Tribunal de Justiça de MT

Presidente do TJMT recebe em mãos lista sêxtupla para vaga de desembargador da OAB

Publicado em

A presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, desembargadora Clarice Claudino da Silva, recebeu nesta quarta-feira (10 de janeiro), em mãos, a lista sêxtupla com os nomes dos candidatos e candidatas à vaga de desembargador(a) destinada à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) pelo Quinto Constitucional.
 
A lista foi entregue pela presidente da OAB seccional Mato Grosso, Gisela Cardoso, acompanhada do vice-presidente, José Carlos Guimarães Junior, e do diretor Helmut Daltro.
 
No encontro, a presidente da Ordem destacou a importância de levar pessoalmente a lista para a presidente do Poder Judiciário dada a relevância do processo de escolha, em que a advocacia terá mais um membro compondo o colegiado do TJMT, de modo a ampliar a visão de todos os atores do sistema de justiça sob as demandas judiciais da população mato-grossense.
 
Os desafios de um advogado ou advogada que se torna desembargador ou desembargadora são enormes, destacou a presidente Clarice, haja vista que a pessoa precisa deixar uma carreira individual caracterizada pela parcialidade e adquirir habilidades opostas, como a imparcialidade, colegialidade e ainda desempenhar atividades político-administrativas.
 
“É pesado, é uma responsabilidade grande, estar disposto a desempenhar uma função totalmente diferente requer coragem. Que vença aquele que tiver maior condição de contribuir com a atividade judicante. É uma honra receber essa lista em mãos, são todos muito bem-vindos e podem ter certeza que quem for escolhido será bem acolhido com respeito e amorosidade”, destacou a presidente do TJMT.
 
Igualdade de gênero – Um dos pontos destacados no encontro foi a questão paritária da lista da OAB, composta por três advogados e três advogadas. Essa foi a primeira vez que uma lista sêxtupla da OAB-MT teve essa paridade e a escolha foi feita por aclamação pelo Conselho da Ordem.
 
As presidentes falaram sobre a importância deste movimento e outras medidas de ações afirmativas que buscam ampliar a presença e o protagonismo das mulheres nos espaços de poder do sistema de justiça.
 
“Representa muito o momento que nós vivemos, das mulheres mais participativas nos espaços de poder. Vejo com bons olhos todas essas políticas afirmativas que buscam reduzir uma desigualdade que ainda há, dentro de um contexto histórico. A advocacia sempre foi um ambiente muito mais masculino, o Poder Judiciário sempre foi também muito masculino, então essa paridade na Ordem vem fazendo essas correções. O que esperamos é que um dia não precisemos mais dessas políticas, em que haja uma normalidade na participação feminina e masculina em todos os setores e todos os órgãos”, enfatizou a presidente da OAB-MT.
 
A presidente do TJMT endossou a questão, ressaltando que este é um passo gigantesco rumo à consolidação do espaço da mulher e de políticas públicas de equiparação, que vem sendo buscada há décadas, por mulheres precursoras e vanguardistas, como a desembargadora Maria Helena Póvoas, que foi a primeira mulher a presidir a OAB-MT, há 30 anos, e a desembargadora aposentada Shelma Lombardi de Kato, que foi a primeira magistrada, primeira desembargadora e primeira presidente mulher do TJMT.
 
“São mulheres fortes que desbravaram o caminho para que pudéssemos estar onde estamos hoje. É um histórico que não podemos esquecer nunca. Lembro da nossa caminhada desde 1980, quando me formei, era uma situação penosa, estávamos na estaca zero, era muito difícil uma mulher conseguir destaque e estabilidade. A OAB foi pioneira na abertura para o feminino, e hoje temos uma realidade totalmente diferente para nossas filhas e netas”, destacou a desembargadora-presidente.
 
A lista será votada pelo Pleno do TJMT para formar uma lista tríplice e, posteriormente, será definida a escolha por meio de nomeação feita pelo governador do Estado, Mauro Mendes.
 
Confira os nomes dos candidatos e candidatas ao desembargo no TJMT:
 
Juliana Zafino
Dinara de Arruda
Glaucia Amaral
Hélio Nishiama
Flaviano Taques
Abel Sguarezi
 
#ParaTodosVerem – Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Primeira imagem: foto horizontal colorida do grupo sentado conversando. Diante de uma mesa de madeira e vidro, a presidente Clarice está sentada lendo um papel e sorrindo. Em frente a ela estão os três representantes da OAB olhando para ela. Ao fundo há dois grandes vasos com plantas e as bandeiras de Cuiabá, Mato Grosso e do Brasil. Segunda imagem: foto horizontal colorida dos representantes da OAB com a presidente do TJ. Da esquerda para a direita, estão Helmut, Gisela, Clarice e José Carlos. Os dois homens vestem terno, camisa, gravata e calça social, Gisela veste camisa rosa e calça branca e a desembargadora veste um vestido azul com estampas brancas e colar de pérolas. À direita há uma janela, ao fundo as bandeiras e o vaso grande de plantas.
 
Mylena Petrucelli/Fotos: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

Leia Também:  Neurocientista Anita Brito defende educação inclusiva baseada na compreensão da neurodiversidade

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

Tribunal de Justiça de MT

Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

Published

on

Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

Leia Também:  Presidente do TCE-MT recomenda que Sinfra-MT realize seis audiências públicas nas regiões afetadas por concessões

Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Leia Também:  Novos juízes conhecem estrutura do Fórum de Cuiabá e simulam audiência de custódia

Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

Cuiabá

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA