Tribunal de Justiça de MT

Novos juízes recebem formação sobre comunicação, gestão de crises e relação com a mídia

Publicado em

Ccom no Cofi: Vista ampla de uma sala de treinamento com público sentado em cadeiras pretas, muitos utilizando notebooks. À frente, um homem de terno preto fala ao microfone ao lado de um grande telão.A comunicação foi o tema de mais uma etapa do Curso Oficial de Formação Inicial (COFI) do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) voltado a 35 juízes e juízas substitutos recém-empossados. A atividade foi conduzida pelo coordenador da Coordenadoria de Comunicação (CCom) do TJMT, jornalista Ranniery Queiroz, e abordou liderança, relações interpessoais e interinstitucionais, além de gerenciamento de riscos e crises.

Promovido pela Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT), o COFI é obrigatório para os novos magistrados e tem o objetivo de prepará-los para a prática jurisdicional, incluindo aspectos técnicos, éticos e institucionais.

Imagem e comunicação na magistratura

Ao longo da exposição, foi destacado que a atuação do magistrado não se restringe às decisões judiciais, mas também envolve a forma como essas decisões são compreendidas pela sociedade.

“Hoje em dia é fundamental o magistrado se comunicar com a sociedade. É preciso falar e ser compreendido. Sobretudo, explicar aquilo que é necessário, realizar os trabalhos e publicizá-los. Esse é o papel da comunicação, mas comunicação não se faz sozinha, precisa de pelo menos um emissor e um receptor. No caso, emissor do Poder Judiciário e receptores da sociedade”, afirmou o coordenador Ranniery Queiroz.

Ele ressaltou ainda que a comunicação também funciona como canal de escuta, permitindo que o Judiciário compreenda as demandas da população.

Participaram também da exposição a jornalista Dani Cunha, que apresentou o Portal de Notícias do TJMT, e o jornalista Marco Cappelletti, que apresentou o setor de Redes Sociais, ambos destacando as frentes que gerenciam dentro da estrutura da Coordenadoria de Comunicação do TJMT.

Leia Também:  Decisão determina que Estado estruture saúde mental para crianças em cidades do interior

Comunicação como elo

Durante a formação, os participantes conheceram a estrutura e o funcionamento da Coordenadoria de Comunicação, responsável por conectar o Poder Judiciário à sociedade por meio de diferentes canais, como o Portal de Notícias, a Rádio TJMT, TV Justiça (TVJus) e redes sociais.

A programação incluiu temas como comunicação externa e interna, fluxos institucionais, política de comunicação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), além da atuação em situações de crise e relacionamento com a imprensa.

Também foram realizadas atividades práticas, como entrevistas no formato “pinga-fogo”, com posterior edição e apresentação aos participantes, permitindo vivenciar situações reais de exposição pública.

Apoio e fortalecimento da atuação dos magistrados

Para Francisco Barbosa Júnior, juiz substituto da comarca de Marcelândia, o conhecimento da estrutura de comunicação do TJMT representa um suporte importante no exercício da função.

“Quando se assume como juiz substituto há muitos entraves, principalmente em relação à imagem do juiz perante a sociedade. Com o conhecimento que está sendo passado, nós percebemos que o Poder Judiciário possui uma estrutura apta a nos auxiliar, principalmente na transmissão da atividade do juiz perante a sociedade”, destacou o juiz.

Leia Também:  Expediente presencial é suspenso em Varas Judiciais de Rondonópolis entre os dias 3 e 7 de novembro

Na mesma linha, a magistrada Gabriella Andressa Moreira Dias de Oliveira, da Vara da Infância e Juventude de Rondonópolis, enfatizou que a comunicação contribui diretamente para a efetivação de direitos.

“Essa comunicação do magistrado com a sociedade é uma forma de preservar direitos e levar conhecimento à população, direitos que muitas vezes ainda não são conhecidos. […] O próprio TJ já tem toda uma estrutura preparada que pode nos auxiliar”, afirmou.

Comunicação, transparência e confiança institucional

A atuação da Coordenadoria de Comunicação vai além da divulgação de notícias. Conforme o relatório institucional apresentado durante o COFI, ela atua como política pública ao traduzir decisões judiciais em linguagem acessível, ampliar a transparência e aproximar o cidadão da Justiça.

Esse papel se reflete também nos números: em 2025, o Portal do TJMT publicou mais de 3.200 matérias e alcançou cerca de 5,8 milhões de acessos, consolidando-se como uma das principais fontes de informação do Poder Judiciário Estadual.

