às compras, adquirindo fábricas e laboratórios de biológicos nos últimos anos. A realidade no campo não é de abandono dos defensivos químicos — que continuam essenciais —, mas sim de uma integração onde a tecnologia de manejo e os dados valem mais do que a venda de um produto isolado no balcão.

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O tamanho desse mercado: Biológicos vs. Químicos

Para entender o peso dessa mudança, os números mostram o tamanho da disputa no Brasil e no mundo:

  • No Brasil: O mercado de defensivos químicos tradicionais ainda é gigante, movimentando cerca de R$ 85 bilhões por safra. Já o setor de biológicos saltou para a casa dos R$ 5 bilhões. Embora ainda represente perto de 6% do total, o mercado biológico cresce a taxas de até 30% ao ano, enquanto o químico caminha de forma mais lenta.

  • No Mundo: O mercado global de bioinsumos caminha para atingir a marca de US$ 15 bilhões (cerca de R$ 75 bilhões). O Brasil é considerado o líder mundial na velocidade de adoção dessa tecnologia pelas fazendas.

O mercado internacional de herbicidas voltou a registrar variações de preços na Ásia, acendendo o sinal de alerta para indústrias, distribuidores e cooperativas que planejam as compras de insumos no Brasil. Um monitoramento realizado pelo analista de mercado Rafael Gomes, com base nos preços FOB na China (valor do produto no porto de origem) entre os dias 8 e 15 de maio de 2026, mostra que a instabilidade exige atenção redobrada.

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O comportamento dos preços dos produtos técnicos — as matérias-primas puras usadas para fabricar os herbicidas que chegam às fazendas — varia muito rápido nos comparativos semanais e mensais. Como a China é a maior fornecedora global desses componentes, qualquer oscilação nas fábricas de lá dita o preço que o produtor brasileiro vai pagar na ponta do balcão dali a alguns meses.

A análise aponta que entender esse mercado exige cuidado com detalhes técnicos e burocráticos. Fatores como a conversão exata entre o dólar e o renminbi (a moeda chinesa), diferenças de preços entre as indústrias locais e até falhas de tradução de contratos do mandarim para o português podem distorcer o custo real de importação.

Em um cenário onde as margens da soja e do milho estão apertadas, o cruzamento constante de dados internacionais virou ferramenta obrigatória. O objetivo é evitar surpresas com aumentos repentinos de custos e garantir que o setor de insumos consiga negociar estoques em momentos de baixa no mercado asiático.

Fonte: Pensar Agro

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IBGE revisa safra e reforça posição entre os maiores produtores do país

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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) elevou em 261,1 mil toneladas a estimativa para a produção agrícola do Paraná em 2026, colocando o estado entre os três maiores ajustes positivos do país no mês de maio. Com a revisão, o Paraná mantém a posição de segundo maior produtor brasileiro de cereais, leguminosas e oleaginosas, respondendo por 13,6% da safra nacional.

A nova projeção acompanha o cenário favorável da agricultura brasileira. Segundo o IBGE, o país deverá colher 350,4 milhões de toneladas de grãos em 2026, um dos maiores volumes da série histórica. Apenas Mato Grosso e Mato Grosso do Sul tiveram acréscimos superiores ao registrado pelo Paraná na comparação com o levantamento anterior.

A soja segue como principal cultura do estado, com produção estimada em 22 milhões de toneladas, volume 2,7% superior ao obtido em 2025. Já o milho de segunda safra, principal aposta dos produtores nesta temporada, teve a projeção elevada para 17,5 milhões de toneladas e representa cerca de 16% da produção nacional da safrinha.

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Nas culturas de inverno, o Paraná continua liderando com folga a produção brasileira de cevada. A colheita está estimada em 552,6 mil toneladas, o equivalente a mais de 80% da produção nacional. A aveia também apresentou revisão positiva e deverá alcançar 256,5 mil toneladas, mantendo o estado entre os principais produtores do país.

Os números reforçam o protagonismo do agronegócio paranaense, sustentado pela diversificação das culturas e pelo elevado nível tecnológico das propriedades. Ao lado do Rio Grande do Sul, o Paraná é um dos pilares da produção agrícola da Região Sul, que responde por mais de um quarto da safra brasileira de grãos.

Fonte: Pensar Agro

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