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Justiça realiza roda de conversa com adolescentes em cumprimento de medida socioeducativo

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Os 47 adolescentes em conflito com a lei em cumprimento de medida socioeducativa no Centro de Atendimento Socioeducativo de Cuiabá (Case), das unidades masculina e feminina, participaram na sexta-feira (17 de maio), da “1ª Roda de Conversa Faça Bonito 2024”. O evento foi realizado em alusão ao dia 18 de maio, que marca o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. O objetivo foi conscientizar os adolescentes quanto à garantia de seus direitos, o esclarecimento sobre as violências e principalmente, como denunciá-las, e sobre a importância do cuidado com a saúde, as formas de acesso e atitudes essenciais para prevenir doenças na adolescência.
 
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) organizou o evento, por meio do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo de Mato Grosso (GMF), em parceria com a 2ª Vara da Infância e Juventude de Cuiabá e apoio do Sistema Socioeducativo de Mato Grosso e o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cedeca).
 
Os adolescentes puderam conversar com profissionais voluntários que levaram informações e responderam perguntas. O advogado Matheus Alberto Rondon e Silva, conselheiro no Conselho Estadual de Direitos Humanos, vice-presidente do Comitê Estadual de Prevenção e Enfrentamento à Tortura, falou sobre o direito do adolescente em cumprimento de medida socioeducativa. Ele frisou que o adolescente pode fazer a denúncia sobre violências, de qualquer natureza, a qualquer servidor do Case, principalmente do setor da Saúde, que notificam o caso. “A proteção do Estado é maior para crianças e adolescentes.”
 
Os enfermeiros, Marcia Rocha, servidora da Secretaria Estadual da Saúde, e Abner Eliezer Lourenço, doutorando em Educação pela UFMT, falaram sobre a importância do cuidado com a saúde física e mental, doenças sexualmente transmissíveis e responderam perguntas dos adolescentes, que têm entre 13 e 19 anos.
Alianna Cardoso Vançan, membro do Núcleo de Apoio do GMF, explicou que a metodologia da roda de conversa foi escolhida para que os adolescentes pudessem expor seus pensamentos e aprender de maneira mais leve, já que a maioria desses adolescentes já sofreu algum tipo de violência, principalmente sexual.
 
“Com a roda de conversa pudemos trabalhar de forma horizontal e construir um diálogo em que eles protagonizaram suas falas, colocando em voga suas próprias emoções porque um dos gargalos que temos dentro do Sistema de Justiça da Infância e Juventude é que grande parte das pessoas que estão em privação de liberdade, os adolescentes em conflito com a lei foram vítimas de algum tipo de violação dos seus direitos e dentre esses direitos, grande parte corresponde aos direitos sexuais, principalmente quando nos referimos às meninas”, afirmou Alianna.
 
O gestor administrativo do Núcleo de Apoio ao GMF, Lusanil Cruz, disse que os adolescentes tiveram uma boa oportunidade para adquirem conhecimento para que recomecem a vida de maneira diferente.
 
“Nós falamos sobre assuntos diversos, principalmente sobre abuso sexual, que foi a razão desse dia e dessa atividade. Estamos trazendo aqui essa reflexão para que os adolescentes tomem consciência de sua vida e para que tenham consciência da nova vida que está se aproximando, porque eles ficam pouco tempo aqui na unidade. Nós precisamos ser rápidos. A Justiça e o GMF estão sendo rápidos para trabalhar a questão da ressocialização desses jovens”, explicou o gestor.
 
A diretora regional do Case feminino, Natielle Thais Santana Alves Kuhn, disse que a atividade “foi muito relevante porque várias adolescentes que estão na unidade, infelizmente, na primeira infância sofreram abuso e exploração sexual e abordar a temática de uma forma leve mostrando a garantia de direitos e o acesso à Justiça é muito importante para a formação de cidadãs e mulheres emancipadas e capazes de lutarem por seus direitos.”
 
O diretor da unidade masculina, Urias Avelino Dantas, falou que a iniciativa do TJMT, por meio do GMF, em levar um assunto tão importante aos adolescentes foi gratificante. “É um assunto que precisa ser tratado, abordado e os adolescentes precisam ser orientados quanto a isso. Entendemos que quase todos os meninos que chegam à unidade, foram violados de alguma forma, algum direito ficou cerceado a eles, e aqui a gente tenta resgatar esse direitos, passar isso para eles mentalizarem que têm vários direitos e essas rodas de conversa ajudam nesse sentido também.”
 
Os adolescentes demonstraram interesse no assunto e aprovaram a forma com que as informações foram passadas, numa roda de conversa. A maioria se sente acolhida pelo sistema e diz que pode confiar seus problemas e desabafos à equipe multidisciplinar que trabalham em cada unidade.
 
