Fernando Bento, CEO e sócio da FMB Investimentos, aponta que o crescimento de receitas estabelecido pelo arcabouço fiscal como uma das metas para se conseguir aumentar as despesas “é muito difícil de conseguir na prática”. “Esse vai ser o verdadeiro desafio do novo governo”, opina Fernando.
Outro ponto de atenção do texto do arcabouço levantado por Fernando são os gastos que ficam fora do limite da regra, como investimentos em estatais, despesas com o piso salarial da enfermagem, com institutos federais e com saúde, por exemplo. “Precisamos ver como vai se dar isso no decorrer do tempo, porque esses gastos precisam ser controlados”, afirma Fernando.
Os gastos que ficam fora da regra fiscal são constitucionais, e o próprio teto de gastos também tinha uma série de despesas que ficavam de fora da regra.
Arcabouço será discutido no Congresso
Na visão de Rodrigo Correa, estrategista chefe e sócio da Nomos, outro ponto de atenção que terá que ser bastante debatido pelo Congresso é o mecanismo que permite gastos do governo mesmo em anos de queda na arrecadação.
“Esperamos que o piso de +0,6% seja melhor debatido [no Congresso] para que não entremos em eventuais espirais negativas de aumento de dívida. Agora é a hora de discutir tais regras com parcimônia, temperança e sabedoria para nosso futuro”, afirma o especialista, que diz esperar que o arcabouço seja aprovado pelos parlamentares.
De acordo com o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), o texto do projeto de lei complementar que institui a nova regra fiscal deve ser votado até o dia 10 de maio .
Além de citarem os desafios da nova proposta, que devem ser debatidos no Congresso, os especialistas pontam que o arcabouço fiscal é uma vitória do Ministério da Fazenda, sobretudo por conta da rapidez na entrega do texto. Fernando ainda aponta que é importante que o ministro Fernando Haddad tenha conseguido preservar os principais pontos do projeto apresentado no final de março, mesmo sofrendo pressões do governo e do mercado.
O presidente Lula sancionou, sem vetos, o projeto de lei que permite a participantes e assistidos de plano de previdência complementar optar pelo regime de tributação na ocasião da obtenção do benefício ou do resgate dos valores acumulados. De autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), a matéria foi relatada pelo senador Jayme Campos (União-MT) na Comissão de Assuntos Sociais.
Agora, pela lei 14803/2024 os beneficiários dos planos passam a ter melhores condições de optar em relação à escolha pelo regime progressivo ou regressivo de tributação de sua renda previdenciária. A legislação de 2004 determinava que o prazo para opção era até o mês seguinte ao ingresso do usuário no plano.
“Trata-se de uma importante, aperfeiçoa e melhora a legislação no momento em que abrange milhões de brasileiros, sobretudo nessa questão fundamental, que é o momento de estruturar sua previdência social” – frisou Jayme Campos.
Jayme Campos lembrou que decidir o regime de tributação a ser aplicado em um plano de previdência específico, exigia que o cidadão analisasse uma série de “sofisticadas variáveis técnicas”, e contemplar diversos condicionantes de ordem pessoal, vinculados a seu perfil, sua situação familiar e orçamentária e seus objetivos de curto e longo prazo. Por isso, enalteceu a decisão do Senado e a sensibilidade do Governo.
Ele ressaltou ainda que era latente o prejuízo que a regra então vigente causava pela inflexibilidade quanto à escolha do regime de tributação. Jayme citou o exemplo dos que, em face de uma situação emergencial, se via compelido a resgatar o montante dos recursos acumulados em seu plano de previdência, com o ônus de ter que pagar muito mais imposto do que pagaria se lhe fosse permitido optar, na ocasião, pelo regime de tributação.
“Agora, felizmente, isso mudou” – disse, ao cumprimentar o senador Paulo Paim pela iniciativa.
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