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Recuperandas do semiaberto e mulheres em situação de rua realizam exames no Mutirão Florescer

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Foto que mostra várias mulheres sentadas em cadeiras ao lado da carreta Sesc Saúde Mulher.Recuperandas que cumprem pena no regime semiaberto e mulheres em situação de rua realizaram exames de mamografia e Papanicolau nesta quarta-feira (10), no segundo dia do Mutirão Florescer, uma das vertentes do Mutirão Pop Rua Jud, programa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) executado pelo Poder Judiciário de Mato Grosso e parceiros, que visa garantir direitos fundamentais a grupos historicamente vulnerabilizados socialmente.

Os exames foram realizados na unidade móvel Sesc Saúde da Mulher, do Serviço Social do Comércio (Sesc-MT) – ligado ao Sistema Comércio de Mato Grosso -, localizada no estacionamento do Sesc Arsenal.

Márcia Barros durante entrevista à TV.Jus, em frente à carreta Sesc Saúde Mulher. ela é uma mulher de 42 anos, parda, com cabelo loiro preso, usando camiseta cinza e brinco dourado.“Eu vim fazer o preventivo do câncer de mama e o atendimento foi tranquilo, um atendimento bom. É meio desconfortável, mas é uma coisa que a gente pode suportar. Eu aconselho que todas façam porque antes a gente estar no desconforto agora, do que ter uma notícia triste mais tarde”, disse Márcia Maria de Oliveira Barros, 42 anos, atendida na manhã desta quarta-feira (10).

Ela é mãe de quatro filhos, mas somente agora teve a oportunidade de fazer a mamografia pela primeira vez, graças ao Mutirão Florescer, uma parceria entre Poder Judiciário, Fecomércio-MT, Secretaria Municipal de Assistência Social, Direitos Humanos e Inclusão, Defensoria Pública Estadual e Fundação Nova Chance. “Eu acho isso maravilhoso porque é um atendimento que, se a gente for procurar pelos outros atendimentos de saúde, é mais demorado”, comenta Márcia.

Maria José Oliveira durante entrevista à TV.Jus, em frente à carreta Sesc Saúde Mulher. ela é uma jovem de pele parda, cabelos castanhos presos, usando camiseta cinza.Maria José Francisco de Oliveira, 31, defende que as mulheres cuidem da saúde. “A gente se cuidar é sempre bom na nossa vida, manter nosso cuidado, nossa saúde é o que importa”. Ela ainda elogiou o acolhimento recebido no mutirão de exames. “O atendimento foi bom, a enfermeira conversou bastante comigo. Isso aqui ajuda muito porque nem todo mundo tem dinheiro para uma passagem, tem tempo para ir porque tem filho. E esse atendimento é ótimo!”.

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Ana Vitória Lustosa durante entrevista à TV.Jus, em frente à carreta Sesc Saúde Mulher. Ela é uma jovem de pele clara, olhos castanhos, cabelos cacheados e com mechas loiras, usando blusa bege.Ana Vitória Lustosa, 25, conta que tem histórico de câncer na família, que acometeu sua mãe, avó e tia e, por isso entende a importância da prevenção. “Eu acho que todo mundo deveria aproveitar essa chance, essa oportunidade, porque tem muita gente que não tem noção do perigo relacionado a isso, o câncer do colo do útero. Eu mesmo tenho casos na minha família, então, no caso de pessoas que têm caso na família, é bom sempre fazer”.

Segundo Ana Vitória, esta é a segunda vez que realizou os exames, mesmo estando no sistema prisional. “Eu fiz no início do ano, quando estava lá dentro, privada. E agora eu estou com essa nova oportunidade e resolvi fazer também. E foi ótimo! A menina atendeu super bem. Tem muitas pessoas que não fazem com medo da questão de dor, alguma coisa desse tipo, mas não tem nenhum problema quanto a isso, é bem tranquilo”, relatou.

Desembargador Mário Kono durante entrevista à TV.Jus, em frente à carreta Sesc Saúde Mulher. Ele é um senhor pardo, de cabelos grisalhos, com traços orientais, usando camisa rosa clara e terno cinza.Coordenador do Comitê Multinível, Multissetorial e Interinstitucional para a Promoção de Políticas Públicas de Atenção às Pessoas em Situação de Rua (CMMIRua-PJMT) e presidente do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec) do Poder Judiciário de Mato Grosso, o desembargador Mário Roberto Kono de Oliveira acompanhou o trabalho realizado no Mutirão Florescer.

“Isso mostra que o Poder Judiciário sai daquele sistema tradicional e dá um grande valor à cidadania, assim reconhecida pela Constituição de 88, que eleva como direito fundamental a dignidade humana. E isso vem se cumprindo, principalmente, pelo Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso. Nós temos que ver sempre com atenção e carinho o ser humano. E o trabalho que é feito é o resgate da dignidade”, afirma.

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Detalhe do banner do Mutirão Florescer pendurado. O banner é rosa e lilás, onde se lê: Mutirão Florescer - exames preventivos e mamografia para mulheres vulneráveis.O presidente do Sistema Comércio MT, Wenceslau Júnior, afirma que para o Sesc, contribuir com uma ação que leva cuidados de saúde a mulheres em situação de vulnerabilidade extrema representa o cumprimento do propósito social da instituição. “A unidade móvel Sesc Saúde Mulher já realiza um trabalho essencial em diversas regiões do estado, oferecendo rastreamento, acolhimento e orientação para milhares de usuárias. Ao somarmos essa expertise à parceria com o Poder Judiciário, ampliamos o alcance dessa política de proteção e garantimos que serviços fundamentais cheguem a quem enfrenta as maiores barreiras de acesso. Essa é uma entrega que reafirma nosso compromisso com a dignidade humana, com a promoção do bem-estar e com a construção de uma sociedade mais justa e acolhedora”.

A unidade móvel Sesc Saúde Mulher oferece serviços gratuitos de mamografia e Papanicolau, além de orientações em saúde. Contando com dois consultórios, uma enfermeira e uma técnica em Radiologia, além de equipamentos modernos, o serviço contribui para a prevenção do câncer de mama e do câncer do colo uterino.

Pop Rua Jud – O Mutirão Pop Rua Jud é uma estratégia prevista na Política Nacional de Atenção às Pessoas em Situação de Rua e suas Interseccionalidades, instituída pela Resolução 425/2021 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) com o objetivo de garantir acesso à justiça e aos direitos fundamentais às pessoas mais vulnerabilizadas social e economicamente.

Fotos: Ricarte Oliveira

Confira também:

Mutirão Florescer proporciona exames de mamografia e Papanicolau a mulheres em situação de rua

Autor: Celly Silva

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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