Eles (as) estudam diariamente, praticam atividade física, inclusive natação, três vezes por semana e são assistidos por equipes compostas por enfermeiros (as), técnicos em Enfermagem, professor (a) de Educação Física, médico, dentistas e psicólogos (as).
 
18 de maio – o Movimento em Defesa dos Direitos de Crianças e Adolescentes, após forte mobilização, conquistou a aprovação da Lei Federal nº 9.970/2000, que instituiu o dia 18 de maio como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, com o objetivo de mobilizar a sociedade brasileira e convoca-la para o engajamento pelos direitos de crianças e adolescentes e na luta pelo fim da violência. A data foi escolhida porque neste dia, em 1973, uma menina de Vitória (ES), foi sequestrada, espancada, estuprada, drogada e assassinada. Seu corpo apareceu seis dias depois desfigurado por ácido. Os agressores jamais foram punidos. Em 2023 o crime completou 50 anos e a impunidade também.
 
#Paratodosverem. Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Foto 1: A imagem mostra as adolescentes e os visitantes sentados em cadeiras, em círculo. As adolescentes estão usando uniforme, camiseta verde claro, e aparecem de costas. 
 
Marcia Marafon
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Consultoras do Prêmio Innovare avaliam projetos do TJMT selecionados para a premiação

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Grupo de oito pessoas perfiladas durante visita da consultora do Prêmio Innovare ao TJMT para conhecer os projetos selecionados. São três homens e cinco mulheres vestidos elegantemente. Seis dos oito projetos do Poder Judiciário de Mato Grosso (PJMT) selecionados para a 23ª edição do Prêmio Innovare passaram pela etapa de avaliação técnica nesta segunda-feira (13). As consultoras Rúbia Salah Ayoub e Amira Fádia Ayoub conheceram o funcionamento das iniciativas, entrevistaram seus idealizadores e verificaram os resultados alcançados. A premiação é uma das mais importantes do Sistema de Justiça brasileiro. O resultado será divulgado em dezembro, durante cerimônia no Supremo Tribunal Federal (STF).

Foram apresentados os projetos da Vice-Presidência do Tribunal: Sistema Hannah, de Inteligência Artificial; TJMT Inclusivo – Capacitação em Autismo; o Núcleo de Acessibilidade, estrutura permanente vinculada à Comissão de Acessibilidade e Inclusão; e os projetos da Justiça Comunitária, Expedição Araguaia-Xingu e Justiça sem Fronteiras. A consultora também conheceu o Programa Verde Novo, coordenado pelo Núcleo de Sustentabilidade do TJMT.

Projetos da Vice-Presidência

A Comissão de Acessibilidade e Inclusão e o Núcleo de Acessibilidade são presididos pela desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho, vice-presidente do TJMT. Os projetos de inclusão foram apresentados pela juíza auxiliar da Vice-Presidência, Alethea Assunção Santos. Já o Sistema Hannah foi apresentado pelo juiz auxiliar Gerardo Humberto Alves da Silva Júnior, com apoio do engenheiro de IA Daniel Dock Pereira, do assessor João Pedro Guerra e do estatístico Rafael Maciel, do Núcleo de Gerenciamento de Precedentes e Ações Coletivas da Vice-Presidência.

O presidente do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira, participou da apresentação dos projetos e destacou que a inovação deve estar a serviço das pessoas. “Precisamos promover uma mudança de comportamento. Não são eles que vão entrar no nosso mundo; somos nós que devemos nos aproximar do mundo deles para compreender suas necessidades e garantir uma convivência mais inclusiva.”

A declaração foi feita ao comentar o TJMT Inclusivo, iniciativa que já capacitou mais de cinco mil pessoas (magistrados, servidores, familiares e profissionais da Educação), sobre autismo em Mato Grosso, desde 2024.

A vice-presidente do Tribunal, desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho, comemorou a seleção das iniciativas. “Só o fato de termos três projetos selecionados para o Prêmio Innovare já representa uma valorização do trabalho desenvolvido pelo Tribunal.”

Ela explicou que o Núcleo de Acessibilidade, aprovado pelo Tribunal Pleno, contará com equipe multidisciplinar para oferecer suporte biopsicossocial e ampliar as capacitações em inclusão e neurodiversidade por meio de parcerias com os municípios. Também ressaltou os resultados do Sistema Hannah, ferramenta de inteligência artificial que trouxe mais agilidade à análise dos recursos da Vice-Presidência.

