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Recuperação de ativos é tema central de painel em Conferência

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A recuperação de ativos como estratégia central no enfrentamento ao crime organizado foi o foco das discussões do oitavo painel do Congresso Recupera MT, nesta sexta-feira (03), na sede do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). Magistrados, promotores e delegados debateram os desafios e avanços na investigação patrimonial, destacando a importância da descapitalização das organizações criminosas, o combate à lavagem de dinheiro e a necessidade de integração entre os órgãos do sistema de justiça para sufocar financeiramente essas organizações.As discussões foram conduzidas pelo juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, titular da Vara de Combate ao Crime Organizado da capital; pelo promotor de Justiça e coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Adriano Roberto Alves; e pelo delegado Rafael Mendes Scatolon, da Polícia Judiciária Civil.O juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra destacou que a recuperação de ativos é uma das formas mais eficazes de enfraquecer as facções criminosas. “A prisão, por si só, não desestrutura essas organizações, pois muitas lideranças continuam comandando de dentro dos presídios. Por isso, é essencial investir em inteligência financeira para rastrear e apreender os recursos ilícitos”, afirmou.O magistrado também ressaltou a importância de medidas patrimoniais, como o sequestro de bens, que podem ser decretadas pelo juízo para garantir a reparação de danos e o pagamento de multas. “A lavagem de dinheiro é o que dá corpo às organizações criminosas. Sem ela, o dinheiro ilícito não retorna à economia formal. É preciso focar no dolo específico da lavagem, que é a intenção de dar aparência lícita ao bem ocultado”, explicou.Com 25 anos de atuação no combate ao crime organizado, o promotor de Justiça Adriano Roberto Alves trouxe uma visão prática para além da eficácia da recuperação de ativos. “Para facções violentas, a descapitalização não é suficiente. Essas organizações se impõem pela força e intimidação, não apenas pelo dinheiro”, pontuou.Segundo o promotor de Justiça, o maior desafio está dentro dos presídios. “Mais de 90% das lideranças estão presas, mas continuam comandando crimes de dentro das unidades. O problema não é a investigação ou a condenação, mas sim impedir que essas ordens saiam de dentro das cadeias”, asseverou.O delegado Rafael Mendes Scatolon, por sua vez, reforçou a importância da investigação patrimonial como parte do trabalho policial. “Hoje, além de buscar autoria e materialidade, precisamos seguir o dinheiro. Identificar bens em nome de terceiros, verificar se há compatibilidade financeira e aplicar medidas como bloqueio, sequestro e perdimento são ações fundamentais para sufocar a engrenagem do crime organizado”, disse.Rafael Scatolon também alertou para o uso de pessoas jurídicas e criptomoedas como formas de ocultação de patrimônio. “Precisamos mudar o paradigma da investigação, focando em quem enriqueceu ilicitamente. Os recursos recuperados devem ser revertidos para fortalecer a estrutura institucional, com investimentos em tecnologia e capacitação”, concluiu.O Painel 8 integrou a programação do Congresso Recupera MT, uma ação conjunta entre a Rede Nacional de Recuperação de Ativos – Recupera, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), a Polícia Civil (PJC), o Ministério Público do Estado (MPE-MT) e a Escola Superior da Magistratura (Esmagis-MT).

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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Capacitação aborda julgamento com perspectiva de gênero no MPMT

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Com o objetivo de qualificar integrantes da instituição para a aplicação da perspectiva de gênero na atuação ministerial e contribuir para a promoção dos direitos humanos e da justiça social, o Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) realizará o curso de extensão “Julgamento com Perspectiva de Gênero e Ministério Público”. A capacitação ocorrerá nos dias 12 e 24 de agosto de 2026, de forma virtual, por meio da plataforma Microsoft Teams. A iniciativa é do Centro de Apoio Operacional sobre Estudos de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher e Gênero Feminino (CAO VD), em parceria com o Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – Escola Institucional do MPMT. Voltado a membros e servidores do Ministério Público de Mato Grosso, o curso terá carga horária total de 10 horas/aula, incluindo atividades complementares, e certificação para os participantes. A capacitação será ministrada pelo desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) Eduardo Augusto Salomão Cambi, que abordará a aplicação da perspectiva de gênero na atuação judicial e extrajudicial do Ministério Público. O palestrante é pós-doutor pela Università degli Studi di Pavia, na Itália, mestre e doutor pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Também atua como professor associado da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) e do Centro Universitário Assis Gurgacz (FAG).Além da trajetória acadêmica e da atuação na magistratura, Eduardo Cambi preside o Instituto Paranaense de Direito Processual e integra a Academia Paranaense de Letras Jurídicas. Reconhecido por sua produção intelectual e contribuição ao debate jurídico, o desembargador trará reflexões sobre a incorporação da perspectiva de gênero na atuação ministerial, destacando desafios, fundamentos jurídicos e boas práticas para a promoção da igualdade e do acesso à justiça.Programação – O primeiro módulo será realizado em 12 de agosto e terá abertura conduzida pela promotora de Justiça Ana Carolina Rodrigues Alves Fernandes de Oliveira, representando o CAO VD, e pelo coordenador do Ceaf, promotor de Justiça Caio Márcio Loureiro. Na ocasião, será ministrada a palestra “O Papel do Ministério Público na Defesa dos Direitos Humanos: Atuação Extrajudicial e Judicial”.Já no segundo encontro, marcado para 24 de agosto, os participantes acompanharão a palestra “O Protocolo de Julgamento e sua Repercussão na Atuação do Ministério Público”. A proposta é aprofundar o debate sobre os fundamentos normativos do julgamento com perspectiva de gênero, os protocolos instituídos pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e as diretrizes do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), evidenciando sua aplicação prática e sua relevância para a efetivação dos direitos fundamentais.Ao longo da capacitação, também serão discutidos os impactos dos estereótipos de gênero na interpretação dos fatos, na produção de provas e na tomada de decisões, além de estratégias voltadas ao fortalecimento de uma atuação ministerial ética, humanizada e comprometida com a redução das desigualdades estruturais.Segundo os organizadores, o curso busca fortalecer a implementação dos protocolos de julgamento com perspectiva de gênero e racial, estimulando práticas institucionais que contribuam para a construção de um sistema de justiça mais inclusivo, democrático e alinhado aos princípios constitucionais da igualdade e da dignidade da pessoa humana.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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