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Suspensão de crédito no Plano Safra impacta pequenos produtores

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A suspensão dos financiamentos com juros equalizados no Plano Safra 2024/2025, anunciada pelo governo federal no final de fevereiro, trouxe incertezas para o setor agropecuário, especialmente para pequenos produtores. Embora a Medida Provisória 1.289 tenha liberado um crédito emergencial de R$ 4,18 bilhões para minimizar os impactos da medida, especialistas apontam que a restrição ao crédito rural ainda pode comprometer o planejamento e a produção de muitas propriedades.

Na prática, o governo manteve apenas as linhas de custeio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), permitindo que agricultores familiares continuem financiando insumos básicos como sementes, adubos e defensivos agrícolas. No entanto, linhas essenciais para a modernização das propriedades e aquisição de maquinário agrícola estão temporariamente indisponíveis, o que pode dificultar a ampliação da produção e a competitividade desses produtores no mercado.

Além disso, o aumento da taxa Selic, que atingiu 13,25% ao ano em janeiro, encareceu o crédito, tornando o acesso ao financiamento mais oneroso para quem busca recursos fora das linhas subsidiadas. Isso afeta diretamente pequenos produtores que dependem desses financiamentos para manter e expandir suas atividades.

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Consultores financeiros do setor agropecuário alertam que, mesmo com a liberação emergencial de recursos, a incerteza gerada pela suspensão dos financiamentos pode gerar um efeito cascata no campo. Com menos investimentos na compra de equipamentos e melhoria da infraestrutura, a produtividade pode ser impactada nos próximos ciclos agrícolas.

Outro ponto de atenção é a dependência dos pequenos produtores em relação ao crédito rural subsidiado. Muitos desses agricultores não possuem reservas financeiras suficientes para lidar com aumentos no custo de produção, o que pode resultar em endividamento e dificuldades no cumprimento de compromissos financeiros.

Diante desse cenário, especialistas recomendam que pequenos produtores busquem alternativas para garantir a sustentabilidade de seus negócios. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) destaca a importância de avaliar cuidadosamente a real necessidade de crédito, evitando endividamento desnecessário. Além disso, a instituição oferece programas de capacitação para ajudar os agricultores a planejar melhor seus investimentos e melhorar a gestão financeira das propriedades.

Enquanto o Congresso Nacional não aprova o Orçamento de 2025, que deve viabilizar a retomada dos financiamentos equalizados, a recomendação é que os produtores rurais analisem todas as opções disponíveis e busquem apoio técnico para minimizar os impactos da atual restrição de crédito.

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Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Pecuária brasileira ainda depende de vacinas importadas para evitar morte súbita

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O mercado de sanidade animal no Brasil vive um desafio silencioso, mas de impacto direto no bolso do pecuarista. Dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostram que, em julho, foram disponibilizadas 5,44 milhões de doses de vacinas contra clostridioses — grupo de doenças responsáveis pela “morte súbita” no gado. O que chama a atenção, porém, é a alta dependência de insumos vindos de fora: das doses ofertadas, 4,03 milhões (74,09%) são importadas, enquanto apenas 1,41 milhão (25,91%) possui fabricação nacional.

Para o produtor rural, o termo técnico “clostridiose” passa longe do vocabulário da lida, mas os sintomas são velhos conhecidos. No campo, essas doenças são temidas pela rapidez com que derrubam o rebanho, como a “manqueira” (ou mal do carvão), que causa inchaço muscular e morte em poucas horas, e o botulismo, associado à ingestão de toxinas em pastos ou rações contaminadas. Por serem fatais e não darem tempo para tratamento, a vacina é o único “seguro” eficiente para evitar o prejuízo total de um animal.

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O “ladrão silencioso” no pasto

Embora o governo não consolide um censo de mortalidade animal por causa específica, estudos de sanidade animal apontam que as doenças clostridiais figuram entre as maiores causas de morte evitável no rebanho brasileiro. Em surtos não controlados, a mortalidade pode atingir de 5% a 10% de um lote em poucos dias.

O prejuízo é um “ladrão silencioso”. O pecuarista raramente contabiliza a perda em estatísticas oficiais — o animal morre, é enterrado e o cálculo fica apenas na planilha da fazenda. Mas o rombo é severo: com um bovino de corte de qualidade valendo facilmente entre R$ 2,5 mil e R$ 4 mil, a morte de poucos animais em um surto elimina a margem de lucro de todo o lote. Soma-se a isso a perda do potencial genético, o investimento em nutrição e o custo operacional.

A alta dependência de importações, que hoje supre quase três quartos da necessidade do mercado, coloca o setor em posição de alerta. Qualquer entrave logístico ou burocrático na entrada desses insumos pode deixar o curral desprotegido no momento crítico da vacinação.

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Ciente dessa vulnerabilidade, o Ministério da Agricultura tem intensificado a atuação junto aos laboratórios de insumos veterinários. A estratégia da pasta é dupla: estimular a ampliação das linhas de produção dentro do Brasil para reduzir a dependência externa e, simultaneamente, agilizar os procedimentos de fiscalização e liberação das vacinas importadas para evitar desabastecimento nas revendas.

A meta de aumentar a produção nacional não é apenas uma questão de industrialização, mas de blindagem econômica. Com a pecuária brasileira sob constante pressão para elevar índices de produtividade e atender exigências globais de sanidade, a disponibilidade constante dessas vacinas é o que separa um ciclo produtivo rentável de um prejuízo incalculável pela perda súbita de matrizes e bezerros. Enquanto o setor tenta equilibrar essa balança, o mercado segue monitorando a oferta mensal, ciente de que, no campo, a prevenção é o único investimento que não admite atrasos.

Fonte: Pensar Agro

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