Tribunal de Justiça de MT
Programa “Servidores da Paz” conclui formação de novos facilitadores
Publicado em
21 de outubro de 2025por
Da Redação
Sentir-se tão à vontade para falar, que nem mesmo o fato de estar entre pessoas desconhecidas impede o início de um processo de cura. Foi com esse sentimento de liberdade e segurança, que o Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio do Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (NUGJUR), concluiu na sexta-feira (17) a formação de duas novas turmas de facilitadores em Justiça Restaurativa e Círculos de Construção de Paz. O curso foi realizado entre os dias 14 e 17 de outubro, na sede do Complexo dos Juizados Especiais de Cuiabá.
A partir de agora, os novos facilitadores terão a missão de atuar como agentes de pacificação vinculados ao Programa “Servidores da Paz”. Implantado em 2023, o programa tem se dedicado a promover ambientes de trabalho mais humanos e inspirar a cultura da paz em todas as unidades do Poder Judiciário.
Além de promover o desenvolvimento humano dos servidores, a formação propicia um espaço de escuta, empatia e reflexão sobre as próprias vivências e relações de trabalho, dando o tom de como será a caminhada de um facilitador. Mais do que um curso, a formação se revela uma experiência transformadora, que convida cada participante a reconhecer em si o potencial de promover diálogos restaurativos, fortalecer vínculos e cultivar ambientes mais colaborativos e respeitosos.
Para a psicóloga Ana Paula Carvalho Rocha Ferrari, que atua há quatro anos como técnica judiciária no Centro de Atendimento às Vítimas de Crimes e Atos Infracionais (Ceav), no Fórum de Várzea Grande, vivenciar a formação foi como um processo de desconstrução e aprendizado.
“Posso dizer que literalmente venho de um processo de desconstrução. Desde o início do curso estou desconstruindo muitas coisas que trazia como bagagem. Na psicologia, muitas vezes o condutor fala mais do que quem participa. Aqui, no Círculo, a gente vive a horizontalidade, é o espaço onde eu também posso me expor, falar de mim e me conectar com o outro. É uma ferramenta que me abriu os olhos para o que posso fazer em projetos futuros. O Círculo permite olhar para a dor, mas de um jeito leve. Ele reconstrói, ressignifica. A gente fala daquilo que precisa ser dito, e, mesmo que haja choro, o resultado é um alívio, uma sensação de cura que vem pela fala e pela escuta”.
A técnica judiciária Elisa Cristina Cândido Rodrigues, psicóloga e servidora há 12 anos no Poder Judiciário, participou da formação com um olhar atento às possibilidades de aplicar as práticas restaurativas em seu ambiente de trabalho, mesmo atuando na área de exatas, como é o trabalho na Contadoria do Fórum da Cuiabá. Para ela, a vivência como facilitadora transforma primeiro quem conduz o processo.
“O facilitador é o primeiro a ser tocado, porque ele se coloca no lugar do outro, sente as dores que também já viveu e aprende a olhar o outro com empatia. Essa prática deveria ser constante no ambiente de trabalho, pois ajuda a enxergar não só o colega, mas também o jurisdicionado como um ser humano que traz suas dores e sofrimentos. Talvez por estar na contadoria, pense que não tenha nada a ver com os círculos, mas tem tudo a ver. Quero voltar ao meu local de trabalho e desmistificar essa prática, mostrando que o Círculo de Paz é, na verdade, um olhar para nós mesmos. Muitas vezes, é o momento em que posso olhar para minha ferida e dizer: está tudo bem. Todo mundo tem as suas. E aqui, no Círculo, elas podem começar a ser curadas”, afirma Elisa Cristina.
Mas, afinal, que atmosfera é essa produzida pelos Círculos de Paz que faz as pessoas se conectarem e se sentirem seguras a ponto de abrirem suas dores diante de outras pessoas?
Para Rauny Viana, instrutor do NUGJUR e responsável pela formação de uma das turmas, o que acontece dentro do Círculo vai muito além de uma metodologia, é um espaço de reconexão da humanidade que existe em mim com a humanidade que habita o outro.
“As pessoas costumam brincar, perguntando que magia é essa que envolve os círculos e desperta em nós a coragem de nos abrir ao outro. Não há magia, há humanidade! Quando as pessoas se sentem seguras para compartilhar, em igualdade, suas dores e necessidades, sem julgamentos, o Círculo cria naturalmente uma psicosfera de confiança. É como se cada pensamento, emoção e palavra dita ali formassem uma energia capaz de acolher o que o outro traz. Quando há sinceridade na escuta e na fala, essa atmosfera coletiva se aproxima de um efeito terapêutico. O silêncio deixa de ser distância e passa a ser presença. Não se trata apenas de técnica ou condução, mas de um encontro entre pessoas dispostas a escutar e a se deixar tocar. O Círculo é, antes de tudo, um espaço de conexão, um lugar onde a cura começa a acontecer, mesmo quando as palavras ainda estão sendo elaboradas”.
“Servidores da Paz” – Como parte da acolhida ao novo grupo de facilitadores, o gestor de Projetos do NUGJUR, Wellington Corrêa, destacou a importância de reconhecer o propósito individual dentro do Poder Judiciário e de compreender que o cargo é apenas um meio, e não o fim, da missão de cada servidor. O gestor provocou os participantes a refletirem sobre o legado que desejam deixar e sobre a história que estão construindo diariamente em suas trajetórias pessoais e profissionais.
