Tribunal de Justiça de MT

Poder Judiciário de Mato Grosso

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O 1º Relatório do Índice de Desempenho Sustentável do Poder Judiciário de Mato Grosso (IDS/PJMT) ficou pronto e está disponível para consulta e download na página do Núcleo de Sustentabilidade. O IDS passou a ser utilizado para avaliação das unidades administrativas e judiciárias do TJMT em novembro de 2022. Por isso, o período deste relatório é de novembro de 2022 a junho de 2023.
 
O relatório é resultado de análise realizada pela equipe do Núcleo de Sustentabilidade e pela equipe de Orçamento e Estatística da Coordenadoria de Planejamento do PJMT, baseado em dados disponibilizados pelas áreas administrativas. As análises constantes desse relatório visam trazer clareza e transparência ao resultado do Índice de Desempenho Sustentável de 2023, que culminou na entrega de Selos de Reconhecimento no VIII Encontro da Sustentabilidade do PJMT , realizado no dia 17 de agosto passado.
 
O IDS do PJMT foi inspirado no IDS do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e traz um rol de indicadores, constantes da Portaria TJMT/PRES nº 1.228 de 2022. Tais indicadores são periodicamente monitorados no Plano de Logística Sustentável pelo Núcleo de Sustentabilidade e Coordenadorias do PJMT.
 
O IDS/PJMT tem o objetivo de estabelecer critérios de avaliação e comparação objetiva entre comarcas, gabinetes de desembargadores e áreas administrativas.
 
Em 2023, o IDS considerou como indicadores per capita, energia elétrica, água e esgoto, impressão, água envasada, copo descartável, papel, frota (manutenção, aluguel e combustível) por veículo e telefone fixo e móvel por linha.
 
De acordo com a gestora administrativa do Núcleo, Vera Lícia de Arimatéia e Silva, antes a competição “ECOnomia Legal” se baseava na Gestão Matricial de Dados (GMD) para avaliar e ranquear as unidades do TJMT. A diferença é que o GMD é focado nos gastos, então a competição tinha um viés de redução de gastos. Com o IDS, o foco passa a ser na eficácia ambiental do consumo feito pelas unidades, com um viés voltado para a sustentabilidade.
 
“São pontos de vistas diferentes, então não dá para comparar o desempenho no GMD como o do IDS. Do ponto de vista da sustentabilidade, houve uma melhora na perspectiva e é possível observar mudanças de hábitos em vários aspectos. No entanto, o GMD não deixou de existir, pois a redução de gastos é sempre necessária, ela apenas não é mais o foco do desafio”, explicou Vera Lícia.
 
O assessor de Sustentabilidade do Núcleo, Carlos Kreutz, disse que já é perceptível o interesse de várias comarcas e algumas áreas do Tribunal, na busca de mais informações sobre os indicadores, o desempenho e como poderão melhorá-lo para o próximo ano e que vai de encontro com os objetivos futuros do Núcleo de Sustentabilidade do TJMT.
 
“O objetivo agora é tornar as comarcas, gabinetes e áreas administrativas mais sustentáveis e mais eficazes ambientalmente, reduzindo consumos desnecessários ou ambientalmente danosos, e assim, melhorar o IDS nacional do TJMT frente aos outros tribunais do país. Apesar do TJMT ter alcançado pontuação para o Selo de Qualidade do CNJ, ainda somos o 20º colocado entre os tribunais estaduais, quando se considera o IDS do CNJ. Então, é preciso melhorar a base para podermos melhorar nossa posição nacional também.”
 
Ele explicou que ainda há vários pontos que podem ser melhorados, como a redução no consumo de copos descartáveis, impressão e transporte. A gestão de resíduos é outro fator que requer olhares mais atentos e neste aspecto há boas expectativas com a implantação do Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos do TJMT , que permitirá um aumento considerável da destinação correta dos resíduos sólidos produzidos pelo Tribunal e Comarcas.
 
“De maneira geral, é sempre importante tentar aprender com aqueles tribunais que estão mais bem colocados no ranking. Muitos deles, por exemplo, já conseguiram zerar o consumo de copos descartáveis”, disse Carlos.
 
Marcia Marafon
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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