A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, afirmou nesta segunda-feira (17) que os programas sociais ficariam comprometidos caso o novo arcabouço fiscal não seja aprovado pelo Congresso Nacional .
De acordo com a ministra, se o arcabouço não for aprovado, o Orçamento estaria comprometido para o Minha Casa, Minha Vida, a manutenção da malha rodoviária federal, o desenvolvimento da Educação Básica, bolsas de pesquisa Capes, o funcionamento e manutenção dos Institutos Federais e a Farmácia Popular, entre outros programas.
“O arcabouço fiscal é a saída para que consigamos cumprir aquilo que nos comprometemos: responsabilidade social sem descuidar do fiscal”, defendeu a ministra.
Tebet acrescentou que espera a aprovação do arcabouço fiscal, e que o governo precisa disso “para ontem”. “Eu acho que nós vamos até nos surpreender com o quórum de aprovação”, disse. “Eu tenho clareza que o Congresso Nacional sabe da responsabilidade que tem e da importância da celeridade do arcabouço fiscal”.
“Ainda que a aprovação não aconteça, a LDO deixou muito claro nós estamos autorizando despesas na ordem de R$ 172 bilhões condicionadas ao espaço fiscal, portanto condicionadas a um novo regramento fiscal, que seria o arcabouço”, completou Tebet, acrescentando que esse fator condicionante permite a aprovação da LDO mesmo sem o arcabouço aprovado.
Salário mínimo
O PLDO de 2024 prevê um salário mínimo apenas corrigido pela inflação no próximo ano, sem aumento real. Segundo Tebet, isso se dá porque o texto prevê um piso do que seria o salário, mas garantiu que haverá acréscimos.
“O salário mínimo nós colocamos apenas aquele determinado pela Constituição, que é o da atualização pelo IPCA [a inflação oficial do Brasil], para que não haja perda. Óbvio que não há a menor chance do presidente no ano que vem não dar aumento real do salário mínimo”, disse ela.
Segundo Tebet, o aumento real será o “percentual permitido pelo espaço fiscal”, e dependerá da aprovação do arcabouço fiscal e do incremento da receita federal. “Se tire de qualquer lugar, mas o presidente não vai descumprir uma promessa de campanha. O aumento vai ser real”, declarou.
O presidente Lula sancionou, sem vetos, o projeto de lei que permite a participantes e assistidos de plano de previdência complementar optar pelo regime de tributação na ocasião da obtenção do benefício ou do resgate dos valores acumulados. De autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), a matéria foi relatada pelo senador Jayme Campos (União-MT) na Comissão de Assuntos Sociais.
Agora, pela lei 14803/2024 os beneficiários dos planos passam a ter melhores condições de optar em relação à escolha pelo regime progressivo ou regressivo de tributação de sua renda previdenciária. A legislação de 2004 determinava que o prazo para opção era até o mês seguinte ao ingresso do usuário no plano.
“Trata-se de uma importante, aperfeiçoa e melhora a legislação no momento em que abrange milhões de brasileiros, sobretudo nessa questão fundamental, que é o momento de estruturar sua previdência social” – frisou Jayme Campos.
Jayme Campos lembrou que decidir o regime de tributação a ser aplicado em um plano de previdência específico, exigia que o cidadão analisasse uma série de “sofisticadas variáveis técnicas”, e contemplar diversos condicionantes de ordem pessoal, vinculados a seu perfil, sua situação familiar e orçamentária e seus objetivos de curto e longo prazo. Por isso, enalteceu a decisão do Senado e a sensibilidade do Governo.
Ele ressaltou ainda que era latente o prejuízo que a regra então vigente causava pela inflexibilidade quanto à escolha do regime de tributação. Jayme citou o exemplo dos que, em face de uma situação emergencial, se via compelido a resgatar o montante dos recursos acumulados em seu plano de previdência, com o ônus de ter que pagar muito mais imposto do que pagaria se lhe fosse permitido optar, na ocasião, pelo regime de tributação.
“Agora, felizmente, isso mudou” – disse, ao cumprimentar o senador Paulo Paim pela iniciativa.
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