Wellington também abordou o papel do Programa “Servidores da Paz” como um espaço de humanização das relações de trabalho, onde o diálogo, o respeito e a empatia devem ser cultivados para fortalecer o ambiente institucional. Ele destacou que ser um servidor da paz é ir além da função técnica, é exercitar a escuta ativa, o cuidado com o outro e o comprometimento consigo mesmo, buscando o equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
“A Justiça Restaurativa convida cada pessoa a restaurar não apenas o que está ao redor, mas principalmente o que existe dentro de si. Nós não somos apenas cargos ou funções. Somos histórias em construção. O que fazemos aqui precisa ter propósito, precisa deixar marcas de respeito, empatia e colaboração. Ser um servidor da paz é olhar para além da função e se comprometer com a humanidade que existe em nós e no outro. Cada etapa da nossa vida é uma oportunidade que temos de narrar uma nova história. Nós recebemos a história dos nossos antepassados, aquela que estamos escrevendo agora e a que será contada sobre nós no futuro. Qual história será contada sobre nós no futuro?”, provocou Wellington.
Durante a palestra, o gestor também destacou que a ética no ambiente de trabalho começa nas pequenas atitudes: na forma como ouvimos, falamos e nos relacionamos com os colegas. Reforçou que ser ético é manter a neutralidade, respeitar o espaço do outro e agir com empatia, sem julgamentos. Falou também sobre a importância da humildade para reconhecer que todos estamos em processo de aprendizado e que o respeito mútuo deve estar presente em cada gesto e palavra. Segundo ele, o compromisso ético vai além das regras institucionais, envolve chegar no horário, cumprir responsabilidades, cuidar das relações e ter consciência de que cada atitude influencia o clima ao nosso redor.
Autor: Naiara Martins
Fotografo:
Departamento: Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa – NugJur
Email: [email protected]
Tribunal de Justiça de MT
Justiça e Exército se unem em Rondonópolis para defender cultura da paz e acesso aos direitos
Published
52 minutos agoon
18 de maio de 2026By
Da Redação
Entre fardas, livros e reflexões sobre cidadania, o auditório do 18º Grupo de Artilharia de Campanha, em Rondonópolis, se transformou nesta segunda-feira (18) em um espaço de diálogo sobre pacificação social, direitos fundamentais e Justiça. A convite do comandante da unidade, tenente-coronel Joel Reis Alves Neto, o coordenador do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc), juiz Wanderlei José dos Reis, ministrou palestra aos militares sobre acesso à Justiça, autocomposição e Justiça Restaurativa.
Logo no início da fala, o magistrado destacou sua ligação com o Exército Brasileiro e a importância da parceria institucional entre as duas instituições. “O militar não é melhor nem pior que ninguém, ele é diferente. O militar tem senso de responsabilidade, disciplina e proatividade. É uma honra estar aqui falando em nome do Poder Judiciário de Mato Grosso e trazendo uma mensagem institucional de pacificação social”, afirmou o juiz.
O comandante do 18º GAC, tenente-coronel Joel, ressaltou que o encontro fortalece o intercâmbio de conhecimentos entre as instituições e contribui para a formação humana dos militares. “A presença do Poder Judiciário dentro do quartel amplia horizontes e reforça valores importantes para a sociedade e para o próprio Exército, como diálogo, equilíbrio e responsabilidade social”, destacou.
Direitos fundamentais e cidadania
Durante a primeira parte da palestra, o juiz Wanderlei abordou temas ligados ao projeto “Diálogos com as Juventudes”, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), explicando conceitos relacionados à Constituição Federal, direitos humanos e acesso à Justiça.
O magistrado explicou aos militares que o acesso à Justiça é um direito fundamental garantido pela Constituição e destacou a importância do conhecimento como instrumento de transformação social. “O acesso à Justiça começa pelo conhecimento. Conhecer a Constituição, conhecer as leis e compreender os próprios direitos é fundamental para o exercício da cidadania”, disse.
Ao falar sobre direitos fundamentais, o juiz Wanderlei também fez um paralelo histórico sobre a evolução do Estado Democrático de Direito e ressaltou o papel do Judiciário como garantidor da paz social e da proteção dos direitos individuais.
Exército e Judiciário pela pacificação social
O magistrado também relacionou a atuação do Judiciário à missão histórica de figuras importantes do Exército Brasileiro, como Duque de Caxias e Marechal Rondon. “Nós estamos aqui trazendo uma mensagem institucional de pacificação. Duque de Caxias foi conhecido como o pacificador e Marechal Rondon carregava um lema profundamente humano: ‘Morrer, se necessário for; matar, nunca’. Isso dialoga diretamente com aquilo que o Judiciário busca hoje”, afirmou.
Ao encerrar a primeira palestra, o juiz reforçou que educação, leitura e conhecimento são ferramentas essenciais para transformação pessoal e social. “O conhecimento transforma. O homem é a medida do seu conhecimento. Quanto mais conhecimento, maior a capacidade de compreender seus direitos e contribuir para uma sociedade mais justa”, concluiu.
Autor: Roberta Penha
Fotografo: Josi Dias
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
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