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Setembro Amarelo: Centenas de pessoas vão às ruas de Rondonópolis defender Opção pela Vida

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Após uma semana de palestras voltadas para a saúde emocional de adolescentes (alunos do ensino médio de escolas estaduais e em cumprimento de medida socioeducativa), a campanha ‘Opção pela Vida!’, alusiva ao Setembro Amarelo – mês de conscientização e valorização da vida – foi finalizada com uma passeata que mobilizou quase 500 pessoas, que percorreram o centro de Rondonópolis, na manhã do último sábado (23).
 
“A caminhada foi realmente um momento de grande alegria para todos que organizaram, para todos os apoiadores, patrocinadores, para toda a nossa comunidade de Rondonópolis, porque foi possível, mesmo com vários eventos ocorrendo na cidade, no mesmo dia, nós termos um número significativo de pessoas de amarelo, falando palavras de ordem, cantando, ouvindo. Então foi um momento de grande alegria mesmo!”, comentou a juíza Maria das Graças Gomes da Costa, da Vara Especializada da Infância e Juventude daquela comarca.
 
Ela destacou que a campanha foi realizada em uma parceria entre o Judiciário, a Promotoria da Infância e Juventude, a 1ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MT), a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e outros apoiadores, que se uniram para chamar a atenção dos jovens para a importância da comunicação na formação de bons relacionamentos. “Tudo o que temos é agradecer às pessoas e empresas que nos ajudaram a levar a ideia, a semente plantada junto a esses adolescentes, que certamente levarão para as suas agendas de conversa nos seus encontros um pouquinho de motivação, para que nós questionemos a falta de comunicação hoje entre nós. Embora tenhamos tantos meios de comunicação acessíveis e de pronta resposta, mas essa falta de comunicação que está nos causando um problema muito sério de solidão, mesmo no meio de tantos, estamos sozinhos”, apontou a juíza.
 
A coordenadora de gestão escolar e mediadora escolar, Ester Landvoigt da Silveira, que trabalha na Diretoria Regional de Educação (DRE-Seduc), faz observação parecida com a da magistrada. “Todos os dias a gente vê na nossa comunidade, na nossa sociedade que está todo mundo muito ocupado. E eles [crianças e adolescentes] precisam de algo muito simples: atenção. Se toda a comunidade, os pais, todas as pessoas parassem mais de olhar para o telefone e olhassem mais para os olhos… Penso que os pais poderiam dar um pouquinho dessa atenção”, afirma.
 
Em relação à caminhada ‘Opção pela Vida!’ a educadora relata que ficou emocionada. “Foi lindíssima! A gente teve a participação de alunos, da maioria do pessoal da DRE. Foi emocionante! Um evento muito prestigiado pelas pessoas. Eu fiquei muito emocionada por ver os alunos participando, o olhar das pessoas que estavam prestigiando”, conta.
 
Ester da Silveira afirma ainda que é crescente o número de adolescentes que tem demonstrado precisar de ajuda em relação à saúde mental. Ela informa que a Diretoria Regional de Educação de Rondonópolis já tem realizado um trabalho psicossocial junto a esses estudantes e que a campanha promovida pela Vara da Infância e Juventude e demais instituições contribuiu para esse processo. “A gente teve um retorno gratificante por parte deles. Gostaram muito. Eles estavam precisando muito”, disse a gestora escolar, que já anseia por mais parcerias como essa. “Nós precisamos da presença deles aqui também, em eventos onde nós todos caminhemos pelo mesmo objetivo, que é pela vida, também pelo retorno deles à escola. A gente já tem essa parceria, mas a gente precisa que seja mais constante. Nós já falamos com a doutora e ela se mostrou muito disposta”.
 
Quem também faz coro ao pedido para que o projeto continue é a advogada Edmara Xavier, vice-presidente da Comissão da Infância e Juventude da 1ª Subseção da OAB-MT. “Foi um evento muito satisfatório no que diz respeito a cuidar do outro, a cuidar de si e a multiplicar. Espero que esteja no nosso calendário municipal e que, nos próximos anos, a doutora Maria das Graças possa, da sua forma ousada e arrojada, continue fazendo esse evento”.
Conforme a advogada, o evento foi de grande magnitude e, de fato, tocou o público-alvo, que foram os adolescentes. “Eu sei que várias escolas, entidades no mundo todo fazem várias ações, mas nessa proporção, nessa magnitude ousada, posso dizer, de ir lá e pegar esse público, hoje no município que está mais carente no que diz respeito à saúde emocional e psicológica, colocá-los ali para ouvirem e serem ouvidos e mais, para serem multiplicadores dessas palestras, eu acredito que foi muito positivo resultado desse evento”, avalia.
 