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Durante a conversa, as consultoras ouviram relatos de servidores do Judiciário que são pais de autistas, de familiares e de pessoas com TEA que participam do projeto tanto como palestrantes quanto como beneficiárias. Um dos participantes contou que descobriu ser autista após ter contato com os conteúdos abordados nas capacitações, demonstrando o alcance da iniciativa na disseminação de conhecimento e na promoção da inclusão.

Na tarde desta terça-feira (14), participantes do projeto TJMT Inclusivo compartilharam, por videoconferência, suas experiências com as consultoras do Prêmio Innovare, Rúbia Salah Ayoub e Amira Fádia Ayoub. Elas ouviram depoimentos sobre as transformações proporcionadas pela iniciativa e o impacto do projeto na vida de cada participante. A juíza Alethea Assunção acompanhou o encontro.

Sistema Hannah

O Sistema Hannah utiliza inteligência artificial para analisar recursos especiais e extraordinários, identificar teses jurídicas e sugerir minutas de decisão, sempre submetidas à validação humana.

O juiz auxiliar Gerardo Humberto Alves da Silva Júnior destacou que a ferramenta já concluiu mais de 15 mil processos e reduziu o tempo médio de conclusão. “Tivemos uma redução significativa no tempo médio de conclusão dos processos, de 23 para apenas dois dias. É uma satisfação alcançar resultados tão bons e ainda sermos selecionados para um prêmio tão relevante no âmbito do Judiciário brasileiro. Eu penso que já é uma grande vitória.”

Participaram da apresentação dos projetos da vice-presidência também, o corregedor-geral de Justiça, desembargador José Luiz Lindote; o secretário-geral do TJMT, juiz Agamenon Alcântara; e a juíza-auxiliar da presidência, Christiane da Costa Marques Neves.

Programa Verde Novo

Também avaliado pela consultora, o Programa Verde Novo concorre ao Prêmio Innovare pela terceira vez. Criado em 2017 pelo desembargador Rodrigo Roberto Curvo, coordenador do Núcleo de Sustentabilidade do TJMT e ouvidor-geral do PJMT, o projeto já distribuiu e viabilizou o plantio de mais de 269 mil mudas de espécies nativas e frutíferas do Cerrado, contribuindo para elevar Cuiabá do 20º para o 8º lugar no ranking nacional de arborização.

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Para o coordenador, o reconhecimento demonstra a consolidação da política ambiental do Judiciário. “O Programa Verde Novo continua produzindo resultados concretos para a sociedade e para o meio ambiente. Crianças, escolas e toda a sociedade acompanham o cronograma e participam das ações de plantio. Essa mobilização fortalece a consciência ambiental e demonstra que pequenas atitudes podem gerar grandes transformações para as futuras gerações.”

A avaliação

A consultora Rúbia Ayoub explicou que a visita técnica permite verificar, na prática, os resultados apresentados na inscrição. “A visita é o momento de enxergar aquilo que o papel não consegue mostrar. Conversamos com os autores das práticas e com as pessoas beneficiadas para compreender o impacto real dos projetos.”

De acordo com ela, o TJMT desenvolve iniciativas que melhoram o sistema de Justiça e impactam diretamente a sociedade. “O Tribunal desenvolve projetos realmente inovadores, que melhoram o sistema de Justiça e impactam não apenas o jurisdicionado, mas todas as pessoas que interagem com o Judiciário.”

Como advogada, Rúbia disse que percebeu, ao avaliar o Sistema Hannah, um ganho enorme para quem aguarda uma decisão. “A prestação jurisdicional passa a ser entregue no tempo necessário para transformar a vida das pessoas.”Foto de rosto da advogada, consultora do Prêmio Innovare, Rúbia Yaoub. Ela é uma mulher magra, cabelos lisos, na altura do ombro, olhos escuros.

Sobre o Programa Verde Novo, ela ressaltou que a iniciativa vai além do plantio de árvores e deixa um legado para as futuras gerações. Para ela, o projeto é muito enriquecedor, conectado a um tema que é prioridade no mundo inteiro. “Cuidar do meio ambiente hoje é garantir que as futuras gerações possam viver em um ambiente mais equilibrado e sustentável.”

Os relatórios elaborados pelos consultores serão encaminhados à Comissão Julgadora do Prêmio Innovare. Neste ano, a premiação registrou recorde de inscrições, com 804 projetos concorrendo em todo o país. Os finalistas serão definidos em setembro, e os vencedores serão anunciados em dezembro, durante cerimônia no Supremo Tribunal Federal (STF).

Também concorrem ao Prêmio Innovare projetos Corrida da Justiça e Cidadania, da Comarca de Rondonópolis; e Homens que Cuidam, da Comarca de Barra do Garças. Os dois projetos também já foram apresentados à consultora do Innovare.

Autor: Marcia Marafon

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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