Tribunal de Justiça de MT

Servidores da Corregedoria se capacitam em técnicas de mediação e conciliação

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Dez servidores do Departamento de Apoio aos Juizados Especiais (Daje) e assessores de gabinetes da Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso (CGJ-MT) participaram, entre os dias 24 e 28 de novembro, do Curso Básico de Mediação e Conciliação Judiciais, etapa teórica, na Escola dos Servidores do Poder Judiciário, em Cuiabá.
O objetivo foi desenvolver conhecimentos teóricos e práticos sobre mediação e conciliação judiciais, promovendo vivências supervisionadas que capacitem servidores e servidoras a exercer, de forma ética e competente, a atuação autocompositiva no âmbito judicial.
Segundo a servidora do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), Dionara Oliver Albuquerque, que conduziu o treinamento, durante a semana foram trabalhados métodos autocompositivos, desde a compreensão do conflito, a moderna teoria do conflito e os tipos de negociação até diversas técnicas, como a escuta ativa e a validação de sentimentos.
“As técnicas auxiliam muito a partir do momento em que oportunizam que as próprias partes, em um processo, encontrem uma solução. A neurociência mostra que toda tomada de decisão tem um forte componente emocional, e muitas vezes elas não percebem que são motivadas por uma série de outros fatores que, se não forem trabalhados, impedem a concretização do acordo”, afirmou.
A palestrante ressaltou ainda que espera que os participantes, além de desenvolverem as técnicas e atuarem efetivamente nos processos e pré-processos, possam compreender o que acontece nos demais setores do Tribunal. “Quem sabe isso ajude com uma nova dinâmica, uma nova percepção ou até uma readequação dos trabalhos desenvolvidos, especialmente por conciliadores e juízes leigos nos Juizados Especiais”, disse.
A diretora do Daje, Shusiene Tassinari Machado, destacou que o oferecimento do curso proporciona à equipe e aos assessores de gabinetes da CGJ-MT a oportunidade de compreender melhor e apoiar, sempre que necessário, a realização das audiências de conciliação. “Essa iniciativa reforça nosso compromisso com práticas colaborativas e resultados efetivos”, avaliou.
O servidor do Daje, Gláucio Corrêa, ressaltou que o curso o surpreendeu por apresentar técnicas de mediação úteis tanto para lidar com processos judiciais quanto para outras áreas profissionais ou pessoais.
“Achei muito relevante conhecer o trabalho de conciliadores e juízes leigos, as percepções que devem ter sobre o lado humano nos processos. Eu não tinha noção dessa dimensão e agora quero aprender ainda mais para melhorar meu trabalho e aprimorar a entrega. Também vou levar essas técnicas para minha vida pessoal”, contou.
Para a assessora técnica jurídica da CGJ-MT, Rosane Sandoval Gonçalves Marini, a participação no curso também representou uma experiência enriquecedora tanto sob a perspectiva pessoal quanto sob o ponto de vista institucional. Ela destacou que o conteúdo apresentado permitiu uma compreensão mais profunda sobre a relevância do trabalho desenvolvido por mediadores e conciliadores, especialmente no contexto da política judiciária de tratamento adequado dos conflitos.
“Ao conhecer de perto as técnicas, fortalecemos ainda mais a atuação da Corregedoria, considerando que se trata de um instrumento valioso para a pacificação social, a redução da litigiosidade e a melhoria da prestação jurisdicional, com o intuito de alcançar uma jurisdição mais acessível, eficiente e humanizada”, afirmou.
Curso
A capacitação será dividida em duas etapas. A etapa teórica, realizada presencialmente entre 24 e 28 de setembro, teve carga horária de 40 horas e incluiu simulações práticas de audiências de mediação. A segunda etapa será o estágio supervisionado, que ocorrerá na modalidade virtual, via plataforma Microsoft Teams, com carga horária de 60 horas e data ainda a definir.
O treinamento é uma iniciativa da CGJ-MT, com apoio da Escola dos Servidores e do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec) do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

Autor: Larissa Klein

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Departamento: Assessoria de Comunicação da CGJ-TJMT

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Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Deficiência invisível: psicóloga do TJMT relata vivência com visão monocular

