AGRONEGÓCIO

Novo marco ambiental é avanço histórico para destravar o Brasil, afirma Isan Rezende

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O avanço do novo marco legal do licenciamento ambiental no Senado Federal (veja aqui) marca um ponto de inflexão na política de desenvolvimento do Brasil. Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, o texto representa um “divisor de águas entre o atraso e a modernização inteligente da gestão ambiental”.

A matéria recebeu apoio expressivo do setor produtivo. Mais de 50 entidades ligadas ao agro assinaram manifesto pedindo celeridade na votação. Ainda que a atividade agropecuária, em boa parte, já não dependa de licenciamento, o novo marco traz segurança jurídica e desburocratiza gargalos históricos que afetam toda a cadeia logística — da porteira à exportação.

“Por que o agro está empenhado nisso, se grande parte das atividades já é isenta? Porque sem estradas, sem trens, sem armazéns, não há escoamento. E hoje, temos obras paradas há 20, 25 anos esperando licenças. Isso não é proteção ambiental, é sabotagem institucional”, afirma Isan.

Segundo ele, o Brasil convive com uma estrutura normativa desatualizada, fragmentada e ineficaz. “Hoje, para fazer um acostamento numa rodovia já existente, o DNIT precisa repetir todo o processo de licenciamento, como se estivesse abrindo uma nova estrada na floresta virgem. Isso é irracional. O novo marco corrige absurdos como esse”, ressalta.

O texto aprovado estabelece distinções entre empreendimentos de alto impacto e atividades de baixo risco ambiental. No caso da agropecuária, quatro frentes ficam dispensadas do licenciamento: cultivo agrícola (temporário, semi e perene), pecuária extensiva e semi-intensiva, pecuária intensiva de pequeno porte e pesquisas agropecuárias sem risco biológico.

“Licenciar agricultura é como exigir carteira de motorista para pedestre. Todo o manejo, da aplicação de defensivos ao descarte de resíduos, já é regulado por normas específicas. E mais: nenhuma agricultura no mundo é licenciada como regra. Por quê? Porque ela é dinâmica por natureza”, argumenta Rezende.

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A pecuária intensiva de médio porte poderá aderir a um modelo simplificado, por meio da Licença por Adesão e Compromisso (LAC), enquanto a de grande porte seguirá o trâmite convencional. Obras dentro da propriedade rural — como barragens ou grandes estruturas — continuam exigindo licenciamento, bem como autorização para supressão de vegetação em caso de desmatamento legal.

Para Isan, o marco equilibra proteção com racionalidade. “Ele respeita o meio ambiente sem aprisionar o produtor. Estimula o uso de tecnologia, fortalece o papel dos estados e municípios e impõe limites objetivos aos órgãos licenciadores e intervenientes. Isso é gestão moderna, não flexibilização irresponsável”, diz.

Outro avanço significativo está nos prazos. Órgãos intervenientes, como a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), terão até 30 dias, prorrogáveis por mais 15, para apresentar exigências em processos de licenciamento. E os pedidos de complementação técnica, hoje feitos de forma fracionada e infinita, passam a ter um limite.

“Isso põe fim à chantagem institucional. Hoje, órgãos pedem documentos a conta-gotas, prolongando obras por anos. O novo marco exige que tudo seja solicitado de uma vez, com apenas uma chance de complementação. Isso é civilidade jurídica”, afirma o presidente do Instituto.

Outro ponto sensível enfrentado pelo projeto é o conceito de zona de amortecimento (“buffer”) em torno de terras indígenas e unidades de conservação. O novo texto reduz essa faixa de 40 para 13 quilômetros, o que, na visão de Isan, “traz racionalidade sem comprometer o direito dos povos originários”.

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O novo marco surge num momento em que o Brasil é convocado a exercer protagonismo na produção global de alimentos. Projeções da FAO indicam que o planeta precisará ampliar em cerca de 60% sua oferta de alimentos até 2050. E poucos países têm condições estruturais e ambientais tão favoráveis quanto o Brasil.

