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Ribeirinho Cidadão: comunidade de Estirão Comprido recebe atendimento de justiça, saúde e cidadania

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A comitiva da 17ª edição do projeto Ribeirinho Cidadão 2024 iniciou, nesta quarta-feira (10 de abril), os atendimentos de justiça, saúde e cidadania à população de Estirão Comprido, comunidade localizada na zona rural do município de Barão de Melgaço, a 121 km de Cuiabá.  
 
Neste primeiro dia da etapa terrestre do projeto social, realizado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), através da Justiça Comunitária, Defensoria Pública do Estado e com apoio de vários parceiros, de 10 a 13 de abril, os moradores de Estirão Comprido e São Pedro de Joselândia estão conseguindo acessar de forma rápida e eficiente inúmeros serviços. 
 
Moradora da comunidade ‘Boca das Conchas’, Andressa Caroline Padilha, 25 anos, foi ao ponto de atendimento para solicitar a emissão do documento de Registro Geral (RG) e o Cadastro de Pessoa Física (CPF) da filha menor de idade.  Segundo ela, a chegada dos serviços ofertados pelo ‘Ribeirinho Cidadão’ gera economia e praticidade para todos que moram na zona rural e conseguem realizar importantes serviços de forma gratuita. 
 
“Esse projeto é importantíssimo, porque para solicitar um simples CPF ou RG, eu teria que me deslocar até Cuiabá, isso é muito caro, seria necessário pagar deslocamento, alimentação, além de precisar ficar o dia todo na Capital para fazer isso. Porém, aqui eu consigo fazer tudo rápido, de maneira simples, apenas pela manhã consigo solicitar tudo isso e não tenho gasto. Além disso, o atendimento é rápido e organizado… A chegada deste projeto é importantíssimo para todos nós moradores”, declarou. 
 
O coordenador da Justiça Comunitária, juiz José Antônio Bezerra Filho, destacou que a realização deste projeto social ao longo de dezessete anos “é um compromisso do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Defensoria Públicas e parceiros que estão unidos para fazer a diferença, mesmo diante dos grandes desafios encontrados no caminho, o objetivo é ajudar aqueles que mais precisam”.
 
 
O Ezequiel Marcos de Paula, 28 anos, morador do município de Barão de Melgaço, é um exemplo de cidadão que estava necessitando de um dos inúmeros serviços ofertados pelo projeto. No primeiro dia, ele procurou o atendimento de justiça e conseguiu realizar o processo divórcio com a ex-esposa. O jovem conseguiu resolver a situação que estava pendente há quase seis anos, tudo de forma simples e rápida, em audiência híbrida.
 
“Desde de 2018, eu estava tentando resolver essa situação e não conseguia. Fiquei sabendo que a equipe do Ribeirinho Cidadão estava realizando atendimento aqui na comunidade e vim buscar ajuda. O atendimento foi rápido, fizemos uma chamada de vídeo e entrei em consenso com minha ex-esposa, conseguimos essa audiência e tudo se resolveu”, explicou Ezequiel.
 
Ele destacou ainda, que se não fosse o atendimento ofertado pelo projeto social “ia ser mais demorado, eu teria que procurar o serviço do Cartório de Barão, teria custos, mas eu consegui resolver tudo aqui mesmo”.
 
Estão sendo realizados vários serviço, com destaque para atendimentos de orientação jurídica, resolução de questões judiciais, facilitação de acordos e conciliações, auxílio na obtenção de declaração de hipossuficiência, emissão e regularização do Cadastro de Pessoa Física (CPF), serviços médicos e odontológicos, vacinação, assistência em questões previdenciárias e solicitação de benefícios. Além disso, oferecemos serviços como confecção de Carteira de Identificação Nacional, inscrição de embarcações, atividades lúdicas e educativas e outross 
 
A prefeita de Barão de Melgaço esteve presente no evento e destacou que a realização do Ribeirinho Cidadão atende as necessidades dos moradores da zona rural do município que precisam dos serviços.
 
“Este projeto importantíssimo consegue trazer aos moradores inúmeros serviços, principalmente os atendimentos da justiça, além de emissão de documento e atendimentos de saúde. A Prefeitura também trabalha em parceria deste projeto para que possamos dar condições na prestação dos serviços ao cidadão aqui na comunidade que tem mais dificuldade de chegar até Cuiabá”, explicou.
 
Os atendimentos das equipes na comunidade de Estirão Comprido, segue até quinta-feira (11 de abril), com encerramento às 12h. No dia 12 e 13 de abril, será a vez da comunidade de São Pedro de Joselândia, das 9h às 12h e 13h às 17h.
 
#Paratodosverem. Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Descrição de imagem, foto 1: mostra pessoas sentadas aguardando atendimento. Uma colaboradora, mulher, que usa uma camiseta branca com o logo da campanha do Ribeirinho Cidadão está realizando a triagem das pessoas. Foto 2: Mostra uma mulher concedendo entrevista para o repórter da TV Justiça. Ela é branca, cabelos compridos lisos de cor clara, usa uma camisa de cor rosa. Foto 3: Mostra um homem sentado ao lado de uma mulher que está prestando atendimento do serviço de justiça da Defensoria Pública. O homem é negro, cabelo lisos pretos, usa uma camiseta cor de vinho. A mulher é branca, cabelos loiros amarrados e usa uma camisa branca com o logo do projeto que tem o nome Ribeirinho Cidadão.  
 
Carlos Celestino/ Fotos: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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