Edmara Xavier ainda elogiou a juíza Maria das Graças Gomes da Costa pela condução do evento e agradeceu a todos os envolvidos na campanha ‘Opção pela Vida!’. “Tenho que aplaudir de pé essa ação da doutora, que movimentou tantas entidades, escolas, Polícia Militar, parlamentar estadual. Agradecer também ao doutor Bruno de Castro, presidente da 1ª Subseção da OAB, por ter abraçado a ideia e estar presente não só na abertura como na caminhada e colocar a OAB junto nessa parceria”.
 
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#Paratodosverem – Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Foto 1: Rua no centro de Rondonópolis tomada por pessoas, a maioria jovens, usando camiseta amarela com a logomarca da campanha Opção pela Vida. Alguns estão segurando balões amarelos e, à frente, dois adolescentes e a juíza Maria das Graças seguram uma faixa com o tema da campanha. Foto 2: Vista aérea da caminhada mostra rua do centro de Rondonópolis repleta de pessoas que participam da caminhada segurando faixas, balões. Ao final é possível ver uma banda tocando, com os membros enfileirados.
 
Celly Silva
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Estereótipos de gênero podem gerar injustiças no Direito de Família, alerta juíza

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Mulher de blazer preto fala ao microfone diante de plateia sentada. Ao fundo, telão com slide sobre campanha e banner do CEMULHER - Coordenadoria Estadual da Mulher“Não existe pai herói por fazer o que é sua obrigação, nem mãe menos dedicada por trabalhar fora”. A reflexão marcou a palestra da juíza Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa, titular da 2ª Vara Especializada de Família e Sucessões de Cuiabá, durante a capacitação das Equipes Multidisciplinares das Varas Especializadas de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, realizada na tarde desta quarta-feira (15) pelo Poder Judiciário de Mato Grosso.
Com o tema “Estereótipos de Gênero no Direito de Família”, a magistrada chamou a atenção para a necessidade de psicólogos, assistentes sociais e demais profissionais reconhecerem e romperem padrões culturais que ainda influenciam decisões judiciais e atendimentos às mulheres em situação de violência.
Segundo a juíza Ana Graziela, a ideia de que a mulher deve ser sempre a principal cuidadora dos filhos, enquanto o homem ocupa exclusivamente o papel de provedor, ainda provoca julgamentos que podem comprometer a imparcialidade dos processos. “A gente não pode taxar as pessoas por um estereótipo. O pai não é herói por cuidar do filho, porque isso é obrigação. Da mesma forma, a mulher não deixa de ser uma boa mãe porque trabalha o dia inteiro ou conta com uma rede de apoio para cuidar das crianças”, afirmou.
Plateia sentada assiste palestra em auditório. Ao fundo, palestrante de preto fala ao microfone diante de telão com slide e banner do CEMULHER.Atendimento sem julgamentos
Durante a palestra, a juíza explicou que esses estereótipos podem resultar em violência processual, quando preconceitos e ideias pré-concebidas interferem na forma como mulheres são ouvidas, acolhidas e avaliadas pelo sistema de Justiça.
Ela destacou que é preciso evitar perguntas e conclusões que responsabilizem a vítima pela violência sofrida ou coloquem em dúvida sua credibilidade. “Não adianta essa mulher ser vítima em casa e, quando chega ao Fórum, sofrer um outro tipo de violência praticada pelo próprio poder público. Ela precisa encontrar acolhimento, não julgamento”, comentou.
Ao abordar a evolução histórica dos direitos das mulheres, Ana Graziela lembrou que muitos padrões sociais foram construídos ao longo dos séculos e ainda se refletem nas relações familiares e nas decisões judiciais. Por isso, defendeu que magistrados e equipes técnicas utilizem o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) como instrumento para reduzir vieses e garantir decisões mais justas.
Como mensagem final aos participantes, a magistrada reforçou que empatia e imparcialidade devem orientar a atuação de todos os profissionais que lidam com famílias e mulheres em situação de violência. “Precisamos quebrar os estereótipos de gênero. Um laudo deve ser construído sem julgamentos e baseado na realidade dos fatos. Quem trabalha com essas famílias precisa compreender o contexto em que elas vivem e atuar com empatia para evitar novas formas de violência”, concluiu.

Autor: Roberta Penha

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Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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