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A psicóloga do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Giselle Ramos de Castilho Teixeira, convive desde a infância com a visão monocular, condição caracterizada pela perda da visão de um dos olhos. Apesar de a deficiência não ser perceptível fisicamente, ela relata que os desafios fazem parte da rotina e vão desde dificuldades de profundidade até a necessidade constante de reafirmar sua condição diante das pessoas.
Em continuidade às ações do Mês de Conscientização sobre Acessibilidade, a servidora destaca a importância de ampliar o debate sobre inclusão, acolhimento e respeito às pessoas com deficiências não aparentes, tanto no ambiente institucional quanto na sociedade.
Giselle conta que descobriu a deficiência ainda criança, de forma inesperada. “Eu fui brincar com as maquiagens da minha mãe e percebi que não enxergava de um olho para passar a sombra. Perguntei para minha mãe se ela também não enxergava de um olho e aí fomos descobrir a deficiência”, relembra.
Desafios diários
Segundo ela, uma das maiores dificuldades enfrentadas por pessoas com visão monocular é justamente a falta de compreensão da sociedade sobre uma deficiência que nem sempre possui características físicas aparentes. “Se eu não falar que sou uma pessoa com deficiência, ninguém percebe. Muitas vezes, a dificuldade da visão monocular é exatamente essa, as pessoas não acreditarem que você realmente tem uma deficiência”, afirma.
A psicóloga explica que a visão monocular afeta diretamente a percepção de profundidade, distância e visão lateral, tornando situações cotidianas mais desafiadoras. “Escadas são muito perigosas para quem tem visão monocular, porque a gente não consegue ter a mesma percepção de profundidade. Por isso, aquelas faixas coloridas nos degraus são tão importantes”, comenta.
Além das limitações práticas, Giselle destaca que o impacto emocional causado pela falta de compreensão sobre a deficiência também é significativo. “Muitas vezes, as pessoas julgam você como incapaz por causa da deficiência. Isso acaba trazendo problemas emocionais porque a própria pessoa começa a se sentir incapaz”, observa.
Acolhimento e inclusão
Para a psicóloga, inclusão vai além de adaptações estruturais e envolve, principalmente, acolhimento e reconhecimento da individualidade de cada pessoa. “Inclusão não é só colocar uma rampa ou um adesivo na escada. É olhar para a pessoa e mostrar que ela é importante, que ela tem sentimentos e que merece ser acolhida”, ressalta.
Ela avalia que o Poder Judiciário de Mato Grosso avançou significativamente nos últimos anos em relação às políticas de acessibilidade e inclusão, especialmente após a criação da Comissão de Acessibilidade e Inclusão. “Hoje existem ferramentas, adaptações, jornada especial e avanços importantes que fazem com que a pessoa com deficiência se sinta vista dentro da instituição”, destaca.
Giselle também lembra que a visão monocular foi reconhecida legalmente como deficiência visual pela Lei nº 14.126/2021, garantindo às pessoas com essa condição os mesmos direitos assegurados às demais pessoas com deficiência.
Mesmo assim, ela afirma que ainda existem dificuldades para o reconhecimento desses direitos. “Muitas vezes precisamos provar constantemente que temos uma deficiência, mesmo apresentando laudos. Nem sempre os nossos direitos são respeitados de forma automática”, pontua.
Segundo a psicóloga, ampliar o debate sobre acessibilidade e inclusão é essencial para construir ambientes mais humanos, empáticos e preparados para acolher diferentes realidades. “A deficiência não define uma pessoa. Antes de qualquer limitação, existe um ser humano que precisa ser respeitado, acolhido e compreendido”, conclui.
Pesquisa sobre acessibilidade
Como parte das ações desenvolvidas para o fortalecimento da política de inclusão, a Comissão de Acessibilidade e Inclusão do PJMT também promove uma pesquisa sobre as condições de acessibilidade nas unidades judiciárias e administrativas do Estado.
O levantamento é destinado a magistrados(as), servidores(as), estagiários(as), colaboradores(as) e credenciados(as), com o objetivo de identificar demandas, necessidades e possíveis barreiras enfrentadas no ambiente institucional.
A pesquisa segue aberta até o dia 30 de junho de 2026. Participe!

Autor: Emily Magalhães

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Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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