A formação destacou que comunicar também é parte da responsabilidade institucional do Judiciário e, quando integrada à atuação de magistrados e servidores, fortalece a transparência, ampliando o acesso à informação.

Autor: Vitória Maria Sena

Fotografo: Lucas Figueiredo

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

Tribunal de Justiça de MT

Curso sobre letramento racial promove equidade no ambiente institucional do PJ

Published

on

Banner do Curso de Letramento Racial e Antirracismo do TJMT. A arte tem tons de marrom e sépia e tem as imagens de uma mulher preta de perfil, de uma mão negra de punho cerrado, da balança da Justiça e do mapa de Mato Grosso.Um ambiente institucional com equidade vai além do tratamento igualitário. Reconhece as necessidades individuais, oferecendo suporte para que todos tenham oportunidades reais de desenvolvimento. Buscando transformar a cultura organizacional da instituição em um modelo que promova justiça, acolha a diversidade e garanta que as barreiras estruturais sejam superadas, o Poder Judiciário de Mato Grosso vem adotando práticas e políticas antirracistas. Entre elas, cursos e capacitações sobre Letramento Racial e Práticas Antirracistas.
Um novo módulo da capacitação online teve início nesta segunda-feira (15/06) e prossegue até quinta (19), das 8h às 12h. Voltado a magistrados, servidores e colaboradores da Justiça Estadual, o curso é ministrado pela professora e pesquisadora Silviane Ramos Lopes da Silva, doutora em Sociologia pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e mestre em História pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
A pesquisadora lembrou que para falar de racismo estrutural é preciso primeiro revisitar a história do Brasil, a fim de se compreender que o racismo não é apenas um preconceito, mas uma base sobre a qual instituições, a economia e a cultura foram organizadas. A colonização e a escravidão deixaram ao país uma herança histórica e econômica, já que, após a abolição, o Estado não promoveu políticas de inclusão, o que resultou na marginalização da população negra. “Foram usadas diferenças corporais, como fenótipo, cor da pele e textura de cabelo, para criar desigualdades e legitimar a superioridade de um grupo sobre o outro”, pontuou.
Silviane destacou ainda o que chamou de “ponto cego nacional por conta do analfabetismo racial “ essa ideia equivocada da coisificação dos corpos negros e indígenas , e o discurso de que somos todos iguais não coadunam . Essa narrativa que suaviza a não existência de racismo no Brasil, é uma estratégia da branquitude para enfraquecer os movimentos negros , indígenas a não se organizarem . Nada foi dado a população negra e indígena. Os povos indígenas são donos da terra e os negros foram arrancados de África sem escolhas, a organização da comunidade e imprescindível em para garantir vida digna, ressaltou.
Corpo branco, pele clara, traços finos, cabelo liso são vistos como norma ou padrão, sem mistura. Já negros e indígenas são vistos como diferentes. Esse conceito de branquitude define a identidade racial, o lugar de privilégio e a posição de poder ocupada por pessoas brancas em uma sociedade estruturada pelo racismo. A pesquisadora deu como exemplo dessa branquitude os bairros nobres da cidade de São Paulo, considerados locais “de branco”. Nesses lugares, observou Silviane, o corpo negro só é normalizado se estiver exercendo uma função subalterna.
Letramento e dupla consciência
Pessoas brancas podem desenvolver letramento racial por meio da “Dupla Consciência”. Isso ocorre quando o indivíduo adquire a capacidade de olhar para a sociedade e para os próprios privilégios, através das lentes da experiência negra. Conforme pesquisa trazida por Silviane, apesar de ser impossível “vestir a pele do outro”, é possível vivenciar a empatia profunda sem apropriação. Essa identificação estética e política pode vir, por exemplo, do engajamento com produções intelectuais, musicais e artísticas negras.
A capacitação traz ainda um conjunto de recursos para quem deseja ser um aliado na luta antirracista. Entre eles, reconhecer privilégios e o racismo internalizado, escuta qualificada e não universal, descentralizar-se, além de educação continuada.
O curso Letramento Racial e Práticas Antirracistas é promovido pelo Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio do Comitê de Promoção da Equidade Racial, que tem entre suas atribuições coordenar e executar as ações previstas no Pacto Nacional do Judiciário pela Equidade Racial, fomentar a representatividade racial no Judiciário, estimulando cursos e capacitações e disseminando práticas de combate ao racismo e de promoção da equidade racial.

Autor: Nadja Vasques

Leia Também:  Vara da Infância e Juventude de Rondonópolis e parceiros promovem campanha Opção Pela Vida!

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

Cuiabá

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA