Tribunal de Justiça de MT

Presidente do Judiciário participa de solenidade de posse conjunta de servidores e defensores

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A presidente do Tribunal de Justiça de Mato de Grosso, desembargadora Clarice Claudino da Silva, participou da solenidade de posse conjunta de 10 servidores e 10 defensores públicos, aprovados nos certames abertos em 2022 pela Defensoria Pública de Mato Grosso. Com a presença de amigos e familiares, a cerimônia foi realizada na noite de terça-feira ( 31/10) no Teatro Zulmira Canavarros, em Cuiabá. “É uma alegria participar dessa solenidade, especialmente porque vem ao encontro da necessidade das pessoas que carecem da assistência da defensoria pública. Importante que com esse reforço ela pode estar presente naqueles lugares distantes, onde dificilmente se chega a figura do defensor público e faz parte de um planejamento para suprir a necessidade do estado inteiro. Isso é muito alentador vem ao encontro também da vontade do Poder Judiciário de ter sempre essa parceria lado a lado com todas as demais instituições que fazem parte do sistema judicial”, afirmou a presidente.
 
Dando às boas-vindas aos novos profissionais, a desembargadora Clarice Claudino falou da fase em que vive a Justiça Estadual com uso da plataforma de trabalho da gestão atual que está calcada numa proposta que contempla e incentiva e convida a todos para a construção de uma sociedade mais pacificadora e pacificada em cada uma das suas pessoas. “A Defensoria no nosso estado tem esse compromisso de ser parceira do judiciário e assim tem se conduzido desde quando instituiu o seu Núcleo de Métodos Autocompositivos Consensuais, em que a mediação passou a ser praticada dentro da instituição e não mais só nos Cejuscs“, observou.
 
A magistrada pontuou sobre os círculos de construção de paz, plataforma de qualificação oferecida pelo tribunal. “Hoje Mato Grosso já vivencia isso na área da educação, na área das instituições e especialmente estamos voltados para fomentar a construção de paz por meio de diálogos estruturados, por meio de parcerias que possam multiplicar essa vontade de ver pessoas com mais empatia, com mais cordialidade e com muito mais relacionamentos fraternos. Venham conosco, para que todos possamos crescer juntos e deixar um legado de paz por onde quer que cada um de vocês passem a laborar, seja como servidor ou defensor”, sublinhou.
 
Em seu discurso, a defensora pública-geral e presidente do Conselho Superior da Defensoria Pública de Mato Grosso (DPMT), Luziane Castro, enfatizou que com o reforço nos recursos humanos, a Defensoria Pública expande seu atendimento e alcança 81% das 79 comarcas do Estado, o que significa a oferta de acesso à Justiça para cerca de 3 milhões de habitantes.
 
“A luta para chegarmos até aqui não foi fácil. Foram muitas conversas, muitas reuniões, muitos choros – no sentido de apresentação das necessidades da Defensoria -, algumas noites de sono perdidas. Estamos avançando e nosso objetivo é atingir todas as comarcas de Mato Grosso com um atendimento ágil, eficiente e de qualidade. Estamos no caminho, faremos uma nova posse no início de dezembro para que, em 2024, tenhamos a assistência da Defensoria em todas as 79 Comarcas do Estado”, frisou.
 
Para o novo empossado como defensor público, Alison dos Santos Silva, de Salvador (BA), ingressar na carreira é a realização de um sonho que ele escolhei como missão de vida. “Foi um concurso muito desafiador, e representa a coroação de um sonho. Me sinto preparado para o desafio, quero estar nas ruas conhecendo as demandas da população e atendê-las para poder gerar uma melhoria de vida para essa população vulnerabilizada, mulheres em situação de violência doméstica, pessoas em situação de rua, em cárcere, pessoas excluídas pela sociedade, trazê-las para um lugar de protagonismo”, ressaltou.
 
A contadora Bárbara Garnica, 33 anos, empossada numa das vagas mais cobiçadas entre os servidores públicos, a de controladora interna, conta que há 10 anos estuda para concurso, mesmo trabalhando como técnica de nível médio na Secretaria de Estado de Planejamento (Seplag). “Na Defensoria Pública espero servir da melhor forma e desenvolver com eficiência as atribuições do meu cargo. Vou atuar em nível superior e estou muito feliz e me sinto recompensada após um longo percurso de trabalho”, destacou.
 
Os primeiros 10 defensores empossados exercerão suas funções em comarcas onde o trabalho era feito por cumulação, por defensores já lotados em outras localidades. Antes, porém, eles passarão por capacitação na Escola Superior da Defensoria Pública. Além dos 10 servidores que tomaram posse na cerimônia, outros quatro ingressarão no órgão dentro do prazo legal, estabelecido em 60 dias após a nomeação.
 
Também participaram da solenidade os integrantes da Administração e Diretoria Superior da Defensoria, representantes das Associações de Servidores e Defensoras e Defensores Públicos do Estado, representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MT), Ministério Público de Mato Grosso, entre outras autoridades.
 
#paratodosverem
Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Descrição da imagem 1: foto colorida na horizontal, presidente do TJMT, desembargadora Clarice Claudino da Silva, durante sua fala na solenidade de posse conjunta dos novos defensores e servidores. A desembargadora está no púlpito, ao lado da mesa de autoridades, logo abaixo da mesa o palco todo ornamentado com flores e rosas vermelhas.  Em sua frente está o público que acompanha a solenidade, eles estão sentados. A desembargadora usa blazer rosa com vestido vinho com estampa floral e colar de pérolas. Imagem 2: foto colorida na horizontal da defensora pública-geral durante seu pronunciamento no púlpito, ela fala ao microfone, usa blusa preta de renda com saia preta longa. Imagem.
 
Eli Cristina Azevedo
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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