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Grupo de Fiscalização do Sistema Carcerário visita unidades prisionais de Tangará e Campo Novo

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O Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo de Mato Grosso (GMF-MT) visitou as cadeias públicas das cidades de Campo novo do Parecis e Tangará da Serra na última terça-feira (21). A comitiva liderada pelo supervisor do GMF, desembargador Orlando Perri, realizou um trabalho de inspeção às unidades prisionais e listou as reclamações advindas da administração das cadeias, dos próprios recuperandos e conheceu de perto quais são os projetos desenvolvidos nas unidades para a promoção da ressocialização das pessoas privadas de liberdade.
 
No Centro de Detenção Provisória de Tangará da Serra, há 370 homens em cumprimento de pena. Desse total, 86 estão trabalhando em projetos que estão em desenvolvimento na unidade, uma parceria firmada entre a Empaer e o CDP proporcionou que 6 recuperandos trabalhassem na instituição auxiliando na produção de mudas de café, capim, mandioca, banana e pitaya que são distribuídas para os agricultores familiares da região.
 
Além disso, a Empaer também fez a doação de mudas para a própria unidade e os ressocializandos participaram de um projeto inovador no estado que fez o aproveitamento de áreas agricultáveis ao redor do CDP. Eles realizaram o plantio de 4 mil mudas de café clonal através de fertiirrigação, 100 mudas de banana, 100 mudas de limão taiti e, assim que as chuvas se tornarem mais constantes na região, 40 mil mudas de mandioca serão plantadas.
 
No local, também há o cultivo de uma horta que produz verduras, legumes e leguminosas para consumo diário na alimentação dos recuperandos. A produção é comercializada através do Conselho da Comunidade e a empresa que oferece a alimentação faz a aquisição dos alimentos. Os valores arrecados são revertidos para a manutenção da unidade prisional.
 
A comitiva do GMF também participou da inauguração dos espaços destinados à oficina de costura, panificação, confeitaria, alojamento e refeitório dos servidores, sistema de monitoramento interno e de comunicação interna da unidade.
 
“Cada vez que retornamos ao CDP de Tangará nos surpreendemos com as melhorias realizadas nesta unidade prisional. Sem dúvidas, ela é uma referência de administração bem realizada e que promove a ressocialização através do trabalho. Ver de perto as 4 mil mudas de café que foram plantadas e a horta da unidade foi uma excelente surpresa”, disse o desembargador Orlando Perri.
 
No dia da visita, o novo juiz titular da 1ª vara criminal de Tangará da Serra tomou posse no cargo e também acompanhou a inspeção. “Considero um prêmio que ganhei no meu primeiro dia na comarca. Conheci as boas práticas da unidade prisional e todas as pessoas que estão por trás dos projetos”, declarou Cláudio Deodato Rodrigues Pereira.
 
A magistrada Edna Coutinho, que até o dia 20 de novembro ocupou o cargo de juíza titular, reconheceu o apoio do GMF, do Estado e da direção do presídio para promoção de melhores condições para o cumprimento de pena. “Uma juíza sozinha não consegue fazer nada na execução penal sem o apoio dos parceiros. Por isso, a articulação com o GMF, a secretaria de administração penitenciária, a direção do CDP é fundamental para fazer com que a totalidade da Lei de Execução Penal seja cumprida. Nós temos que proporcionar que os recuperandos sejam reinseridos na sociedade”, destacou a magistrada.
 
O presidente da Fundação Nova Chance, Winkler de Freitas Teles, reforçou as intenções da Funac para aumentar o número de vagas de trabalho no município. “O nosso objetivo é aumentar o número de frente de trabalho para que nós possamos dar mais oportunidades para o recuperando, porque somente com o trabalho nós conseguimos proporcionar a ressocialização”, disse Winkler.
 
As boas práticas adotadas no Centro de Detenção Provisória de Tangará da Serra já estão sendo estudadas para serem replicadas em outras unidades prisionais do estado. “O que é desenvolvido aqui no CDP serve de exemplo para outras cadeias públicas de Mato Grosso. A partir das práticas positivas executadas aqui, nós conseguiremos auxiliar na melhoria de outras unidades mato-grossenses”, declarou o secretário adjunto de administração penitenciária Jean Carlos Gonçalves.
 
Campo Novo do Parecis – Esta foi a primeira vez que o Grupo de Fiscalização foi até Campo Novo. Atualmente, a unidade conta com 193 recuperandos e parte deles já está apta a participar das atividades na marcenaria, serralheria, oficina de costura e fabricação de fraldas geriátricas. Uma parceria firmada com o Lions Clube da cidade conseguiu distribuir a produção das fraldas geriátricas ao Hospital de Câncer de Mato Grosso, Pronto Socorro de Cuiabá, Lar dos idosos de Barra do Bugres, além de atender parte da demanda na própria cidade.
 
Apesar dos projetos em desenvolvimento, o desembargador Orlando Perri se mostrou preocupado com a parte administrativa da unidade. “Já fizemos várias recomendações ao diretor do presídio e ao prefeito da localidade visando a melhoria das condições do cumprimento de pena na unidade”, destacou o desembargador.
 
ParaTodosVerem – Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Foto 1: Desembargador Orlando Perri, juiz Geraldo Fidelis e secretário Jean olham para dentro da cela enquanto os recuperando falam. Perri é um homem de cabelos grisalhos, usa camisa xadrez nas cores laranja e azul e está com semblante atento. Fidelis possui cabelos grisalhos, usa óculos quadrado e camisa azul. Jean usa boné e identificação com a logo da Polícia Penal. Ele tem barba e usa camiseta polo azul escuro. Foto 02: Em primeiro plano estão os computadores do sistema de monitoramento de segurança, em frente aos computadores estão o desembargador Orlando Perri, Geral Fidelis e demais autoridades. Todos prestam atenção ao que o servidor explica sobre o sistema.
 
Laura Meireles/ Fotos: Ednilson Aguiar
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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