“Temos solo fértil, água em abundância, sol, tecnologia de ponta e produtores resilientes. Mas sem infraestrutura, sem segurança jurídica, ficamos amarrados. O marco do licenciamento é, portanto, uma ponte entre o que somos e o que podemos ser”, acredita Isan Rezende.

Na opinião do presidente do IA, o projeto não abre brechas para o desmatamento ilegal, como dizem os detratores. “O marco não suprime nenhuma exigência de proteção, não legaliza desmate, não autoriza barragens sem estudo. Ele apenas organiza, digitaliza, simplifica. Quem diz o contrário está mal informado — ou tem outra motivação.”

Isan finaliza com um chamado à responsabilidade institucional: “O verdadeiro nacionalismo não é o que grita, é o que constrói. O Brasil não pode ser o país que mais preserva e, ao mesmo tempo, o que mais se sabota. A aprovação desse marco é um passo firme rumo à sustentabilidade que produz, à preservação com inteligência. Crescer não é crime. Crime é impedir que o Brasil cresça com responsabilidade e coragem”, completa o presidente do Instituto do Agronegócio.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Programa que reduziu roubos no campo enfrenta gargalo de comunicação

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Responsável por um dos programas de policiamento rural mais abrangentes do País, o Paraná enfrenta um gargalo tecnológico que ameaça limitar os resultados obtidos nos últimos anos. Apesar da redução de 34,6% nos roubos em propriedades rurais desde 2022, as viaturas da Patrulha Rural da Polícia Militar ainda operam sem conexão via satélite em grande parte das áreas mais remotas do Estado, dificultando a comunicação em regiões sem cobertura de telefonia ou internet.

O problema afeta um programa que reúne 37.362 propriedades cadastradas e mais de 24,6 mil propriedades certificadas. Em 2025, testes realizados pelo próprio governo estadual em Londrina e Tamarana demonstraram a viabilidade do uso de internet via satélite nas viaturas, permitindo comunicação estável mesmo durante os deslocamentos por estradas rurais. Mais de um ano depois, porém, a tecnologia ainda não foi incorporada ao sistema.

A demora levou a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP) a cobrar prioridade para a implantação do serviço nas equipes que atuam no campo. A entidade argumenta que a falta de conectividade compromete a capacidade de resposta da polícia justamente nas regiões mais afastadas dos centros urbanos.

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“O trabalho da Patrulha Rural é fundamental para a segurança no campo, mas ainda existe um problema que precisa ser resolvido. Em muitas regiões, o produtor não consegue contato com a polícia em situações de emergência porque não há sinal de telefonia ou internet. A tecnologia é indispensável para reduzir essa distância”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Segundo a Secretaria de Inovação e Inteligência Artificial do Paraná, os testes realizados em 2025 apresentaram resultados considerados positivos e o relatório técnico foi encaminhado à Secretaria de Segurança Pública (Sesp). Em nota, a pasta informou que a Polícia Militar realiza levantamentos para equipar as viaturas da Patrulha Rural, Polícia Ambiental, Batalhão de Fronteira e Polícia Rodoviária, entre outras unidades.

Para Meneguette, os investimentos em conectividade deveriam priorizar o meio rural, onde as limitações de comunicação são maiores.

“Pela própria dimensão territorial, é impossível manter equipes em todos os locais com rapidez. Por isso, a comunicação é uma ferramenta estratégica. O Paraná construiu um modelo de segurança rural que se tornou referência para outros Estados, mas é preciso avançar em tecnologia para garantir que esse sistema continue eficiente”, diz.

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A discussão ocorre em um momento em que a criminalidade no campo exige respostas cada vez mais rápidas e em que Estados produtores buscam ampliar o uso de tecnologias de monitoramento e comunicação nas áreas rurais. Especialistas em segurança pública avaliam que a conectividade tende a se tornar um dos principais pilares do policiamento rural nos próximos anos.

Fonte: Pensar Agro

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